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Perda auditiva deve ser tratada para não inibir convívio

Perda auditiva deve ser tratada para não inibir convívio
É comum associarmos ao envelhecimento a inatividade, problemas de saúde e perda da independência. De fato, à medida que envelhecemos, estamos mais susceptíveis a doenças crônicas comuns da idade - como pressão alta e diabetes -, à perda de mobilidade e de memória. Mas muitas das limitações inerentes ao processo de envelhecimento podem ser amenizadas, como é o caso da perda de audição.
Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), o problema acomete um terço da população acima dos 65 anos e metade dos idosos com mais de 75 anos. No Brasil, de acordo com o IBGE, a população com mais de 60 anos ronda os 25 milhões, o que sugere um potencial enorme para incidência do problema.
Alguns sintomas como zumbidos e sensação de ouvido entupido podem indicar o início de uma perda auditiva. No convívio social, também é possível notar a limitação quando o idoso começa a falar muito alto ou muito baixo, porque não escuta a própria voz, a repetir perguntas por não entender as respostas e a ter dificuldade de se comunicar por telefone.
Quando há perda de audição, também é comum o idoso passar por situações constrangedoras, o que pode inibi-lo, a ponto de ele preferir evitar o convívio social. Ele diminui a frequência da ida à padaria, ao açougue ou ao supermercado, porque para ele o atendente fala muito baixo; fica mais introspectivo quando reunido em eventos sociais, porque as pessoas perdem a paciência com ele.
Ainda em 2014, nos Estados Unidos, um estudo do Instittuto Nacional de Surdez e Outras Desordens da Comunicação (U.S. National Institute on Deafness and Other Communication Disorders, no original) constatou que conforme a audição ia diminuindo aumentava o percentual de adultos com depressão, de 5 % para 11 % se considerados aqueles que tinham perda auditiva. Outra correlação preocupante foi identificada pela Universidade Johns Hopkins, que avaliou 2.017 pessoas de 40 a 69 anos e concluiu que a perda auditiva aumenta o risco de acidentes, como tropeços e quedas. Segundo a universidade americana, pessoas com perda de 25 dB (considerada leve) tinham triplicadas as chances de quedas.
Os idosos podem ter a audição prejudicada por fatores diversos, como a degeneração das células do ouvido ou por confusão mental, caso em que o idoso escuta, mas não entende. Um simples exame de audiometria pode indicar a perda de audição e, a partir dele, ser definido o tratamento. A partir dos 60 anos, esse é um exame de deve ser incluído no check-up anual.
A reabilitação, na maioria das vezes, comtempla o uso do aparelho auditivo. Atualmente, esses aparelhos são bastante confortáveis, mais acessíveis do que no passado, em termos de preço, e muito discretos. Há modelos de aparelhos auditivos altamente tecnológicos, com múltiplas funções e tamanhos bastante reduzidos. Alguns deles são capazes de amenizar 90 % das perdas auditivas, inclusive as mais severas. O mercado também já disponibiliza opções com tecnologia wireless, que captam inclusive o som de celulares.
Há casos de perda de audição, no entanto, em que há necessidade de implante coclear - também chamado de ouvido biônico - ou implantes de ouvido médio, que captam o som convertendo-o em vibrações mecânicas. Apenas o especialista pode indicar o tratamento mais apropriado, mas qualquer que seja a reabilitação o apoio da família irá colaborar enormemente para que o idoso se sinta mais confortável e motivado a encarar a perda auditiva e procurar ajuda médica.
Protelar o problema só agrava a exposição do idoso a doenças secundárias, privando-o de manter uma convivência plena e positiva com os amigos e familiares.
Andréa Abrahão - fonoaudióloga, diretora da rede de reabilitação auditiva Direito de Ouvir.

É comum associarmos ao envelhecimento a inatividade, problemas de saúde e perda da independência. De fato, à medida que envelhecemos, estamos mais susceptíveis a doenças crônicas comuns da idade - como pressão alta e diabetes -, à perda de mobilidade e de memória. Mas muitas das limitações inerentes ao processo de envelhecimento podem ser amenizadas, como é o caso da perda de audição.

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), o problema acomete um terço da população acima dos 65 anos e metade dos idosos com mais de 75 anos. No Brasil, de acordo com o IBGE, a população com mais de 60 anos ronda os 25 milhões, o que sugere um potencial enorme para incidência do problema.

