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Fala Leitor

Fidel Castro

Para alguns, arquétipo do herói, como Alexandre da Macedônia. Para outros, do tirano implacável, como Sadam Hussein.

O fato é que ninguém exerce poder político por 49 anos sem ser uma figura arquetípica. Advogado, no início protagonizou episódios ante os quais a esquerda mundial se encantou e encheu-se de esperanças. Encarado como o promotor do socialismo mundial, preconizado por Marx - "proletários do mundo inteiro, uni-vos". Os adversários recolheram-se em Miami.

Em verdade, arquétipo do homem carismático e paradoxal. Sob a corrupta ditadura de Baptista, a ilha vista dos Estados Unidos tornou-se um cassino. Sem lideranças e instituições fortes, caiu como um castelo de cartas. Os guerrilheiros de Sierra Maestra, sem embargo dos combates e de sacrificados na luta pela democracia, foram os únicos que, em todo o mundo, conquistaram seus objetivos. Uma sociedade e um governo, voltados a um hedonismo barato e irresponsável, caíram nas mãos do Robin Hood do Caribe da década de 1950.

O carisma desde lodo se evidenciou, por meio das comemorações da vitória. Vitória sem comemoração é um ato a que falta o símbolo, importante, porém vazia ao firmar o fato no inconsciente coletivo. Seus adeptos, ao invés do apoio incandescente e esperançoso, podem cair na letargia do mesmo. E se completou pela fluidez da linguagem. Poucos políticos souberam usar da expressão verbal como Fidel. Seus discursos eram de horas ante um povo extático. No ponto se forjaram as primeiras virtudes de mais de quatro décadas de poder efetivo e inquestionado.

Sentiu, contudo, sua inevitável fraqueza, ante o gigante do norte. Assim, à propositura inicial de uma democracia ética e iluminista sobreveio a guinada de 180 graus, ao aderir à poderosa ditadura stalinista, fundada em burocracia sólida, genocídios e nacionalismo, este antípoda dos sonhos universais de Castro e da esquerda. Inúmeros apoiadores importantes do movimento democrático de Fidel o abandonaram. E o esperado apoio da União Soviética à revolução universal foi uma decepção.  Embora tenha propiciado fundamentos básicos à mantença econômica de Cuba, o empenho soviético não passou daí. Tinham de consolidar seu próprio terreno, consequente à segunda guerra mundial.

Certamente o bloqueio econômico gerou a miséria de Cuba. Entretanto, não se pode esperar de uma grande nação capitalista, gerida pelos respectivos interesses, outra conduta; quando o histórico Presidente Barack Obama logrou engendrar um diálogo com Raul Castro, o venerando líder não deixou de manifestar sua crônica oposição. O enterro dessa tentativa evolucionista ficará consumado como uma das deletérias consequências da vitória de Donald Trump.

Ernesto Guevara teve precisa conta da direção dos ventos e rompeu com a subserviência a outro patronato. Seus ideais do socialismo universal eram mais fortes. Demitiu-se do mais importante cargo governamental de Cuba para morrer indefeso na Bolívia. A primeira demonstração de que a guerra guerrilheira não consegue derruir Estados minimamente ordenados, seja sob governos democráticos, sejam ditaduras.

A guinada de Castro inspirou a ideia demagógica de que se veria empreender lutas sob o mantra da democracia liberal, pregada ostensivamente, somente como um meio, um caminho para atingir-se a figura da "ditadura do proletariado", necessário, no pensamento marxista-leninista, para a instauração do socialismo.  O imaginário utópico do século XX e ainda pendente em veneráveis cabeças do século XXI. Essa elucubração imagística somente seria descartada de parte do pensamento esquerdista em meados da década de 1980 pelo Partido Comunista Italiano e seu líder Enrico Berlinguer, que firmou como propósito de sua "praxis" a "democracia como fim universal", o que gerou efeitos, inclusive, no Partido Comunista Brasileiro, com sua cisão entre dois grupos básicos: os seguidores do "Velho", combatente Luís Carlos Prestes, dissidência, e os que remanesceram no Partido sob a direção de alguém desprovido de "vis attractiva", tal qual Raul Castro, Giocondo Dias.

