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Editorial CN - Mobilidade Urbana

Canoas é uma cidade cortada de sul a norte pela BR 116 e pelos trilhos da Trensurb.
A falta de articulação política, principalmente nos anos onde a cidade foi declarada área de segurança pública, com prefeitos nomeados, sem representação nos parlamentos e muita acomodação das lideranças da época, propiciaram que fosse erguido no meio do município duas muralhas,praticamente intransponíveis, com o agravante de na região central, ou especificamente entre as Ruas Guilherme Schell e Victor Barreto fosse assentado os trihos do metrô de superfície metropolitano.
Se por um lado o metrô é motivo de comemorações e solução para o transporte público, por outro, ocasiona entraves na mobilidade urbana da cidade.
Soluções paliativas têm sido tentadas pelas administrações municipais nestes últimos anos e, todas estão fadadas a não criarem melhorias efetivas, inclusive muitas vezes,acabam por serem abandonadas pois o malefícios são maiores que os benefícios.
A Prefeitura prepara a instalação do primeiro corredor de ônibus em Canoas, será um pequeno trecho da Rua Vitor Barreto, entre a Ipiranga e a Muck.
As vozes contrárias já são muitas. Os comerciantes apontam que haverá enormes dificuldades para a chegada de suas mercadorias, pois, já na Rua 15 Janeiro não há espaço para carga e descarga. O tradicional ponto de táxi, na esquina da Victor Barreto com a Tiradentes esta sendo transferido, a duras penas, para a Rua Muck, próximo da Victor Barreto.
A solução encontrada vai gerar mais transtornos nas proximidades do centenário Colégio La Salle/Unilasalle, já tem vozes discordantes junto aos empresários ali instalados, que também perdem seu ponto de carga e descarga.
A solução é o rebaixamento ou mesmo a elevação da linha da trensurb, entre a Av. Inconfidência/Dr. Barcelos e a Rua Mathias Velho, que devolverá a tão necessária mobilidade urbana ao centro de Canoas. Isto, sem contar com a promessa de ainda neste mês de abril ser lançado o edital para a construção do túnel na Rua Domingos Martins sob a BR 116, que desafogará parcialmente as transposições existentes atualmente na Boqueirão e na Av. Inconfidência.
A cidade cresceu, investimentos vultosos são anunciados, a indústria da construção civil descobriu Canoas, neste momento, são centenas os prédios em edificação, um novo e vultoso Shopping Center será erguido e a mobilidade urbana tem sido negligenciada pela administração municipal, que não prioriza soluções definitivas, somente paliativos e enganadoras alternativas.

Última atualização ( Sex, 11 de Abril de 2014 10:53 )
 

SOU BRASILEIRO COM MUITO ORGULHO

SOU BRASILEIRO COM MUITO ORGULHO
 
Com a Copa, temos uma grande oportunidade para mostrar a riqueza cultural brasileira, a criatividade de nossa gente, uma natureza exuberante e o novo Brasil que estamos construindo
Daqui a poucos dias, viveremos as emoções da Copa do Mundo no Brasil. E conquistamos a honra de sermos os anfitriões dessa festa graças ao reconhecimento que o mundo faz de nossos recentes avanços, enquanto uma nação que tem por princípios a defesa da paz e da prosperidade com inclusão social. Por isso, devemos aproveitar esta oportunidade e mostrar, além de um caloroso acolhimento, nosso jeito de fazer, que respeita a diversidade, mas não tolera a violência e o pessimismo.
O Brasil está pulsando forte. Não só pela Copa, mas porque hoje vivemos em uma terra que qualquer cidadão, por mais humilde que seja, é tratado com respeito, com direito à saúde pública, à escola e à universidade, a uma renda mínima, a um emprego, a uma moradia, a uma alimentação saudável. Enfim, nos tornamos um país que conquistou dignidade para milhões de filhos seus que, até bem pouco tempo, estavam relegados a cidadãos de "segunda classe".
O Brasil está dando certo, apesar de uma minoria agourenta e dos pessimistas contumazes. E é justamente nessa hora em que o mundo inteiro olha para nós buscando conhecer esse país que se consolida como uma das maiores democracias do planeta, que esses oportunistas se apresentam. Contra a violência de seus atos ou seus discursos que desqualificam a nossa história, ferem nossa autoestima e que tentam nos confundir com meias informações ou mentiras, precisamos resgatar fatos e levantar a bandeira da verdade.
A verdade é que a Copa do Mundo deixará um precioso legado. E não são apenas os novos estádios nos quais assistiremos as emoções da Copa e onde seguiremos desfrutando, com segurança e conforto, a nossa paixão pelo futebol. O grande legado está na infraestrutura. Bilhões de reais se transformam em melhorias nas telecomunicações e energia, na mobilidade urbana, nos aeroportos e rodovias, na estrutura turística, na segurança pública. Ou seja, nenhum investimento foi inútil, muito menos desviou recursos da saúde e da educação, que contam com verbas próprias.
Mesmo antes de a bola rolar para a Copa, já temos o que comemorar: foram gerados milhares de empregos, qualificados centenas de trabalhadores, atraídos muitos turistas. Em breve, faturaremos mais: retornos provenientes da indústria do turismo, do movimento do comércio (do micro ao grande empreendedor), de investimentos nacionais e estrangeiros.
O mundo quer ver e viver a festa do futebol no Brasil. Temos uma grande oportunidade para mostrar a riqueza cultural brasileira, a criatividade de nossa gente, uma natureza exuberante e o novo Brasil que estamos construindo, com desenvolvimento e inclusão social. Não podemos deixar que o mau humor de poucos contamine a beleza e o significado deste momento. Vamos, sim, fazer a "Copa das Copas", a Copa da diversidade e da paz. Podemos encher o peito e gritar: "Sou brasileiro com muito orgulho no coração"!