Alguns sintomas como zumbidos e sensação de ouvido entupido podem indicar o início de uma perda auditiva. No convívio social, também é possível notar a limitação quando o idoso começa a falar muito alto ou muito baixo, porque não escuta a própria voz, a repetir perguntas por não entender as respostas e a ter dificuldade de se comunicar por telefone.

Quando há perda de audição, também é comum o idoso passar por situações constrangedoras, o que pode inibi-lo, a ponto de ele preferir evitar o convívio social. Ele diminui a frequência da ida à padaria, ao açougue ou ao supermercado, porque para ele o atendente fala muito baixo; fica mais introspectivo quando reunido em eventos sociais, porque as pessoas perdem a paciência com ele.

Ainda em 2014, nos Estados Unidos, um estudo do Instittuto Nacional de Surdez e Outras Desordens da Comunicação (U.S. National Institute on Deafness and Other Communication Disorders, no original) constatou que conforme a audição ia diminuindo aumentava o percentual de adultos com depressão, de 5 % para 11 % se considerados aqueles que tinham perda auditiva. Outra correlação preocupante foi identificada pela Universidade Johns Hopkins, que avaliou 2.017 pessoas de 40 a 69 anos e concluiu que a perda auditiva aumenta o risco de acidentes, como tropeços e quedas. Segundo a universidade americana, pessoas com perda de 25 dB (considerada leve) tinham triplicadas as chances de quedas.

Os idosos podem ter a audição prejudicada por fatores diversos, como a degeneração das células do ouvido ou por confusão mental, caso em que o idoso escuta, mas não entende. Um simples exame de audiometria pode indicar a perda de audição e, a partir dele, ser definido o tratamento. A partir dos 60 anos, esse é um exame de deve ser incluído no check-up anual.

A reabilitação, na maioria das vezes, comtempla o uso do aparelho auditivo. Atualmente, esses aparelhos são bastante confortáveis, mais acessíveis do que no passado, em termos de preço, e muito discretos. Há modelos de aparelhos auditivos altamente tecnológicos, com múltiplas funções e tamanhos bastante reduzidos. Alguns deles são capazes de amenizar 90 % das perdas auditivas, inclusive as mais severas. O mercado também já disponibiliza opções com tecnologia wireless, que captam inclusive o som de celulares.

Há casos de perda de audição, no entanto, em que há necessidade de implante coclear - também chamado de ouvido biônico - ou implantes de ouvido médio, que captam o som convertendo-o em vibrações mecânicas. Apenas o especialista pode indicar o tratamento mais apropriado, mas qualquer que seja a reabilitação o apoio da família irá colaborar enormemente para que o idoso se sinta mais confortável e motivado a encarar a perda auditiva e procurar ajuda médica.

Protelar o problema só agrava a exposição do idoso a doenças secundárias, privando-o de manter uma convivência plena e positiva com os amigos e familiares.

Andréa Abrahão - fonoaudióloga, diretora da rede de reabilitação auditiva Direito de Ouvir.


 

A formação do educador é um processo permanente

A formação do professor deve ser compreendida como um processo dinâmico, contínuo e permanente, tendo como base um conhecimento aprofundado sobre o aprendiz. Para enriquecer e fortalecer a formação, são fundamentais conhecimentos psicopedagógicos que o ajudem a compreender melhor as técnicas e destrezas que lhe permitirão uma boa e correta atuação educativa, conhecimentos metodológicos que possibilitem conduzir satisfatoriamente as aprendizagens dos pequenos e conhecimentos sociais para adequar melhor à realidade educativa ao contexto sócio-cultural.

Hoje, apenas a formação acadêmica, não é suficiente para a atuação do professor em sala de aula, pois o conhecimento da graduação precisa ser expandido para lhe possibilitar ir além dos conhecimentos básicos que são aprendidos no banco de uma universidade. O professor precisa buscar novos conhecimentos, pesquisar e ter seu próprio acervo de conhecimentos construído, para que tenha a possibilidade de relacionar teorias e escolher a ação prática mais adequada, refletindo sobre o que oferece como profissional ao seu aluno.

O esperado para um professor, é que ele esteja perto do seu aluno, conhecendo aquilo que ele já sabe, o que ainda pode saber, e como ele realiza suas atividades. Sendo assim, ele busca conhecimentos e estratégias que atendam aos diferentes estilos de ensinar e de aprender entre seus alunos. Ao abordar a figura do professor é preciso ressaltar que o objetivo é fazer com que o aluno passe a aprender com mais reflexividade, consciência e autonomia tendo um professor com foco no seu autoconhecimento e com a possibilidade de conhecer-se como ser humano e profissional.