Dissolvida a guerra fria, a agora Rússia logo retirou o amparo crônico à Ilha, o que gerou reações furibundas e inúteis de Fidel. A miséria tornou-se extrema, somente administrada por heranças do período ancorado, especialmente por meio da educação universalizada e, do mesmo modo, dos serviços de saúde. No ponto, são necessárias observações imperiosas. A educação do estilo soviético sempre foi marcada pela unilateridade de objetivos políticos. O pensamento aberto, criativo e crítico, fundamento da filosofia e de todas as ciências, exatas e humanas, foi soterrado. Restou a miopia e a pobreza do "conhecimento" único de seus próprios espelhos. A visão enciclopédica, responsável e cautelosa das ciências e das artes, ao expor seus resultados, foi simplesmente abandonada. Um físico comprometido com o partido não precisaria de muitos testes para anunciar suas investigações. Do mesmo modo, os literatos e filósofos, a exemplo de Vladimir Mayakovskiy, Alexandre Soljenitsin e Boris Pasternak. Tanto a saúde como a educação cubana foram promovidas à luz de valores quantitativos e não qualitativos e críticos, o mesmo que, há pouco, se adotou no Brasil.

Ao finalizar, o pior de tudo: não há boas ditaduras. Os "paredóns" e os presos políticos e os exilados foram denúncias jamais contestadas pela ditadura castrista. Verdades incontestáveis.

Esse menosprezo à vida, que, quando se vai, é como uma ilha que se desprende de seu promontório, são considerados nefandos crimes de lesa humanidade. Para alguns saudosistas, o preceito é relativizado quando essas ignomínias visam à "salvação social de toda a humanidade". Ao leitor cabe valorar esse relativismo.

Talvez ninguém, neste século, nesta vida que se desenvolve sob condições absolutamente distintas dos meados do século passado, e nos futuros, verá mais um homem como Fidel Castro, carismático, resistente, dono da linguagem, e, ao mesmo tempo, equivocado, intransparente e ditador, como todos os tiranos, inominável.

Amadeu Roberto Garrido de Paula - advogado e membro da Academia Latino-Americana de Ciências Humanas

 

O nascimento existencial

Os estudos longitudinais da personalidade, os que acompanham as crianças do nascimento por vários anos, apontam às seguintes características: para entende-las com facilidade vamos seguir o exemplo de gêmeos.

Esses estudos perceberam diferenças de comportamento entre as crianças. Às vezes uma é alegre e vive sorrindo; a outra é séria e pouco se relaciona. Essas características são constitutivas da própria criança e influencia o próximo passo.

Os adultos se relacionam com essas duas crianças e reforçam esses comportamentos. Por anos essas crianças escutarão “Sempre foi alegre, desde pequena já sorria.” ou “Você sempre foi muito sério”. Também escutam críticas, “Assim alegre! Tem que tomar cuidado, pois pessoas maldosas irão se aproveitar”. E escutam orientação de mudança: “Você não precisa ser tão sério, procure ser simpático”.

Existe o contexto regional; este vai além da família. São os discursos que as crianças escutarão na escola, dos vizinhos, e das demais pessoas onde foram criados: “Quem nasce nessa cidade é uma pessoa de tal característica.” ou “Aqui é região de pessoas com determinada ação”. De maneira pouco percebida esse contexto é constante e presente na formação da personalidade.

Os pais que passam seus valores de origem, suas expectativas e planos. O carinho, o amor e as orientações. Bem como o desprezo, a raiva e as desaprovações no decorrer do convívio familiar.

Mas é a própria criança o principal elemento nessa história. O protagonista da sua vida. Pois é ela, alienada ou não que escolhe o que fazer de si própria a partir da educação que lhe deram. Apesar de apresentar características constitutivas da personalidade, é ela que escolhe seu uso. Bem como dos valores, discursos e orientação que escutaram. Isso se chama nascimento existencial. Pois somos nós que escolhemos ser o que queremos. O mundo influencia, mas somos os responsáveis pelo que escolhemos.

