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Fala Serio

Ministro Virtual

Pode um governo, como o do Brasil, ter um ministro virtual?

Pode e tem. Talvez até mais de um, já se escreveu que o cidadão guindado a Ministro de Estado deve ter qualidades, biografia, estofo, passado, presente e futuro.

Nas regras do cerimonial público, o Ministro de Estado tem estatura.

Infelizmente, toda regra tem exceção e no nosso caso a exceção tornou-se regra.

Alguns são ministros de confissão religiosa. Outros são ministros de baixo clero e abaixo da crítica, tal o despreparo. Não há curso nem concurso para ministro, e ultimamente não passam pelo crivo da ABIN para avaliar o currículo ou a folha corrida!

Só este escapamento justifica o imenso leque de ministros incompetentes.

Há um, porém, que é respeitável, tem trajetória política e experiência profissional, mas é virtual, desde o momento em que foi empossado.

Não é ministro, está ministro.

Ministro do Desenvolvimento Social e Agrário. Além de desconhecer o âmbito de seu Ministério, mistura os programas de combate à fome, à miséria, à assistência social aos idosos, às pessoas com necessidades especiais e às vítimas de doenças severas. O Ministério se volta ainda para invasores das terras dos outros que são produtivas, combate às pesquisas científicas e contrárias às inovações na agricultura.

O Ministério serve ainda para conceder o Beneficio de Prestação Continuada, o BPC, que assegura renda mínima aos brasileiros pobres.

O ministro não foi consultado, mas seu Ministério absorveu virtual e indevidamente o INSS, que o governo gostaria de ter extinto, como extinguiu o Ministério da Previdência Social para que a Fazenda ficasse com toda a Previdência Social para utilização de seus R$ 2,5 trilhões em política fiscal - sem questionamentos da massa ignara e da elite dotada de inteligência artificial.

O Ministério da Previdência e o INSS viraram virtuais, pendurados nas nuvens.

O INSS é simplesmente a segunda maior receita da República, só perde para o Imposto de Renda, mas continua sendo uma autarquia atípica, a única do planeta que não tem acesso à sua receita, só a sua despesa. Conta ainda com 60 milhões de segurados contribuintes, 34 milhões de beneficiários, aposentados, pensionistas e recebedores do BPC, se relaciona com 4 milhões de empresas e 6 milhões de micro empreendedores individuais, tem 35 mil servidores e 1.600 unidades de atendimento.

Mais ainda: O INSS sustenta mais de 90% dos municípios brasileiros, injetando na economia mais recursos do que o Fundo de Participação dos Municípios. Certamente não há um só município que não tenha um contribuinte ou um beneficiário da Previdência, para desgosto do presidente da República e do ministro da Fazenda, que acabaram com o Ministério da Previdência Social.

No auge do desenvolvimento do país, a Previdência ajudou a formar a nova classe média emergente, que hoje sucumbiu.

Mas o nosso ministro vírgula do Desenvolvimento Social e Agrário não ousou nem se dignou, nos últimos seis meses a receber os dirigentes do INSS, os dirigentes das entidades previdenciárias ligadas ao INSS, os servidores do INSS e de seus sindicatos e entidades de representação, o corpo gerencial do INSS, inclusive presidente e diretores e membros do Conselho de Recursos.

Não emitiu um só ato de gestão administrativa. Só autorizou viagens e diárias. Não se interessou nem perguntou sobre a perfídia praticada pelo governo, a que serve, contra o INSS. Não quis saber porquê não anda o Programa de Expansão das 720 novas agências do INSS - das quais só a metade foi instalada nos municípios com mais de 20 mil habitantes -, nem sobre a nomeação de mil servidores concursados. Nada, rigorosamente nada, lhe diz respeito. Embarcou de gaiato no combate às fraudes na perícia médica, mas como deputado não moveu um pauzinho para salvar a Medida Provisória que perdeu a validade.

Desbotou, perdeu a cor.

Com isso, tornou-se ainda mais virtual, pois não sabe onde está pisando, parece navegar em drives nas nuvens (clouds), buscando o infinito.

Lá atrás, escrevi que ele não é ministro, está ministro; podemos acrescentar que finge ser ministro.

Ao longo dos 24 anos de Anasps, hoje a única entidade dos servidores da Previdência Social, já convivi com vários ministros que se interessavam muito, pouco ou quase nada pela Previdência e pelo INSS, mas virtual é o primeiro...