O professor ao tomar consciência de suas atitudes, da elaboração de suas aulas e da prática pedagógica executada com o aprendiz, tem a possibilidade de compreender as estratégias adequadas a serem utilizadas a cada aula planejada. Quando ao executar a atividade, algo que não foi planejado, ou seja, um imprevisto acontecer é preciso que o professor tenha controle e seja habilidoso para conduzir a situação de modo que o objetivo final seja alcançado.

É importante que o professor/professora tenha conhecimento de si como educador e mantenha um diálogo próximo consigo e com o outro para acompanhar seu desenvolvimento e avaliar sua prática pedagógica com a intenção de modificar o que pode ser melhorado e permanecer com os aspectos positivos.  A inferência do professor na aprendizagem do aluno é importante dentro da sua prática, pois é a partir dessa atitude, que ele tem a possibilidade de conhecer como ele estabelece suas relações com a aprendizagem.

O exercício de ser professor é de extremo compromisso com a formação de uma vida, que precisa ser cuidada e acompanhada durante o seu desenvolvimento para estabelecer boas relações e aprendizagens que possam multiplicar-se com a trajetória acadêmica de cada aprendiz.

Ana Regina Caminha Braga - escritora, psicopedagoga e especialista em educação especial e em gestão escolar.

 

A excelência no atendimento como vantagem competitiva

Uma pesquisa feita pela revista Pequenas Empresas Grandes Negócios revelou que 61% dos clientes afirmam que ser bem atendido é um fator mais relevante do que o preço.


De fato, isto se comprova em nosso cotidiano. Quantas vezes entramos numa loja dispostos a comprar e pelo mal atendimento decidimos por não comprar? E o contrário também ocorre, pois às vezes entramos apenas para olhar, mas graças a um atendimento encantador, decidimos levar algum produto ou serviço que foi tão bem exposto pelo atendente vendedor.

Parece simples, mas isto dá verdadeiramente um ótimo resultado e pude comprovar frente às câmeras. Fui convidado para participar de um programa de TV para analisar o atendimento de algumas lojas no centro de São Paulo. Me lembro de 2 cenas que foram ao ar sobre este tema. Estava ao lado do repórter quando ele perguntou a um ambulante sobre as vendas e ele, sentado na cadeira, disse que estava muito ruim, que os clientes tinham sumido. Quando ele disse isso, um cliente se aproximou e o repórter, então, sugeriu que o ambulante fosse lá atender, mas ele respondeu: “Atendo sentado daqui mesmo”. E, de forma passiva, com a mão segurando o rosto, indagou ao cliente: “Está precisando de alguma coisa?”. A resposta do cliente foi: “Não, só estou dando uma olhadinha”. E foi embora.

E veja que curioso, demos alguns passos e, na mesma calçada, há poucos metros deste primeiro, fomos surpreendidos pelo segundo ambulante que já nos recebeu em pé olhando nos olhos, com um largo sorriso no rosto dizendo: “Que bom que vocês vieram”. O repórter repetiu a pergunta feita anteriormente, sobre como estavam as vendas. O segundo ambulante respondeu: “Melhor impossível, as vendas estão ótimas, melhor ano da minha banca”.

Aí vem o mais espetacular. O repórter olhou para a banca do primeiro ambulante, comparou com a do segundo e perguntou: “Mas se o senhor está na mesma calçada, vende basicamente os mesmos produtos no mesmo preço que o seu vizinho, como pode estar indo tão bem e o rapaz da banca do lado estar tão desanimado?”. Ele respondeu: “Os clientes querem carinho, atenção. Recebo todas as pessoas com alegria e otimismo”. E emendou com chave de ouro: “Eu tenho como missão de vida, independentemente do cliente comprar algo ou não,  deixá-lo ir embora melhor do que quando ele chegou até mim”.

Este caso foi mais um onde ficou claro que o atendimento foi o diferencial decisivo do segundo, um empreendedor de verdade, perante o primeiro. Isso evidencia claramente a importância de treinarmos continuamente a equipe e identificarmos qual colaborador atende com excelência e, a partir daí, não medir esforços para reter este profissional de alta performance.

