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Fala Leitor

Carta a Chico Buarque de Holanda

Chico, chamá-lo assim é permitido, porque é o chamado do povo brasileiro. Quando tudo está perdido, é hora de clamar aos poetas. O Brasil "democrático" quis ter voz ativa, em seu destino mandar, mas eis que chegou a roda viva... Desculpe, sabe-se que não é seu sentimento, mas seus primeiros poemas tocaram a sensibilidade de milhões de brasileiros amordaçados. Você foi o Walt Whitman de nossa geração. O poeta de todos e por todos.

O teatro da Roda Viva foi empastelado por bisões; ainda há alguns deles rondando por aí, de cara fascista e revólver engatilhado. Deploram a ferrugem a que foram submetidos seus gatilhos. O importante é que são poucos os saudosistas do regime infame. Mais preocupante é a juventude, em vários pontos do orbe, inclusive em nosso País, que valorizam Carlile (democracia é uma ditadura com urnas), Rosemberg, o jurista Carl Shimitt, Baeumier, Heidegger e outros. A destruição, pela arte dos poemas, dessas figuras infernais, é mais importante à população que controverter o impeachment de nossa Presidente.

O povo que foi às ruas propor a impeachment certamente não leu uma linha desses facínoras. Foi buscar um País melhor, cujo caminho o último governo sequer apontou. Pequenos e médios empresários, profissionais liberais, empregados, religiosos, jovens ludibriados por "universidades" despreparadas e que despreparam, perdidos no labirinto em que não se encontra a saída para um mercado de trabalho modesto. Claro que sempre os ideólogos tomam carona nesses movimentos. Tanto direitistas como esquerdistas, que nada fizeram pelo mundo, salvo usar a "res publica" como estupefaciente de suas agonias psíquicas insuperáveis.

Suas primeiras poesias, acima lembradas, nada ficaram a dever a De Quincey, Stevenson, Sheakespeare, Machado no Sul e Borges no Sur, apenas para lembrar alguns, como você, poetas, os únicos capazes de salvar o mundo, em certos momentos, como aquele que enfrentamos.

Você sabe que não há paradigmas entre políticos, administradores, intelectuais de todo o gênero, para encontrar a saída deste beco. Somente mágicos como Vladimir Maiokovsky e Chico Buarque de Holanda, na liderança do rol que logra tocar a sensibilidade majoritária e justa, para a reconstrução de um país.

Eles não podem cair num maniqueísmo manipulado pelos que se aproveitam das manifestações populares, para que fluam seus interesses pessoais. São divindades da alvorada. Seu símbolo, Chico, já marca da história do Brasil. Estás cravado em nossa memória. Por isso, se me permite uma opinião, não podes aceitar os cravos de ameaças partidárias. Não se lhe podem cobrar congruências. Você e toda sua obra que penetrou nas fímbrias da linguagem criativa pairam acima de todas essas mediocridades. A vontade de um povo feliz acontece em cada pulsação de seu sangue.

Os grandes poetas são orvalho na relva do paraíso. A maioria dos brasileiros está solitária como um espelho em casa abandonada. Os poetas se vão e suas obras são imorredouras. Elas valem por todas as Constituições, inclusive pelas dezenas de Aristóteles torradas no incêndio da Biblioteca de Alexandria. Deixe-nos outras, em seu segundo e decisivo momento na história do Brasil. Todos anseiam por novas músicas salvadoras, livres de compromissos com aqueles que, de uma falsa postura de esquerda, produziram o mais terrível estelionato na história dos povos.

Amadeu Roberto Garrido de Paula - advogado e poeta. Autor do livro Universo Invisível e membro da Academia Latino-Americana de Ciências Humanas

 

Arrogância e Solidão.

Numa pequena comunidade viviam em harmonia duas amigas; a “MaisBella” e a “MaisLinda”. Além de serem as mulheres mais bonitas, eram amigas inseparáveis e cortejadas por todos os homens. Diariamente trocavam confidências e conversavam sobre todas as cantadas que recebiam. Os homens se apaixonavam e se declaravam. Porém por mais apaixonados que estivessem seus sentimentos apenas roçavam os corações das duas belas. Por sua vez elas os olhavam com firmeza e os capturavam na fragilidade de suas paixões. Por anos esse desprezo pelos pretendentes se manteve, no entanto no final de uma tarde ensolarada tudo isso mudou.