Vou falar com o Tadeu, do Fantástico, para que o “Detetive Virtual possa encontrá-lo”.

Paulo César Regis de Souza - vice-presidente Executivo da Associação Nacional dos Servidores da Previdência e da Seguridade Social - Anasps.

 

Black Friday: oceano propício para cibercriminosos

Datas comemorativas como o Dia dos Namorados, o Dia das Mães e o Dia das Crianças são períodos de grandes vendas para o Varejo, sobretudo na Internet. São também momentos em que os ataques cibernéticos, principalmente utilizando técnicas de envio de e-mail, são mais frequentes. Os alvos, claro, são os consumidores ávidos por ofertas. O alto volume de propaganda em forma de SPAM acaba facilitando a aplicação de golpes e, consequentemente, o faturamento ilícito dos cibercriminosos.
A Black Friday, campanha de vendas que se iniciou nos EUA e hoje se espalhou pelo mundo todo, é a nova “bola da vez” dos fraudadores. Neste ano, a data deve movimentar R$ 2 bilhões, de acordo com o Busca Descontos, idealizador do evento no Brasil. Diversos e-commerces adotam o envio de propagandas por e-mail em suas estratégias de marketing, ação aproveitada pelos cibercriminosos que utilizam diferentes tipos de ataque para roubar informações e dados de cartões de crédito de vítimas e, assim, ganhar dinheiro ilicitamente. É comum que o fraudador clone cartões, crie boletos falsos ou adquira produtos com o uso de credenciais (login e senha) alheias.
O método mais comum de golpe é o Phishing. A palavra deriva de "fishing", uma analogia criada pelos fraudadores em que "iscas" (e-mails) são usadas para "pescar" senhas e dados financeiros na Internet. A tática também se refere aos casos em que a vítima recebe mensagens que procuram induzi-la à instalação de códigos maliciosos e avisos em que, no próprio conteúdo, são apresentados formulários a serem preenchidos. O ataque é caracterizado por conter no corpo de e-mail um texto ou imagem semelhante à comunicação das lojas de e-commerce com um link que direciona para um falso site. Quando a vítima clica, é reencaminhada para um ambiente fictício ou pede-se a instalação de algum programa que acaba infectando a máquina e permitindo a invasão de contas de e-mail e dados pessoais.
Os fraudadores têm aplicado esse golpe tão perfeitamente que, a cada ano, suas técnicas se tornam mais eficazes e praticamente imperceptíveis, visto que a maioria acaba personalizando páginas dos grandes varejistas, deixando-as quase tão reais quanto as verdadeiras. Junto às customizações, os cibercriminosos podem camuflar malware, trojans, keyloogers, botnets e vírus até em arquivos anexos. Há casos em que eles comercializam telas falsas, assessoria para Phishing, spam de vários segmentos de empresas e até a construção de sites inteiros para terceiros aplicarem o golpe. Essas ofertas geralmente custam em torno de R$ 150 a R$ 800, dependendo da solicitação e complexidade da ação.
Em se tratando de ambiente corporativo, quando uma empresa sofre um ataque, o impacto não é somente financeiro. A fraude pode denegrir sua imagem e trazer sérios danos à reputação de toda a organização, gerando grande impacto negativo aos negócios. Por isso, é extremamente importante que tanto o consumidor final como a companhia fiquem alertas principalmente em períodos comemorativos para que não sejam alvos desse ataque.
A sugestão principal para o consumidor é desconfiar de todos os e-mails com ofertas que receber. Ficar atento a eventuais erros de ortografia no conteúdo, bem como na data e horário do envio. Outra dica importante é: passe o mouse em cima do link e analise o endereço dele. Se o caminho for estranho e se não tiver nenhuma referência ao e-commerce, exclua ou encaminhe para um especialista.
Para as empresas, a recomendação é investir em Segurança da Informação, com monitoramento constante. O cenário ideal é aliar medidas de segurança cibernética em toda a cadeia, dos processos de compra às campanhas de conscientização para educar a população. É, sim, possível se proteger dessas ameaças antes que elas se materializem, mitigando possíveis prejuízos.