Vale lembrar, ainda, que um colaborador que atende bem e outro funcionário que atende mal geram o mesmo custo contábil na folha de pagamento da empresa no final do mês. Desta forma, é fundamental identificar também quem não pratica um atendimento de qualidade e jogar abertamente com ele sobre a necessidade da melhoria, treinar e dar as oportunidades antes de dispensá-lo. Mas é preciso deixar claro que o mercado está cada vez mais competitivo e que não há espaço para amadores ou funcionários descontentes que destratam consumidores ou potenciais compradores.

Quer aumentar as vendas, conquistar novos consumidores e fidelizar seus clientes? Torne a excelência no atendimento uma grande vantagem competitiva da sua organização!

Erik Penna - palestrante motivacional, especialista em vendas com qualificação internacional, consultor e autor dos livros “A Divertida Arte de Vender”, “Motivação Nota 10” e “21 soluções para potencializar seu negócio”

 

Oi! Tenta 40

A história mostra que as lutas dos trabalhadores são longas e difíceis. O processo civilizatório que eleva o padrão de vida da sociedade como um todo conta com a participação determinante dos trabalhadores. Eles inovaram, por meio dos sindicatos, em bandeiras de interesse geral, como a democracia, a liberdade, a igualdade, os direitos sociais em geral, criaram partidos e contribuíram para a construção do Estado moderno. Fizeram muito.

Para os trabalhadores, lutar é a condição para viver. Por isso, criam os sindicatos, um solidário instrumento de luta. Reduzir a jornada de trabalho é uma dessas lutas que nos acompanha desde a origem do sindicalismo. Exemplos não faltam. Entre 1850 e 1870, a jornada média na Alemanha era de 75 horas (se uma pessoa trabalha 60 e outra, 90 horas, a média dá 75). A média encobre muitas desigualdades! Na Inglaterra, foi o Factory Act que, em 1844, reduziu a jornada feminina de mais de 18 para 12 horas diárias.

Um anúncio publicado em 1813 por um fabricante de algodão nos Estados Unidos dizia: “Cotton Factory procura algumas famílias sóbrias e industriosas, que tenham pelo menos cinco filhos maiores de oito anos”. Estima-se que, em 1900, havia 1,7 milhão de crianças com menos de 16 anos trabalhando nos Estados Unidos, mais do que a totalidade dos membros da AFL (American Federation of Labour), o maior sindicato do país. Na Suécia, podia-se empregar meninos a partir de cinco anos, procedimento generalizado nos países da Europa no século XIX. Os exemplos e fatos se multiplicam e estão documentados por inúmeros cientistas sociais, economistas e historiadores.

A luta é longa! Foi somente no início do século XX que a jornada de 8 horas diárias ou 48 horas por semana começou a ser instituída onde, hoje, os países são desenvolvidos.

Educação, qualificação e tecnologia, reunidas nas indústrias nas cidades nascentes, fizeram a produtividade do trabalho crescer espetacularmente. No último século, a produtividade cresceu enquanto a jornada de trabalho era reduzida!

Mas as máquinas passaram a queimar os postos de trabalho e a luta para que todos tenham emprego ganhou vigor, renovando ainda mais as ações pela redução da jornada de trabalho. Trabalhar menos para que todos tenham empregos. Trabalhar menos para ganhar qualidade de vida, para conviver com a família e os amigos, estudar, praticar esportes, ver um filme, ir ao teatro, cantar, dançar, brincar ou, simplesmente, não fazer nada, ganhou centralidade na vida sindical e na luta dos trabalhadores.

O recente ato falho do presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), propondo jornada de 80 horas semanais, em uma reunião que tratava de inovação, atropela a história e achincalha a utopia de uma sociedade justa. Mas, de maneira dialética, nos faz relembrar nossa história e nos provoca e convoca a protagonizar novos avanços.

Inovar hoje é promover um tipo de dinâmica econômica na qual todos tenham empregos de qualidade e bons salários, para produzir o que a sociedade precisa para ter bem-estar e qualidade de vida.

Inovar hoje é distribuir o produto social, promovendo igualdade de oportunidades e condições.

Inovar hoje é reduzir a jornada de trabalho para 40 horas.

Os trabalhadores veem longe e lutam sempre. Está na hora de tentar novamente!