Por entre os raios de sol que batiam na porta da sorveteria, entrou o “MaisGato”, lançou seu olhar por todas, mas não se deteve em ninguém. Puxou uma cadeira, sentou e esperou. “Maisbella e “MaisLinda” sentiram pela primeira vez desconforto. Como que o homem mais lindo que chegou na sua cidade não as olhou e as desejou? Logo esse desconforto se tornou curiosidade e por sua vez passou a interesse.

Nesse dia não trocaram confidências, nem tão pouco transpareceram emoção. E por uma semana o interesse alimentou seus pensamentos e desejos. Quando se encontraram, não esconderam que estavam afim do mesmo homem. A harmonia foi abalada pela raiva e inveja. Se viram como rivais até perceberem que “MaisGato” estava apaixonado pela “MaisLegal”. Imediatamente questionaram: “como assim? A “MaisLegal” até que não é feia, mas não é tão bonita como nós.”

Nesse momento abriu espaço para refletirem sobre seus valores e consequências para seus respectivos futuros. Mas ambas optaram pelo caminho mais fácil: manter suas personalidades banhadas na arrogância e desprezaram “MaisGato”, considerando-o como mais um. Dessa forma escolheram continuar na solidão de mil cantadas sem o amor de um coração.

Psicólogo Flávio Melo Ribeiro -CRP12/00449

 

O Legado dos Jogos Olímpicos

Muitas foram as previsões de riscos na realização das Olimpíadas em nosso País, desde a preocupação com a organização, a violência, os assaltos, a poluição da Baía de Guanabara, até a picada do mosquito causador da chikungunia e do zika vírus.

Ao final da Olimpíada, podemos afirmar que ela foi um sucesso. É claro que problemas aconteceram, mas num evento onde circulam milhares de pessoas, seria impossível não acontecerem.

Jornais de todo o mundo falam da hospitalidade e alegria dos brasileiros e de nossa capacidade de bem receber.

Começou com a cerimônia de abertura, que foi de uma beleza incomparável e, a medida que os dias foram passando, as previsões mais pessimistas foram desaparecendo – o jogo virou. Os nossos atletas foram conquistando algumas medalhas, éramos os maiores anfitriões do mundo, elogiados por Bolts e Phelps e ídolos de todos os cantos do mundo.

Todos viramos patriotas e nos orgulhamos muito de nossos feitos ao sediar, pela primeira vez, os Jogos Olímpicos. Eles foram lindos. Todos saíram convencidos de que o Brasil é um país incrível e este me parece ter sido o maior legado dos Jogos.

A Olimpíada terminou e está na hora de nós brasileiros maximizarmos os pontos positivos de nosso país, como os outros países o fazem. Temos que deixar de maximizar os negativos, como sempre temos feito. Nossa mídia divulga quase só o que é negativo. São assaltos, assassinatos, roubos, corrupção, chikungunya, zika vírus e por aí vai. O brasileiro vai assimilando todas estas coisas e se convencendo de que o Brasil não tem jeito. Somada a tudo isto, temos a atual situação política de nosso país, que nos envergonha diante das outras nações.

Esperamos que este entusiasmo pela Pátria continue após este grande feito e que tenhamos outros motivos para nos alegrar. Começa com o voto consciente, que possamos dar nas próximas eleições, pois as boas escolhas políticas, com certeza colaborarão, para termos mais coisas a comemorar além das medalhas.

Marina Lima Leal - Professora

 

Como o pequeno lojista deve investir na internet?

Em outros tempos, andar pelas ruas e entrar naquela pequena lojinha da esquina era algo habitual. Hoje em dia, esses mesmos comerciantes precisaram se adaptar para sobreviver com a internet, que oferece promoções relâmpagos, em tempo real, entrega em casa, etc. Ainda assim, o pequeno lojista não aprendeu, de fato, a conviver com a internet e tirar dela os benefícios para si. Isso é preocupante, ainda mais em se tratando de um período econômico extremamente conturbado, onde muitas lojas estão sucumbindo à falência.

Para o pequeno lojista sobreviver aos tempos modernos e deve começar não pelo computador, mas sim se livrando de antigos hábitos. Se você é daqueles que aprendeu a esconder seus preços do concorrente e até mesmo dos seus clientes, esqueça! Hoje isso é uma grande ingenuidade, pois a base da internet é o acesso à informação a qualquer pessoa. Portanto, se você não quer ser “extinto”, trate de mudar seus hábitos - tirar proveito de saber informações simples não lhe renderá mais nada. Tudo agora se resume a entender seu cliente e lhe entregar o desejado. Isso é a base para começar a usar as ferramentas e dados da internet.