Marco Maia
Deputado Federal do PT-RS e ex-presidente da Câmara dos Deputados

Última atualização ( Sex, 21 de Março de 2014 10:28 )
 

Indiferentes ao recado das ruas

Na última semana presenciamos mais um fato lamentável, protagonizado por parte de nossos representantes na Câmara dos Deputados.
Há dois meses o deputado Natan Donadon (ex-PMDB/RO) está preso, condenado em definitivo que foi, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), por fazer parte de um esquema que desviou R$ 8,4 milhões dos cofres públicos entre 1995 e 1998, quando era diretor da Assembléia Legislativa de Rondônia.
A Câmara Federal deveria privá-lo de suas funções, mas não foi o que aconteceu. Na sessão de 4ª feira, dia 28 de agosto, a proposta de perda de mandato, que deveria receber no mínimo 257 votos, recebeu 233 a favor da cassação, 131 contra e 41 abstenções. Houve ainda as ausências, dos 31 deputados da bancada gaúcha, 14 não compareceram à sessão, que manteve o mandato de Donadon. Todos alegaram motivos pessoais para justificar seu não comparecimento, porém, numa circunstância  como esta, um representante do povo tem que saber estabelecer  prioridades e ter consciência de sua responsabilidade.Num momento de decisão tão importante, como este, como justificar esta omissão? Com certeza, este fato ficará para sempre no currículo deste deputado, que deverá se sentir de certa forma responsável, por um dos mais lamentáveis momentos da  Câmara dos Deputados.
O voto secreto, sem dúvida, teve um grande peso nesta decisão, porque ele impede, que o eleitor saiba, como votou aquele que ele elegeu e permite acobertar quem não tem coragem de assumir perante seus eleitores, a consequência de seus atos.
O movimento pelo fim do voto secreto cresceu nas redes sociais e está mobilizando diversas entidades. O eleitor tem o direito de saber como vota seu parlamentar, do contrário, como poderá avaliar sua  atuação?
A Constituição brasileira de 1988 estabelece que o voto secreto seja utilizado em algumas situações: processos de perda de mandato, escolha das Mesas Diretoras, análise de veto presidencial, escolha de algumas autoridades e exoneração do Procurador Geral da República. Porém, se tornou regra geral.
Existem três propostas que preveem o fim do voto secreto. A mais antiga é de 2001. A mais recente foi aprovada, em julho último, pela Comissão de Constituição de Justiça (CCJ) do Senado. O texto é do senador Paulo Paim (PT/RS) e acaba com o voto secreto em todas as votações do Congresso. Deixa fora apenas o voto secreto para eleições de integrantes das Mesas do Senado e da Câmara, cuja extinção é prevista em outro projeto. Está aguardando aprovação no Plenário do Senado, para começar a tramitar na Câmara.
A verdade é que, por experiência histórica, o voto secreto dos parlamentares, como outras tantas distorções legais, só vai acabar com muita pressão da sociedade.Percebe-se que diversos parlamentares já esqueceram ou estão indiferentes a um importante recado dos protestos de junho.