Psicólogo Flávio Melo Ribeiro -CRP12/00449

 

Última atualização ( Sex, 25 de Novembro de 2016 10:14 )
 

A Justiça a serviço do crime

O título põe a nu o paradoxo e escandaliza conservadores. Trata-se do título de um livro do Magistrado Arruda Campos, conhecido como "Matias Arrudão", publicado há mais de meio século.

Custou-lhe a exclusão da magistratura. A ementa do acórdão do Conselho Superior da Magistratura do Tribunal de Justiça de São Paulo é exemplar dos tempos obscuros que toldavam a sociedade brasileira. Iniciava-se assim: "Magistrado Comunista. Inadmissibilidade".

Alguém evidentemente punido por suas opiniões. Em verdade, Arruda Campos não era comunista; era um democrata radical. Para entender-se o que seja um democrata radical, é o cidadão pensador em levar ao extremo as liberdades, as garantias e direitos individuais, coisas antigas, da França de 1789, que desde logo foram introduzidas em nossa Constituição Cidadã, em seu art. 5º.

Inobstante a Carta, esses direitos de "primeira geração" são pisoteados cotidianamente. Os abusos de autoridade são praticados reiteradamente no território nacional, especialmente pelas polícias militar e civil. E também pelo Ministério Público e pelo Judiciário. A inutilidade desse método ofensivo aos preceitos da democracia é óbvia, com o crescimento incessante da criminalidade. Notícia dos últimos dias nos dá conta de que a tranquila Porto Alegre acaba de superar em oito pontos os índices de criminalidade da longamente sofrida Pauliceia.

O Congresso Nacional discute o tema, posto no PL 4.850/2016, bom de ser acompanhado por toda a sociedade. Dele o Relator, submetido a pressões, legítimas na democracia, de membros do Ministério Público Federal, retirou o dispositivo que instituía crime de responsabilidade para magistrados e membros do Ministério Público. Não entendemos por que não se destina a policiais. Considerada a inteligência empírica que temos do Estado de São Paulo, muito pouco teriam a temer magistrados e membros do Ministério Público ante essa legislação, porquanto sua imensa maioria é proba, culta e consciente dos valores da democracia, conquistada com enormes sacrifícios depois de duas décadas de céus sombrios.

Lamentavelmente, o mesmo não podemos dizer da Polícia Civil e da Polícia Militar. Seus integrantes creem piamente que, ao recorrer a brutalidades extremas contra cidadãos suspeitos e contra a lei, recebem aplausos da sociedade. Com aparente razão. A sociedade, cansada de ser agredida, admite o fuzilamento de condenados na Praça da Sé, sob as vistas gerais. O general da Idade Média, que repousa no inconsciente de todos nós e, por vezes, vêm ao limiar da consciência, responde à criminalidade intensa e banalizada.

A lei penal, ao criar a "prisão temporária", por cinco dias, praticou um erro. É um meio de a polícia "arrancar a verdade" de suspeitos. Grande parte confessa a prática do crime, sob forte coação física e psicológica. Por vezes num único ato: um tapa no rosto. Não há como um juiz equilibrado, como em geral o são, ainda que não seja exemplo do "bom juiz Magneau", dar valor a essas confissões, que encerram o trabalho policial.

A boa atividade de investigação policial não precisa ser violenta. Precisa ser paciente, trabalhosa e inteligente. Tudo o que não desejam funcionários públicos concursados, estáveis, mal remunerados e sem incentivos. Sua pobreza material e intelectual é despejada sob suspeitos situados em condições sociais ainda mais precárias; a violência dos celerados, inclusive de menores, ao invés de diminuir, recrudesce e se amplia. O ciclo vicioso se completa e cada vez mais nos chafurdamos na lama de um país à beira de não poder ser mais habitado.