Clemente Ganz Lúcio -  Sociólogo, diretor técnico do DIEESE, membro do CDES – Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social e do Grupo Reindustrialização

 

A formação continuada do professor

O professor dentro da abordagem tradicional de ensino podia preencher o quadro negro com o conteúdo, as crianças copiavam e respondiam às perguntas ou realizavam os exercícios sem interromper ou questionar sua prática e permaneciam sem exemplificação para suas dúvidas, o que impedia uma melhor compreensão do assunto. Nessa abordagem, não havia espaço e nem autonomia de pensamento ou liberdade de expressão em sala de aula. O professor falava, transmitia o conteúdo, realizava as tarefas e os exercícios, e todo aquele conhecimento era recebido como absoluta verdade.

Por outro lado, na metodologia interacionista, o professor já pode ser visto de outra maneira, em função dos avanços da educação nas suas questões básicas em prol do conhecimento/aprendizagem, bem como dos Regulamentos e Leis que amparam todo o processo de ensinar e aprender. Dessa maneira, busca-se um ensino e uma prática diferenciados, em que o professor não esteja mais tão adepto da abordagem tradicional, mas compreenda a importância de interagir com seus alunos. Na sua prática pedagógica é possível construir um planejamento com possibilidades reflexivas, em que eles participam e contam com a mediação do professor no seu desenvolvimento/aprendizagem.

O docente não precisa deixar o que aprendeu com as abordagens anteriores, mas é oportuno utilizar uma metodologia e estratégia adequada para ensinar o conteúdo para seus alunos, de maneira que estes sejam motivados a aprender sem a necessidade da presença do professor/professora de forma dependente em suas atividades.

É compreensível que o professor encontre dificuldades em modificar suas práticas anteriores, mas é importante a elaboração de uma visão menos conteudista, em que os alunos apenas recebem as informações.  É preciso que eles consigam transformar a informação em conhecimento e construam um sentido e significado para cada aprendizagem e assim possam facilitar suas relações e inferências com o mundo.

A escolha adequada da metodologia em sala de aula facilita o andamento das atividades tanto para os alunos como para o professor, pois ele está inserido dentro de um contexto que contempla os objetivos do seu planejamento de aula. É preciso que o profissional tenha um espaço que lhe possibilita visualizar as facilidades e as limitações de cada conteúdo colocado para a turma.

O foco é proporcionar ao aprendiz uma prática pedagógica na qual ele tenha suas habilidades exploradas e a oportunidade de evoluir como aprendiz, estando preparado para desenvolver seu papel, superando obstáculos e refazendo-se quando for necessário para rever ou recomeçar o desenvolvimento das aprendizagens, sejam elas sistemáticas e assistemáticas.

Por isso, a importância do papel que precisa desenvolver dentro de sala de aula, considerando que, além do aluno permanecer parte do seu tempo em sala de aula, é de sua responsabilidade externar e evidenciar na prática pedagógica seu conhecimento teórico como profissional para planejar e organizar as atividades, o espaço e as estratégias a serem utilizadas com o objetivo de motivar o aluno a aprender, e dessa maneira construir um ambiente no qual ele possa desenvolver o maior número de habilidades possível.

Elaborar uma aula não é preparar uma bela lição em que se preveem as perguntas e as respostas dos alunos. É preparar-se para estar à escuta, para se adaptar aos modos de resolução, de raciocínio dos alunos para levá-los a que tomem consciência deles, com finalidade de modificar, fazer evoluir e fomalizá-los em competências transferíveis.

É importante que o professor esteja preparado para oferecer ao aluno uma prática pedagógica que o proporciona a autonomia ao desenvolver uma atividade. É preciso estar disponível para ouvir questionamentos, posicionamento quanto ao conteúdo transmitido para ter a facilidade e a habilidade de instiga-lo a superar aquilo que fora proposto em sala de aula.

Ana Regina Caminha Braga - escritora, psicopedagoga e especialista em educação especial e em gestão escolar

 

Como conduzir conversar corajosas na vida

“Só nos tornamos homem quando nos superamos” (Aristóteles)

A partir de nosso contínuo amadurecimento pessoal e experiência profissional, fica cada vez mais claro para nós que a importância em se ter conversas corajosas. Mas afinal, o que são estas conversas? São todas aquelas que precisamos ter com nós mesmos ou com os outros e que por uma série de “razões” sempre adiamos.