Profa. Marina Lima Leal, 02 de setembro de 2013

 

Uma questão de justiça

No último dia 2 de abril, entrou em vigor a Emenda Constitucional 66/2012, conhecida como PEC das Domésticas, certamente por levar em conta, que 97% dos trabalhadores domésticos, são mulheres.
A Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) ignorou sua existência e também não foram lembrados na Constituição de 1988. Somente agora, anos mais tarde, finalmente os empregados domésticos, conseguiram garantir os direitos assegurados aos demais trabalhadores e já conquistados em países adiantados.
Durante muitos anos, eles trabalharam, nos lares brasileiros, sem direito a terem sequer, a Carteira assinada. Com o passar dos anos conseguiram este e mais alguns direitos, como férias e salário mínimo, muito pouco para quem se encarrega dos cuidados da casa  e especialmente dos filhos, de quem sai para  trabalhar.
Com a entrada da mulher no mercado de trabalho, o papel da empregada doméstica tornou-se imprescindível, especialmente quando as creches e escolas infantis,  eram quase inexistentes.  Os eletrodomésticos, que facilitam o trabalho doméstico, são invenções recentes e, durante um longo período, foram as empregadas domésticas, que permitiram aos pais saírem mais tranquilos para  seu trabalho, substituindo-os em suas tarefas. Nada portanto mais justo, do que serem equiparadas aos demais trabalhadores, em seus direitos.
Apesar da PEC já estar valendo, nem todas as normas devem entrar em vigor imediatamente. Algumas precisam de regulamentação e em outras, existem divergências, que precisam ser solucionadas.
Os direitos que terão aplicação imediata são: Jornada de trabalho de 44 horas semanais, com no máximo 8 horas diárias; pagamento de hora extra em valor pelo menos 50% maior do que a hora normal; garantia de salário, pelo menos igual ao mínimo; reconhecimento dos acordos coletivos de trabalho.
Como toda a mudança, a PEC das Domésticas deve provocar algumas reações e, como consequência, algumas demissões, mas a tendência é o mercado de trabalho se adaptar com o tempo. Apesar disto, a nova Lei  constitui um avanço nas relações de trabalho, uma questão de justiça, que deve ser comemorada.

Abril de 2013                                    Marina Lima Leal

 

CANOAS NO FINAL DA DÉCADA DE 1960

Vim residir na cidade de Canoas em 1967, mas já tinha um relativo conhecimento da cidade, pois lecionava na Escola Fátima, localizada no bairro do mesmo nome, desde agosto de 1965.
Na época, Canoas possuía cerca de 150 mil habitantes. Já havia perdido muito das características de uma cidade do interior, mas estava longe de possuir peculiaridades de uma grande cidade metropolitana.
O comércio da zona central da cidade concentrava-se na Rua Tiradentes, que naquela época, não possuía o calçadão.  A loja BBC, ali localizada, era uma das mais importantes e vendia roupas, miudezas e acessórios. Havia também a Galeria São Luiz, a mais antiga da cidade, onde funcionavam diversos estabelecimentos comerciais e o laboratório Osvaldo Cruz.
Grande parte da população ia de ônibus ou de carro fazer suas compras em Porto Alegre, porque Canoas ainda não possuía grandes lojas e o trem metropolitano ainda não existia.
Não havia aqui, cursos superiores em 1967, muito menos Faculdades ou Universidades. Quem terminava o ensino médio e queria fazer um curso superior, tinha que fazê-lo em outras cidades, especialmente em Porto Alegre e São Leopoldo.
O Café Imperial, de propriedade de Amadeu Mota, ficava na esquina da Tiradentes com a Avenida Victor Barreto e era um ponto de encontro importante na cidade.
O Jornal O Timoneiro já circulava semanalmente em Canoas e tinha como diretor, um de seus fundadores, Antonio Canabarro Trois Filho, o Tonito. Era o principal veículo de comunicação das notícias da cidade.
As salas de cinema eram três: o cinema Rex, que ficava na rua Tiradentes, o São Luiz, no bairro Niterói e o Victória localizado na rua Itororó, próximo a BR 116.
Na época, era prefeito de Canoas o Sr. Hugo Simões Lagranha.
Em 1968, houve eleição para substituí-lo, porque terminava seu mandato. Foi eleito Carlos Giacomazzi, que não chegou a assumir porque, o decreto de número 314/68, do governo militar, possibilitou que nosso município passasse a ser considerado como  Área de Segurança Nacional. Nestes municípios, os prefeitos passaram a ser nomeados pelo Presidente da República. Hugo Lagranha, que tinha terminado seu mandato, foi nomeado para permanecer no governo até julho de 1971; daí por diante, até 1985, os prefeitos de Canoas foram nomeados. Neste ano, com o processo de abertura política, nosso município pode escolher seu prefeito e o povo canoense elegeu novamente a Carlos Giacomazzi que, desta vez, assumiu em 01 de janeiro de 1986.
Canoas, 18 de junho de 2012        Marina Lima Leal