Datas comemorativas como o Dia dos Namorados, o Dia das Mães e o Dia das Crianças são períodos de grandes vendas para o Varejo, sobretudo na Internet. São também momentos em que os ataques cibernéticos, principalmente utilizando técnicas de envio de e-mail, são mais frequentes. Os alvos, claro, são os consumidores ávidos por ofertas. O alto volume de propaganda em forma de SPAM acaba facilitando a aplicação de golpes e, consequentemente, o faturamento ilícito dos cibercriminosos.

A Black Friday, campanha de vendas que se iniciou nos EUA e hoje se espalhou pelo mundo todo, é a nova “bola da vez” dos fraudadores. Neste ano, a data deve movimentar R$ 2 bilhões, de acordo com o Busca Descontos, idealizador do evento no Brasil. Diversos e-commerces adotam o envio de propagandas por e-mail em suas estratégias de marketing, ação aproveitada pelos cibercriminosos que utilizam diferentes tipos de ataque para roubar informações e dados de cartões de crédito de vítimas e, assim, ganhar dinheiro ilicitamente. É comum que o fraudador clone cartões, crie boletos falsos ou adquira produtos com o uso de credenciais (login e senha) alheias.

O método mais comum de golpe é o Phishing. A palavra deriva de "fishing", uma analogia criada pelos fraudadores em que "iscas" (e-mails) são usadas para "pescar" senhas e dados financeiros na Internet. A tática também se refere aos casos em que a vítima recebe mensagens que procuram induzi-la à instalação de códigos maliciosos e avisos em que, no próprio conteúdo, são apresentados formulários a serem preenchidos. O ataque é caracterizado por conter no corpo de e-mail um texto ou imagem semelhante à comunicação das lojas de e-commerce com um link que direciona para um falso site. Quando a vítima clica, é reencaminhada para um ambiente fictício ou pede-se a instalação de algum programa que acaba infectando a máquina e permitindo a invasão de contas de e-mail e dados pessoais.

Os fraudadores têm aplicado esse golpe tão perfeitamente que, a cada ano, suas técnicas se tornam mais eficazes e praticamente imperceptíveis, visto que a maioria acaba personalizando páginas dos grandes varejistas, deixando-as quase tão reais quanto as verdadeiras. Junto às customizações, os cibercriminosos podem camuflar malware, trojans, keyloogers, botnets e vírus até em arquivos anexos. Há casos em que eles comercializam telas falsas, assessoria para Phishing, spam de vários segmentos de empresas e até a construção de sites inteiros para terceiros aplicarem o golpe. Essas ofertas geralmente custam em torno de R$ 150 a R$ 800, dependendo da solicitação e complexidade da ação.

Em se tratando de ambiente corporativo, quando uma empresa sofre um ataque, o impacto não é somente financeiro. A fraude pode denegrir sua imagem e trazer sérios danos à reputação de toda a organização, gerando grande impacto negativo aos negócios. Por isso, é extremamente importante que tanto o consumidor final como a companhia fiquem alertas principalmente em períodos comemorativos para que não sejam alvos desse ataque.

A sugestão principal para o consumidor é desconfiar de todos os e-mails com ofertas que receber. Ficar atento a eventuais erros de ortografia no conteúdo, bem como na data e horário do envio. Outra dica importante é: passe o mouse em cima do link e analise o endereço dele. Se o caminho for estranho e se não tiver nenhuma referência ao e-commerce, exclua ou encaminhe para um especialista.

Para as empresas, a recomendação é investir em Segurança da Informação, com monitoramento constante. O cenário ideal é aliar medidas de segurança cibernética em toda a cadeia, dos processos de compra às campanhas de conscientização para educar a população. É, sim, possível se proteger dessas ameaças antes que elas se materializem, mitigando possíveis prejuízos.

Thiago Bordini - Diretor de Inteligência Cibernética do Grupo New Space


 

A indústria no Brasil em 2016

A indústria tem enfrentado enormes adversidades desde 2014. Na verdade, há mais de duas décadas, a valorização cambial retira capacidade competitiva da indústria nacional, o que dificulta a concorrência de nossas empresas com similares estrangeiras no mercado interno e externo. Os resultados são visíveis, com fechamento de empresas ou venda para capital internacional, extinção de milhares de postos de trabalho, perda da capacidade de inovação, de difusão tecnológica e de espraiamento da produtividade para toda a economia.