Atualmente a sociedade vive a síndrome do “silêncio perturbador”. Podemos encontrar em todo tipo de núcleo social situações veladas, relacionamentos disfuncionais e sofrimento. Encontramos um paradoxo bem contemporâneo: de um lado é possível perceber pessoas com muito barulho interior, levando-as à surdez social e do outro, curiosamente, uma liberdade de expressão que desvirtua as relações. Com o fenômeno das mídias sociais os “fantasmas” são exacerbados. Testemunhamos uma época na qual todos têm opinião sobre tudo, julgam instantaneamente, fazem ataques gratuitos sem freio e são senhores da “verdade”. E é neste momento que a temperança dá lugar à intolerância. Expressar-se sem filtro ou reflexão não tem nada a ver com conversas corajosas.

A evolução humana acontece em ciclos. E hoje, enxergamos que passamos por um ponto de ruptura, onde nossa capacidade de conviver é continuamente testada. O dia-a-dia profissional faz-nos observar um fértil laboratório social corporativo. Por isso, ao conduzir processos de coaching, mentoria e formação de líderes, vemos a urgência e a necessidade em apoiar as pessoas a conduzirem e participarem de conversas corajosas.

Uma conversa corajosa está intimamente ligada à nossa habilidade de nos comunicar. A comunicação é a primeira e mais importante competência para a interação humana. É quando delega-se, fornece-se feedback, faz-se gestão de conflitos, dá-se orientação estratégica e desenvolve-se talentos. A tomada de decisão e as ações correspondentes são bem-sucedidas quando o processo de se comunicar é pensado e desenvolvido considerando três pilares: coragem, realidade e diálogo.

Causa raiz

A causa raiz para falta de conversas corajosas é a má gestão de uma de nossas emoções básicas: o medo.

O medo é fomentado por algumas razões internas e externas: medo de nos machucarmos ao enxergarmos a verdade, medo de perdermos a autoimagem que demorou tanto tempo para ser construída, medo de perdermos a imagem que o outro tem de nós, medo da reação do outro à nossa conversa corajosa, medo da eventual retaliação em caso de poder hierárquico, medo de perdermos amigos, de perdermos relacionamentos e assim por diante. Conversas corajosas tornam-se cada vez mais necessárias para superar “esses fantasmas” que paralisam o processo decisório, atrasam projetos, desmotivam equipes e fazem com que empresas percam oportunidades preciosas ao perderem tempo com relacionamentos velados.

Precisamos ir ao encontro desta causa raiz e dominar as emoções que ela traz. A conversa deve ser movida pela intenção genuína de superar o desconforto que tira a paz de espírito, a franqueza do olhar e acima de tudo nossa capacidade de enxergar a situação com a clareza necessária. Ao não fazer isso, continuaremos a correr o risco de fugirmos de nós mesmos e do outro, entregando assim à própria sorte a missão que nos cabe. Não podemos delegar ao destino, ao tempo, ao outro ou a quem quer que seja,  a incumbência de resolver o que está ao nosso alcance por covardia, incompetência emocional e inabilidade em dialogar. É essencial e urgente preparar toda uma geração para esses desafios.

Exemplos de conversas corajosas:

  • Conversar com determinado colega de trabalho que apresenta comportamento agressivo ou faz comentários preconceituosos;

  • Dar feedback ao chefe ou ao liderado sobre o comportamento deles;

  • Desligar colaboradores;

  • Comunicar que a área será desativada e as pessoas serão alocadas em outras unidades;

  • Conversar sobre a descontinuidade de um projeto ou produto no mercado;

  • Conversar com colegas que estão escondendo ou restringindo o acesso à informação;

  • Reuniões de orçamentos e estabelecimento de metas;

  • Conversas sobre porque os resultados não estão sendo alcançados;

  • Dar um parecer desfavorável sobre um projeto, programa ou atividade de outra área;

  • Reunião gerencial de cortes de orçamento;

  • Conversas sobre mudanças estratégicas de alto impacto: fusão, aquisição, reestruturação, venda de unidades, demissões coletivas, acordos sindicais;

  • Implementação de novas políticas e ferramentas;

  • Desdobramento da estratégia.


A falta de conversas corajosas afeta as relações de negócios, infiltrando-se silenciosamente na cultura organizacional, formando líderes despreparados para a habilidade mais exigida: tomar decisões difíceis. Essas conversas são e serão cada vez mais necessárias para desinibir profissionais em suas vidas profissionais e pessoais, de forma que atuem com um pensamento claro, após reflexões e com foco.