 

Rio + 20

A Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável (Rio + 20) será realizada de 13 a 22 de junho, deste ano,  no Rio de Janeiro, portanto, 20 anos após a Rio-92.
O que esperar da Rio + 20?
O Programa das Nações Unidas para o meio ambiente (Pnuma) divulgou a conclusão  do relatório Panorama  Ambiental Global, o GEO-5, cujo conteúdo é preocupante, quando conclui, que apenas 4, das 90 metas ambientais definidas nos últimos 40 anos, apresentaram avanços significativos. As demais não apresentaram progressos importantes.
Segundo o Pnuma os avanços aconteceram na erradicação do uso de substâncias nocivas à camada de ozônio, na eliminação do uso de chumbo em combustíveis, na ampliação do acesso a fontes de água potável e no aumento das pesquisas sobre a poluição dos mares.
Jean Pierre Leroy, autor de “Territórios do Futuro. Educação para o meio ambiente e ação coletiva”, em artigo escrito recentemente, tem uma posição bastante cautelosa quanto aos resultados que poderão advir da Conferência. Escreve ele:
 ...”Gravíssimos problemas ambientais se avolumam e ameaçam grandes áreas e setores da humanidade de colapso num horizonte de tempo bastante curto. Não é só o clima que está em jogo, mas a biodiversidade, as águas doces, os desertos, os solos, a alimentação, a moradia, etc., combinados numa dinâmica perversa em que múltiplas crises setoriais alimentam umas a outras e geram uma única crise de proporções ainda insuspeitas. Soma-se o aprofundamento e uma nova face da desigualdade, pois nem todos estão e estarão afetados por igual, pela crise ambiental e pelo modo como o crescimento impacta territórios e comunidades. A percepção das ameaças e das tragédias em curso não foi ainda suficiente para criar um senso de urgência tão premente que provoque discussões e decisões efetivas sobre as questões de fundo.”
A ausência deste senso de urgência, nos parece ser uma importante  razão pela qual, as decisões tomadas nestes fóruns, não são levadas tão a sério como deveriam.
Entre os numerosos eventos previstos, para ocorrerem durante a Rio+20, destaca-se a “Cúpula dos povos por justiça ambiental e social. Contra a mercantilização da vida e em defesa dos bens comuns”, contrapeso radical à Conferência Oficial e à pretensão desta economia, mesmo que revestida de verde, ser a salvadora do planeta. 
É certo que a Conferência é um momento para os governantes e empresários pensarem sobre sua responsabilidade com a conservação da saúde do planeta O governo brasileiro está promovendo, logo antes da Conferência, um evento chamado “Diálogos para o Desenvolvimento Sustentável” que vai juntar pessoas dos diferentes setores da sociedade, do empresariado, da academia e de órgãos públicos. Por considerar que não há abertura ao diálogo, os organizadores da Cúpula dos povos recusaram o convite para participar.
A presidente DilmaRoussef, anunciou também, a assinatura do programa Brasil Agro Ecológico, que deve ocorrer durante a Rio + 20. Entre as metas deste programa, estão a ampliação, até 2014, de 2% para 15% de produtos orgânicos comprados pelo governo e o investimento de R$ 300 milhões para assistência técnica e extensão rural às 200 famílias ligadas à agro ecologia.
As Conferências, até aqui, como é sabido, não tem apresentado avanços significativos, porém, existe um fato novo que pode contribuir para uma nova postura: o crescimento da consciência da população, que tem se manifestado em diversos episódios, como na recente votação do novo Código Florestal pela Câmara dos Deputados. A mobilização da sociedade e o desenvolvimento da consciência ecológica, que deverá ser estimulada, especialmente  nas crianças e nos jovens, são fundamentais para que as boas intenções, acordadas na Rio + 20 sejam realmente colocadas em prática, pelos diversos países que dela participam.

Canoas, 12 de junho de 2012
 Marina Lima Leal

 
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