Antes de proibir seus funcionários de utilizarem o youtube, por exemplo, tente estimulá-los a verem vídeos de treinamento de vendas, coaching, entre muitos outros que estão disponíveis gratuitamente e que podem enriquecer o seu conhecimento. Mas lembre-se, se não houver liderança e sua participação, eles com certeza irão fazer mau uso. Por incrível que pareça, muitas vezes as atitudes dos funcionários dependem mais do líder do que do liderado, até mesmo porque quem tem o poder de substituí-los em último caso é o líder.

Pesquise sobre o comportamento dos consumidores, identifique quando eles desejam preço ou conveniência, determine o seu grupo de clientes (segmento), crianças, adultos, jovens, casados, solteiros, tecnológicos, colecionadores, etc. Identifique seu raio de operação, município, cidade, estado, pais, mundo. Responda qual o seu diferencial: preço baixo, boa localização, atendimento?

A partir disso, estude as ferramentas disponíveis na internet para divulgação da sua loja, muitas delas, se bem utilizadas, podem gerar grandes resultados com baixo custo, a exemplo de sites como buscadores de preço – que permitem o seu cadastro gratuitamente e é a forma mais eficiente de concorrer com as grandes redes -, Google ADWords, YouTube e tantas outras.

Leonídio de Oliveira Filho - empresário e criador do site Dica de Preço

 

Ponto chave para ações criminosas, estacionamento de condomínios necessitam de atenção

A atenção que é dada a portaria de condomínios é essencial, mas muitas vezes os próprios moradores acabam “esquecendo” da entrada de veículos. Atualmente, muitas ações de criminosos se iniciam por alguma falha de segurança na portaria do estacionamento – alguns condomínios nem mesmo possuem um porteiro de plantão, o que facilita ainda mais a entrada de bandidos. Qualquer coisa como uma placa de veículo ou o controle da garagem, que forem clonados, podem gerar problemas.

Essa fragilidade dos portões da garagem devem ser evitadas com medidas simples, a começar pelo próprio controle remoto do portão que deve ser anticlonagem e com sistema de acionamento de pânico que possa notificar o porteiro caso ocorra algum incidente. O sistema de controle é importante porque quando o portão for acionado ajuda a identificar se é realmente o morador ou não, mas mesmo assim é fundamental conferir os dados do veículo e realizar uma identificação visual minuciosa para verificar se é mesmo o condômino em questão. O que pode facilitar muito também são as regras internas de identificação das pessoas realizada na maioria das vezes pelos próprios condôminos.

É de extrema importância que os porteiros, ao abrir os portões de entrada, não identifiquem somente através de placas ou reconhecimento dos carros; é necessário também verificar de fato quem está dentro do veículo. Além disso, são as próprias atitudes preventivas dos condôminos que podem auxiliar, e muito, o trabalho do porteiro para liberar o portão de entrada.

Visto isso, investir em profissionais de portaria qualificados e treinados é vantajoso, pois evita riscos à segurança e qualquer prejuízo aos condôminos. Não se deve contratar qualquer pessoa para esta função e é aconselhável a contratação realizada através de uma empresa terceirizada que ofereça apenas profissionais preparados e capacitados, pois o colaborador para a função certamente precisa ser uma pessoa de confiança. Além de estar sempre em alerta, o porteiro precisa saber ler, ter facilidade de memorização e concentração. Estas qualificações são fundamentais ao recrutar e selecionar pessoas, porque o ideal é escolher sempre perfis de profissionais capazes e adequados para cada trabalho. Investimento e pessoal qualificado, então, estão fortemente relacionados a um bom resultado quanto à segurança.

É por isso que de nada adianta ter pressa para liberar a entrada de automóveis no condomínio se isto pode proporcionar brechas de vulnerabilidade e resultar na invasão de ‘espertalhões’ no domicílio.

Amilton Saraiva -  especialista em condomínios da GS Terceirização

 

Nossa história depois das Olimpíadas

O Brasil tem de extrair não só honrarias, mas ganhos reais, das Olimpíadas. A Vila Olímpica não deve ser, simplesmente, desmoronada, depois do encerramento dos jogos. Um país e uma cidade carente têm de valer-se desses episódios históricos para obter melhoramentos em favor de seu povo. Não é, tal proposição, avessa ao denominado "espírito olímpico".

 

Entretanto, muitos poderão pensar e propor em sentido contrário. Afinal, grande parte dos custos das Olimpíadas foi suportado pela iniciativa privada, que, no Brasil, não imagina filantropias e, sim, compensações, sempre. É hora de mudar esse sentido de patrimonialismo privado que deixa ao Estado deveres que deveriam ser compartilhados. Depois criticam o Estado pesado e os impostos cobrados, o que é procedente, mas não podemos criticar algo quando não somos exemplares.