Propostas para sairmos desse estado de coisas inaceitável não faltam, mas o governo federal, de curto fôlego, provavelmente não abrirá espaço para o combate racional à violência no Brasil, uma das maiores da América Latina, provavelmente somente atrás do México e da Nicarágua, considerado o número de homicídios. E são muito concretas, apresentadas por instituições privadas que se debruçam sobre o assunto: unificação das polícias militares e civis, mudanças radicais na educação básica e no ensino médio, criação de oportunidades para os jovens, eliminação dos preconceitos contra os negros, remuneração humana para os policiais e seu aperfeiçoamento mediante cursos de formação científica e humanista, reforma carcerária para que as prisões sejam efetivos centros de reabilitação e reinserção social, finalidade última da pena reclusiva, aperfeiçoamento das penas não privativas da liberdade, muitas delas mais eficazes que a segregação. Temos absoluta certeza de que, ao final e ao cabo de um plano nacional de segurança pública, assim como se deu em outros países, teremos positivos resultados, senão para erradicar completamente a violência e os crimes, pelo menos para amenizá-los significativamente. Enquanto não tivermos uma sociedade justa, precisamos de medidas para evitar que ela seja completamente desconstruída e levada a um ponto de irreversibilidade.

Editorial do jornal "O Estado de S. Paulo" de 22 de novembro pontua que o caminho da erradicação da corrupção e da moralização dos costumes e da política brasileira não passa por arranhaduras à democracia. Consequentemente, apoia o dispositivo que cria a figura de crimes de responsabilidade para as referidas autoridades. Não há porque o Presidente da República estar sujeito a ser responsabilizado e um juiz de direito não.

É o "necessário equilíbrio", mostrado a todos pelo símbolo da Justiça. Como concluiu seu opúsculo o saudoso Matias Arrudão, "fora da democracia não há salvação".

Amadeu Roberto Garrido de Paula - é advogado e membro da Academia Latino-Americana de Ciências Humanas.

 

Quer recriar sua própria história no novo ano?

A virada do ano significa para muitos a oportunidade de recriar sua própria história de vida. É como se tivéssemos a chance de começar do zero e desenhar um novo futuro. Verdade ou não, a questão é que nessa época do ano, realmente é o momento certo de fazermos um grande balanço, não só das contas, das despesas, mas de nós mesmos. O que podemos fazer para parar por aqui e recomeçar? Do que você tem que se libertar, como guardar aquilo que não foi bom como ensinamento e partir agora para novas oportunidades?

Talvez você tenha feito planos pessoais e profissionais e ao fazer um balanço do que passou, você se critique por não ter atingido o que gostaria e acaba invalidando, não reconhecendo os passos que deu. Se você parar e prestar atenção no que está fazendo consigo mesmo verá o tanto que já fez. Repare onde você estava há um ano atrás e olha onde está agora, quantas coisas foram feitas, resolvidas. Ao contrário de nos punir e cobrar, podemos dizer para nós mesmos, que bom, olha o quanto você já fez. Comemora! Celebra! Aí sim, desse estado interior, mais reconhecido, mais honrado, mais visto por você mesmo, o mundo lá fora começa a te apoiar para que você possa dar continuidade aos seus planos e ter força para recomeçar.

Além disso, é importante lembrar que a solução para muitos de nossos problemas pode não estar em nós e não tem a ver com a nossa vida. Após muitos anos de trabalho terapêutico por meio da Constelação Familiar, posso lhe garantir que nós carregamos histórias e destinos de outros membros familiares e inconscientemente reproduzimos suas dores e dificuldades em nosso dia a dia. Isso acontece com todos nós, independente de acreditarmos nisso ou não! Ou seja, as histórias que aconteceram com seus pais, tios, avós, bisavós têm um peso enorme na sua felicidade. A saída para transformar este peso em força e liberdade é reconhecer esses fatos, termos consciência e controle para curar essas dores e tomar as rédeas da nossa vida nas próprias mãos.