Coragem

Temos que ser muito corajosos para expressar sentimentos e ao mesmo tempo habilidosos o suficiente para direcionar a conversa para um propósito. Uma mente consciente e um coração corajoso fertilizam o terreno da interação humana. Ser verdadeiro na expressão do sentir e amoroso ao ter conversas corajosas consigo e com o outro pode gerar a abertura necessária para encorajar as pessoas a dizerem o que precisa ser dito com afetividade. Equivocado quem lê afetividade como fraqueza. Fraqueza está mais ligada à negação dos sentimentos, substituindo os verdadeiros sentimentos pela “força”. Ser levado a atacar usando esta força traduz-se muitas vezes em covardia. Agressividade é um sério sinal de incompetência emocional.

É sabido que coragem não é ausência de medo. Segundo São Thomás de Aquino, a coragem é a força da alma. Um poder de ação física e moral. Uma causa agente que produz efeito. A coragem nos leva a viver a despeito de mil obstáculos e, paradoxalmente, às vezes a morrer, com a doação de nossa vida. Saímos do medo pela coragem. Não se pode ser valente sem antes sentir medo.

O assunto é amplo e inspirador, mas para os objetivos desta conversa concluímos dando enfoque à aplicação da coragem. Do ponto de vista psicológico ou sociológico, a coragem é verdadeiramente estimável quando se põe, pelo menos em parte, a serviço de outrem ou de uma causa maior. Não podemos valorizar a coragem de alguém egoísta, que usa esta virtude com o reduzido intento de preservar sua própria imagem, vida, cargo ou poder.

Realidade

Ser verdadeiro não significa ser o dono da verdade, mas estar bem consciente de que em determinada situação aquilo traduz uma realidade na qual eu vivo ou o outro vive. Ao querer afirmar a “minha” verdade perante o outro, inevitavelmente negarei a verdade do “outro” e isto por si só́ gerará conflito.

Autoconhecimento é a premissa para a busca da realidade. Um dos comportamentos chave da autodescoberta é a humildade. Segundo Ram Charan, quanto mais você puder conter seu ego, mais realista será sobre seus problemas, os problemas da área e do negócio. Mostra que pode aprender. Seu orgulho não o prejudica quando precisa obter informações para atingir melhores resultados. Cometer erros é inevitável, mas a humildade permite-nos reconhecer nossos erros. O processo decisório é aprimorado ao longo do tempo, pois a humildade possibilita que enxerguemos uma realidade mais ampliada, a partir do entendimento de outros pontos de vista.

Nas conversações corajosas quando ambos, eu e o outro, somos verdadeiros e amorosos, surge a possibilidade de uma escuta ativa e de juntos resolvermos a situação criando uma terceira “verdade” (possibilidade) comum.

O que é ser amoroso neste contexto? É ser empático, colocando-se no lugar de quem vai nos ouvir, sentindo os mesmos sentimentos que teríamos se estivéssemos naquela situação. Um exemplo, apenas para ilustrar: suponha que você̂ entrou junto com seu colega ao mesmo tempo na empresa. Ficaram amigos, as famílias se frequentam etc. Você é promovido a líder deste colega e precisa dar-lhe alguns feedbacks. Como começar esta conversação corajosa? De forma amorosa, por exemplo, dizendo-lhe que você̂ terá́ de falar com ele, mas isto gera em você sentimentos tais quais: “para mim é difícil falar-lhe isto, em função de nossa amizade, mas, embora não seja fácil, tenho de fazê-lo porque meu papel de liderança e minha coerência exigem que eu o faça".

Mas há que se ter a coragem de “ter a conversação corajosa”. O famoso ditado “conhecei a verdade e ela vos libertará” faz todo o sentido ao desmancharmos crenças ilusórias que nos limitam ou limitam ao outro e que nos impedem de avançar, mudar ou crescer.

Em uma organização, entre pares e entre lideranças e liderados, há tantas coisas a serem ditas referentes aos “problemas” de trabalho, mas nosso medo de perder a amizade ou da reação defensiva do outro pode fazer com que fiquemos na inação. Vamos refletir um pouco: se ficarmos sem ter as conversações corajosas que estes momentos exigem, condenamo-nos a permanecer no estado de “coisas mal resolvidas”. A quem isto ajuda? A ninguém! Eu perco, meu colega perde e a organização perde, porque não há mudança de comportamentos, processos e/ou rotinas. Vive-se o “estado do faz de conta”. Neste estado ninguém cresce. Pior que isto, como eu escolhi não ter a conversação corajosa necessária, não posso também me fazer de vítima das circunstâncias.