Talvez o país esteja chegando ao fundo do poço, para o qual despenca a indústria brasileira desde 2014, junto com toda a economia, em uma das mais graves recessões da nossa história. Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho, no acumulado dos últimos 12 meses, o país terminou junho com 1.765.024 postos de trabalho formais a menos. A atividade industrial despencou -3,0%, em 2014, e -8,2%, em 2015, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Contudo, se o fundo do poço tiver sido atingido, talvez os dados sobre o nível da atividade industrial no primeiro semestre deste ano, divulgados recentemente pelo IBGE, estejam a mostrar sinais bem singelos de recuperação, com a indicação de mudanças no comportamento da atividade da indústria. Os subsetores de bens intermediários e de bens de consumo semi e não-duráveis, que reúnem boa parte da produção brasileira, pararam de cair nos últimos meses. Há acenos de melhora, como no caso de bens de capital, para a qual se observam taxas mensais positivas. Os indicadores de variações mensais positivas em cinco meses do semestre apontam mudança da perversa trajetória do setor, com crescimento de 1,3%, na comparação com dezembro de 2015.

Se chegamos ao fundo do poço e conseguimos respirar, é hora de analisar a complexidade da situação, entender o que é e como é o fundo do poço (conjuntura), de que maneira se pode dele sair para a superfície (estratégia de desenvolvimento industrial de médio prazo) visando reocupar o papel decisivo da indústria no desenvolvimento econômico em todo o território (estratégia de desenvolvimento sistêmico de longo prazo).

A aposta deve ser a de que o Brasil tem plenas condições para superar mais essa crise e pode fazê-lo a partir da estruturação de um grande projeto de desenvolvimento. Para isso, é preciso ter claro o que orientará a estratégia de mobilização das forças produtivas. Vale lembrar que, no Compromisso pelo Desenvolvimento, acordo firmado a partir do diálogo social entre trabalhadores e empresários, o sentido é: retomar o crescimento, sustentando-o no longo prazo, com base no desenvolvimento produtivo, com agregação de valor e incremento da produtividade, fortalecimento do mercado interno e participação no mercado externo, geração de empregos e crescimento dos salários. A produção econômica deve se transformar em desenvolvimento social, pela capacidade política de distribuir os resultados em termos de bem-estar social, qualidade de vida e equilíbrio ambiental.

A indústria tem papel decisivo no desenvolvimento produtivo pela capacidade de difusão tecnológica e agregação de valor para todas as cadeias produtivas - produção agropecuária, setor de serviços e comércio.

No momento, a atenção deve ser para a taxa de câmbio, fator decisivo para a recuperação e sustentação da atividade industrial e de desenvolvimento. Sustentar uma posição cambial que permita às empresas competitivas participarem do mercado interno e externo é decisivo. Muitíssima atenção, mais uma vez, para a valorização cambial em curso, que poderá continuar a cavar um novo fundo do poço ao qual nossa indústria pode ser lançada. É preciso, energicamente, impedir que isso ocorra. Motivo suficiente para recuperar Compromissos.

Clemente Ganz Lúcio -  Sociólogo, diretor técnico do DIEESE, membro do CDES – Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social e do Grupo Reindustrialização

 