Lembre-se, sempre o começo está dentro. E aquilo que eu falo para mim, aquilo que eu vivencio, eu produzo e reproduzo, tenho a resposta fora, na minha vida, nos meus relacionamentos, nas minhas conquistas. Então meu convite para o ano que se inicia é para você olhar para dentro e se perguntar. Eu estou reconhecendo os meus progressos? Eu estou de verdade dizendo parabéns, você fez muito?! Essa dor, essa dúvida que eu carrego é realmente minha? Depois, a partir desse lugar reconhecido, traçar mais planos. Eu já disse e repito, você é tão bom quanto o seu estado interior. Se você estiver feliz com suas conquistas será muito mais fácil traçar novos planos!!!

Nathalie Favaron – terapeuta, coach e autora do recém-lançado O Reencontro

 

Fortaleça sua relevância sem sacrificar a autoestima

Há muitos significados para autoestima, alguns até pejorativos. Muitas vezes, alguém se refere à outra pessoa com grande autoestima como “metida”. Entretanto, há um consenso da importância de se ter uma sensação da nossa própria relevância e autovalorização.

Para Virginia Satir, mãe da terapia familiar e expoente da psicologia humanista, nutrir e desenvolver a autoestima são fundamentais. Para ela, cada pessoa é uma manifestação da força vital, que recebeu o presente maravilhoso de um Espírito Interno que ela chama de Self. Este é um ponto muito importante, pois tudo converge no sentido de reconectar a pessoa ao Self, ao espírito interno e à força vital. É quando estamos conectados a esses elementos que nosso senso de autovalor se amplia.

Ao longo da vida, especialmente no convívio com a nossa tríade de origem - pai e mãe ou quem quer que tenha nos acolhido e acompanhado na infância e adolescência -, verificamos que dentro de nós vão ocorrendo movimentos que nos afastam desse estado de centramento e autovalor. Como pequenos seres curiosos, observamos tudo e aprendemos, sugando como esponjas, todas as informações. Paralelamente, estabelecemos um modelo interno de como vamos funcionar, muitas vezes durante o resto de nossas vidas.

Posso ter recebido muitas informações, verbalizadas ou não, explícitas ou implícitas. Posso ter aprendido que só trabalhando duro é possível alcançar tudo o que quero ou que não importa o que faça, nunca serei bom o suficiente. Que é perigoso expressar o que sinto e quero, ou, ainda, que não devo expressar nada.  Para atingir o que desejo, devo usar sempre minha raiva com violência. Essas podem ter sido mensagens gravadas tão profundamente que as levo comigo onde estiver: nos meus relacionamentos, ambiente profissional, na minha vida pessoal, etc.

O importante aqui é entender que tudo isso são apenas aprendizados e que, provavelmente, nos foram muitos úteis. Talvez a melhor maneira e os únicos recursos disponíveis para que conseguíssemos chegar até o dia de hoje. No entanto, isso pode nos ter custado um preço muito alto. Fizemos sacrifícios, nos distanciamos daquela força vital, do nosso Self, sacrificamos a nossa autoestima.

Na aplicação de qualquer ferramenta do modelo Satir, temos então um convite: dar um passo para trás e, de certa distância, observar e tomar consciência desses aprendizados. Ao tomar conhecimento disso, podemos optar e agir de uma maneira diferente. Considero esse aprendizado que tive muito útil naquela época, mas agora não mais.

Hoje, agradeço e digo “muito obrigada, mas agora você não me serve mais, vou mandá-lo para o Museu da História de minha vida”. Nesse momento, abro espaço e renovo meus aprendizados. Faço um upgrade com versões mais sintonizadas com meu sentido de Self e que valorizam e nutram minha autoestima.

Posso dizer, por exemplo, que “só trabalhando duro consigo o que quero” foi muito importante para mim. Entretanto, traz um sentido de peso que me distancia de viver com prazer, aumenta meus níveis de estresse e prejudica meus relacionamentos. Por isso, eu posso optar por substituí-lo por outro: “posso relaxar e trabalhar duro quando necessário”.

E, a partir deste novo entendimento, procuro fazer um compromisso com novas práticas e busco recursos que me fortaleçam e deem suporte ao longo do meu caminho futuro.