 

A Vila Olímpica, mantida com seus principais equipamentos, será de alta importância para nossos jovens, a redução da violência e complemento de nossa educação formal. Além disso, espaços poderão ser ocupados para a educação estrita e necessária, sem a qual dizimam-se nossas esperanças de um grande país futuro.

 

Evidentemente, essas medidas deverão ser resultado de negociações e não de imposições ou expropriações injurídicas, que poderão ser questionadas, como sempre, em nosso Judiciário. O espaço ficará e a iniciativa privada deverá continuar emprestando suas forças e seu apoio para termos no Rio de Janeiro e no Brasil grandes e preparados espaços educacionais, em conjunto com o esteio dos recursos humanos.  Os meninos e os pais dos meninos dos morros agradecerão imensamente; os brasileiros conscientes de que a solidariedade, e não o egocentrismo, que caracteriza boa parte de nossa elite econômica, idem.

 

É hora de o 1% de nossa sociedade, composto dos privilegiados, mudem sua mentalidade. Não se propõe socialismo ou esquerdismo estereotipado, mas sentido de solidariedade que ultrapassa os estreitos limites de uma sociedade de classes com inclinação para perpetuar-se como uma sociedade de castas. Não se trata de romper o capitalismo, mas de administrá-lo com inteligência, pois somente os regimes do bem-estar social sobreviverão no mundo.  Os demais serão implacavelmente corroídos pelo tráfego de drogas, pelo crime organizado, pelos ataques selvagens, inclusive ao patrimônio público e, mais ainda, pela perda do norte na bússola de nossa juventude. E pela periclitação de nossa vida e saúde em nossas portas, em nossas ruas, praças e sinaleiros, em ordem tal que nossa existência se tornou insuportável, hoje, no Brasil. Pobres daqueles que nutrem a mentalidade de, simplesmente, deixar de lado suas raízes e emigrar.

 

Deveríamos inserir em nossos currículos escolares, como matéria obrigatória, desde os primórdios até o fim dos cursos universitários, uma disciplina denominada "Justiça". Algo muito mais profundo que cidadania e análise de problemas brasileiros, que fazem parte do drama da justiça. E que não deve se confundir com a instituição judiciária, mas com o aprendizado do sentimento e da percepção filosófica da justiça, que nos enreda a todos, que nos põe em sociedade numa síntese superior à simples soma das partes, que esteja a todo momento inserida no cérebro dos homens, tanto para exigir como para abdicar, sob o signo superior do equilíbrio de um grupo humano sobrevivente em um dado planeta.

 

Já se conta com o desapontamento, a desmontagem desse momento mágico, a tristeza que sucederá ao grande momento olímpico brasileiro. Discordamos profundamente. Além do aproveitamento material do que nos legaram os jogos, é necessária a expansão da educação criativa em todo o território nacional. E, para tanto, a imprescindível colaboração entre a iniciativa privada e o Estado, cujo tamanho está insuportável e deve ficar circunscrito ao que realmente interessa a nosso povo, livre da corrupção, que começa com propinas e termina com o costume crônico de inchá-lo cada vez mais para gastar em quinquilharias nada importantes para nosso crescimento social e humano.

 

Um dos principais expedientes de nossos regimes ditatorias consistiu em tornar cada vez mais intelectualmente esquálida nossa gente. As disciplinas críticas, incluindo-se a história da filosofia universal, foi simplesmente erradicada de nossos currículos médios pela última ditadura castrense, que abriu os primeiros buracos por onde começamos a descer até hoje, sem que a democracia, que se seguiu ao regime militar,  tomasse consciência, desde logo, dos rompimentos que precisávamos fazer,  em relação a  um projeto de poder perverso de dominação de um grande povo, reduzido a um rebanho que amanhece todos os dias no mesmo diapasão, o de sobreviver para morrer, talvez com alguns mirrados reais de aposentadoria.

 

A educação formal, a educação crítica e a educação esportiva deveriam emergir, de pronto, desse grande momento histórico em que passamos ao mundo muito de nossos problemas, mas, também, muitas virtudes desse povo eclético, originário de todas as partes do orbe, capaz de transformar-se e de manter a alegria que tomou conta de seus corações nos jogos olímpicos como nossa rotina diária, qualificada e construtiva no processo evolutivo da humanidade.

Amadeu Roberto Garrido de Paula - advogado subscritor da respectiva petição inicial e poeta. Autor do livro Universo Invisível, membro da Academia Latino-Americana de Ciências Humanas.

 
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