Eleições dos EUA: Desafios ao liberalismo clássico e à pátria da liberdade

Pela primeira vez na história recente dos EUA os eleitores que acreditam nos princípios do livre mercado não se veem representados em nenhum dos dois principais candidatos finalistas dos processos de primárias partidários.
De um lado a representante do partido Democrata, Hillary Clinton, que traz para seu discurso medidas intervencionistas de política pública (que fazem parte da ideologia dos Democratas) e, ao menos publicamente, não apoia o acordo de livre comércio da área do pacífico (Transpacífico) que seu colega de partido e presidente, Barack Obama, tentou viabilizar antes do fim de seu mandato.
De outro lado o representante do partido Republicano, Donald Trump, que pouco se afilia às teses encabeçadas pelo partido – ele possui a sua própria visão, que contradiz o histórico do partido (da ideologia do livre mercado e dos valores individuais conservadores).
É preciso dizer que os chamados “liberais clássicos”, isto é, aqueles que valorizam o livre mercado e a menor intervenção do governo, não conseguem se ver representados.
Obviamente a candidata Hillary Clinton não representa, nem de longe, os ideais liberais clássicos, e pesa sobre sua escolha as pouco transparentes doações à Fundação Bill Clinton e mesmo seus apoiadores e financiadores de campanha (grandes grupos empresariais, especialmente financeiros, com forte atuação em Nova Iorque, encabeçados pelo “megaempresário” Warren Buffet) – o que a coloca em xeque no que se refere a eventual captura dos “interesses públicos” por grandes interesses privados em seu eventual governo.
O grande problema, todavia, está no partido Republicano. Trump, ao menos em sua retórica, destrói as ideias de livre comércio e livre mobilidade de fatores (capital e, especialmente, trabalho) como mote principal de sua campanha.
Ele se vale de um fenômeno econômico e demográfico muito significativo nos EUA, que a Grande Recessão de 2008-2009 (até hoje não totalmente superada) agravou. O desemprego ou o emprego com baixa remuneração (em termos históricos) que têm atingido parte expressiva da antiga classe média, que caracterizava o “americano médio”: sexo masculino, branco, operário ou trabalhador braçal (com qualificação baixa ou então especialização insuficiente ou inadequada ao novo contexto de “tecnologia da informação”).
Trump explora o medo de um futuro ainda mais difícil que o presente e culpa o imigrante (especialmente o latino), cujo trabalho é mais barato, pelas dificuldades econômicas sofridas por aquele contingente significativo da população dos EUA, além, é claro, da “competição desleal” dos produtos da China. Assim sendo, ideias como um “muro separando o México dos EUA” ou a “taxação de produtos chineses” ou a ruptura dos acordos comerciais (como o Nafta – Área de Livre Comércio entre México, EUA e Canadá) ou a inviabilização de outros (como o Transpacífico) são ditas em cada momento da campanha sem qualquer constrangimento, muito pelo contrário.
Somente com uma boa dose de cinismo e/ou de oportunismo é possível um Republicano “histórico” apoiar Donald Trump. Para estudiosos e pensadores liberais atuais, o candidato Republicano é uma afronta à toda tradição iniciada em Adam Smith e perpetuada por economistas como Ludwig Von Mises, Friederich Hayek e Milton Friedman (dentre outros).
Além desses aspectos econômicos, cabe destacar que mesmo pela ótica comportamental, Trump não se alinha com muito dos valores Republicanos, uma vez que seus modos e posturas públicas pouco estão alinhados com os princípios relativos à família ou ao cristianismo. Por isso, muitos eleitores de cunho “liberal clássico” não votarão – o que implica uma eleição com elevada abstinência.
Enfim, o presente e o futuro para os “liberais clássicos”, sejam conservadores ou libertários do ponto de vista comportamental, não estão fáceis e tampouco claros, da mesma forma que não estarão para o Partido Republicano ao final deste pleito. O mundo aguarda ansioso os desdobramentos.
Vladimir Fernandes Maciel - coordenador do Mestrado Profissional em Economia e Mercados e pesquisador do Centro Mackenzie de Liberdade Econômica

 

Os 3 nascimentos e nossos aprendizados ao longo da vida

Como seres humanos, temos uma busca essencial e intrínseca de completude e felicidade, que nos impulsiona e movimenta na vida para o reencontro do nosso tesouro interior.

Nesta busca, o grande desafio é nos tornarmos plenamente humanos, fazendo escolhas e capazes de nos tornar totalmente responsáveis por nossa vida.

Segundo Virginia Satir, uma grande pensadora e terapeuta, que influenciou muitas das correntes de autodesenvolvimento da atualidade, o ser humano tem a possibilidade de ter três nascimentos ao longo da mesma vida.

O primeiro é o momento da concepção, no qual a força da vida, na sua exuberância, manifesta-se e nos tornamos um potencial a se desenvolver. Estamos em processo do vir à luz e deixar brilhar aquilo que, em essência, somos. É o ciclo da semente, que tem o registro da árvore como um todo, mas ainda não saiu de dentro da terra.

O segundo nascimento é quando nascemos do ventre de nossa mãe e temos a primeira experiência do lado de fora do útero. Iniciamos uma trajetória na Terra para encontrar e reencontrar pessoas, aprender, crescer e evoluir.

Temos uma parte que, ao longo dos nossos aprendizados, se mantém integra e imaculada, que nos lembra em diversos momentos que somos um milagre da força vital e que existem recursos para expressar esta natureza. É a nossa voz interior, o nosso Self.

Na jornada de aprendizado que realizamos a partir desta entrada no mundo relacional, muitas coisas acontecem que nos aproximam ou distanciam desta essência.