Esse é um processo de valorização do Self e desenvolvimento da autoestima. Pode parecer simples, mas é profundo e poderoso.

Ana Guitián Ruiz é Coach - representante no Brasil do Instituto Virgínia Satir da Alemanha

 

Entre um Personagem e um Diretor: Trump e a Economia

Dois princípios do Partido Republicano devem permanecer durante o governo Trump: a valorização do dólar e o maior nacionalismo americano refletido por medidas protecionistas sobre as empresas e favorável ao emprego dos norte-americanos. No primeiro, Trump parece ser o “Personagem” e no segundo poderá ser o “Diretor”.
A valorização do dólar norte americano, com a alta dos juros básicos, já vem sendo anunciada e aguardada desde o começo deste ano, ou seja, ainda no governo de Barack Obama. O Federal Reserve (FED) ou Banco Central dos Estados Unidos, bem como diversos analistas econômicos, vem indicando para esta possibilidade de alta nos juros durante todo este ano. Como esta decisão sobre o aumento da taxa de juros nos Estados Unidos afeta o Brasil?
Os Estados Unidos são considerados a economia mais segura do mundo e um aumento da taxa de juros, ainda que de pouca magnitude, provocará a saída de recursos financeiros dos outros países para o EUA. Haverá uma migração de dólares para aquele país, provocando uma desvalorização de todas as outras moedas.
Sobre o Brasil, além da desvalorização do Real, poderá haver uma redução nos recursos destinados aos investimento e aplicações financeiras. Esta perspectiva de alta de juros do dólar norte-americano, mesmo com Trump, parece não estar ameaçada. Ele deverá ser o personagem neste processo.
Adicionalmente, para o Brasil, o aumento da taxa de juros americana também causará um aumento dos custos para as empresas que têm necessidade de buscar recursos no exterior para se financiar, captar recursos, ou adquirir produtos ou matérias-primas importadas, como, por exemplo, a indústria farmacêutica.
Estas empresas terão de pagar mais pelos recursos externos ou pelos produtos importados. O custo do capital das empresas sobe e ocorre uma inflação causada pela desvalorização do Real.  As empresas do país vão repassar os custos mais elevados de captação do dinheiro ou de produção de seus produtos para o consumidor brasileiro.
A pressão de alta sobre a taxa de câmbio (pressão para a desvalorização do Real) causa um aumento da inflação. Os produtos ficam mais caros. Por precaução, o Banco Central do Brasil poderá não reduzir os juros. Poderá haver uma dificuldade em reduzir os juros do país.
A cautela mostrada por esta instituição com relação a abaixar a taxa básica, já por diversas vezes, indica que ela não deseja correr riscos desnecessários sobre o desejo de controlar a alta dos preços.  O comportamento do Banco Central do país parece mostrar que ele poderá abaixar os juros somente se houver significativos e fortes sinais de redução da inflação no país.
O Trump como diretor será aquele que deverá orientar o maior nacionalismo- ou protecionismo- sobre a economia norte-americana. A intenção deste movimento nacionalista e protecionista ao estimular a economia daquele país poderá causar três providências sendo duas imediatas: a redução dos tributos sobre empresas – para reduzir o preço dos produtos americanos- e a redução das taxas cobradas sobre os indivíduos- para aumentar o seu poder de compra. A terceira providência é a de elevar as tarifas de importação ou impor novas medidas protecionistas contra a importação de produtos acabados. A intenção é a de propor medidas de repatriação das empresas norte-americanas instaladas pelo mundo, particularmente na China.
Qual o efeito da retomada da indústria norte-americana sobre o Brasil? As exportações brasileiras no período de janeiro a outubro de 2016 totalizaram US$18, 9 bilhões.   Os EUA é um importante comprador de matérias-primas brasileiras. Pode ser que a recuperação industrial norte-americana estimule o comércio bilateral brasileiro com este país e aumente a participação das exportações para os EUA.
Agostinho Celso Pascalicchio - economista da Universidade Presbiteriana Mackenzie

 
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