O grande desafio da evolução nesta dimensão é nos aproximarmos desta essência e nos tornarmos mais plenamente humanos, fazendo escolhas e respondendo às circunstâncias e aos eventos, ao invés de reagirmos a estes. Sendo responsáveis pela vida que recebemos.

O filósofo francês Jean-Paul Sartre escreveu: “Não importa o que fizeram a você, importa o que você faz do que fizeram a você”.

Não podemos alterar o passado, mas conseguimos mudar os efeitos do mesmo sobre nós. Fazer o presente de acordo com as nossas escolhas e desenhar o futuro desejado.

Ao escolhermos ser responsáveis pelas próprias escolhas, temos o marco do terceiro nascimento.

Aprendemos com nossos pais, os primeiros seres humanos que servem de modelo para nossa caminhada na Terra. Muitas coisas que descobrimos com eles são frutos de suas experiências e padrões familiares, que podem ser inclusive disfuncionais.

Portanto, podem ser ressignificados, gerando novos aprendizados que facilitem a expressão real das nossas potencialidades e do brilho interior. Isto é tornar-se plenamente humano, é ser uma pessoa na íntegra. Quando fazemos isso, contribuímos também na espiral de crescimento sistêmico familiar.

É poder viver a experiência de harmonia com corpo, mente, sentimentos, alma e espírito, refletida nas ações de interação consigo e com o outro. A essa experiência damos o nome de congruência, individuação, evolução, etc. Não importa o nome dado, o significado maior é que temos escolhas de buscar a expressão plena de nosso espírito, do nosso Self, ou seja, daquela dimensão dentro de nós que é a manifestação da Força vital.

Neste modelo, afirmamos que os pais são os instrumentos ativadores da vida neste plano, porque a vida em essência já existe. Ela pertence à dimensão da Força Universal e, como tal, se manifesta em múltiplas e variadas formas.

Com os pais, vivemos a experiência de aprendizado nas dimensões do pensar, sentir e fazer, mas temos a capacidade de aprendermos coisas novas e nos transformamos em quem queremos ser, e não apenas em quem devemos ser. Aceitá-los como pessoas que também estão em evolução é um passo na direção da inteireza do ser.

A formatação do que devemos pensar, sentir e fazer é útil para que possamos ter a sensação de pertencimento ao clã, mas também gera a manutenção de padrões familiares, muitas vezes disfuncionais, fidelidades que muitas vezes nos impede de manifestar aquilo que realmente somos.

O processo de discriminação entre o que aprendemos e o que somos possibilita compreendermos e aceitarmos a história, os eventos e os atores envolvidos, de uma forma onde assumimos o protagonismo da nossa vida. É uma jornada de descoberta em direção à estrela que somos em essência.

Eunice Brito é Psicóloga, Consultora, Coach, fundadora da Semilla Treinamento Empresarial e uma das organizadoras da Formação no Modelo de Validação Humana Virginia Satir (www.virginiasatir.com.br) no Brasil

 

A morte de muitos direitos trabalhistas

Ao conceder liminar em ADPF movida pela Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino e suspender a aplicação da Súmula 277 do TST, o Ministro Gilmar Mendes, acima de tudo, abalou profundamente a paz social. Em suma, decidiu-se que, quando não renovada uma convenção coletiva, todas as suas cláusulas sociais, e são inúmeras, perdem eficácia. Os trabalhadores, por exemplo, ficam sem vale-refeição, vale-transporte, eventuais aumentos salariais, adicionais de horas extras, creches e muito mais. As convenções, em geral, contemplam cinquenta cláusulas. Segundo a decisão, nesse período, que pode ser indeterminado, aplicam-se às relações trabalhistas somente as leis contidas na Consolidação das Leis do Trabalho. Isso deverá provocar um grande terremoto nas relações entre trabalhadores, seus sindicatos e os empregadores. Há muitos anos que as cláusulas convencionais integram os contratos de trabalho. Como disse Ulysses Guimarães, se não querem que o povo sinta o sabor da carne, não lhe dê o primeiro bife. Se não nos equivocamos, o Supremo, por seu Plenário, pelo menos em intervenções obiter dictum, já disse que temos uma cláusula de proibição de retrocesso dos direitos trabalhistas, adotadas por muitos países, implícitas em nossa Carta Magna. Veremos como ficará a liminar depois da irrupção de vulcões de greves por todo o país.

Amadeu Roberto Garrido de Paula, advogado e membro da Academia Latino-Americana de Ciências Humanas

 
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