Diálogo

Você sabe a diferença entre discussão, debate e diálogo?

Não basta ter coragem para uma conversa, é preciso habilidade. Muitas conversas corajosas, por falta de habilidade para dialogar, podem desembarcar em discussões ou debates sem fim.

Conforme Alkíndar de Oliveira, a característica básica da discussão é o fato de o emocional se sobrepor ao racional, criando desentendimentos e rancores. No Brasil, o termo discutir vai além do sentido etimológico, isto é, as pessoas que utilizam a expressão “vamos discutir este assunto” querem dizer “vamos debater esse assunto” ou “vamos dialogar sobre este assunto”. No entanto, é saudável lembrar que o convite para discutir determinado assunto faça-nos entender que “nós não vamos discutir, vamos dialogar”.

Inteligência Emocional, a capacidade de perceber e gerenciar as minhas emoções e as emoções do outro, é essencial para o sucesso de uma conversa corajosa. Controlar o outro é uma ilusão, nossa primeira responsabilidade é ter domínio próprio. Não podemos controlar qual será a reação do outro diante de uma conversa difícil, mas podemos escolher como vamos reagir diante de sua postura. A autoconsciência é o primeiro passo para dominarmos as nossas próprias emoções e a consciência do outro; é o caminho para gerenciar, não controlar, as emoções do outro.

A principal característica do debate é que ao final temos um vencedor e um perdedor. Oliveira explica que se ouve que é preciso debater à exaustão determinado tema conflitante para chegar a um consenso. Há um grande equívoco nessa afirmação,  pois a pessoa que procurar vencer com suas ideias as opiniões dos outros dificilmente chegará a um consenso. Diferentemente do diálogo, no debate as pessoas comportam-se como rivais. No diálogo não tentamos vencer. O desafio é achar a maneira correta de fazer ou mesmo nada fazer, assim todos vencem. As características do debate não contribuem para uma conversa corajosa, pois o debate pelo debate em si distancia-se da necessidade do entendimento e busca por um objetivo comum essencial para o sucesso da liderança e da organização. Não negamos que no mundo corporativo possam existir pessoas com postura competitiva, mas isso pode levar a organização ao declínio quando funcionários da mesma empresa comportam-se como adversários, ou mesmo, no auge da disfunção relacional, inimigos.

Para que uma conversa corajosa seja produtiva o instrumento de interação deve ser o diálogo, pois ele inspira confiança entre as partes. No diálogo abrimos mão de ideias prontas e evitamos impor nosso ponto de vista. Testamos nossas ideias e acolhemos as dos outros para construirmos um reservatório de informações relevantes. Estimulamos o compartilhamento de visões. No debate a postura é pressupor que exista uma única resposta certa e que você a tem, enquanto no diálogo a orientação é buscar o máximo de respostas que se complementem. A premissa não é vencer, mas colaborar, chegar ao consenso. Dar significância ao outro, reconhecer e admitir seu ponto de vista sem encerrar a conversa.  Admitir, mesmo que discordemos, que o pensamento do outro pode ampliar a nossa visão conduzirá a conversa para um desfecho mais produtivo. O diálogo não é em si método decisório, mas é o tipo de interação humana mais eficaz para construir relacionamentos mais saudáveis e um ambiente transparente e fértil para conversas corajosas produtivas.

O diálogo não pode ser visto somente como um instrumento utilitário a serviço da eficácia organizacional. Antes de tudo ele é um meio de conexão humana para o fluir dos sentimentos mais nobres, entre eles a compaixão. A compaixão nos iguala na condição humana. Não somos nem superiores e nem inferiores e, se a intenção de nosso coração é a de efetivamente nos ajudarmos ou ajudarmos ao outro, a inclusão e a conversação corajosa acontecerão.

Nesse momento, convidamos você a visitar “a pasta das situações mal resolvidas”. O que acha, está pronto para uma conversa corajosa?


Ricardo Farah - consultor da Atitude Positiva, é Mestre em Psicologia Social pela Universidade de São Paulo, com  29 anos de experiência em consultoria educacional em Vendas, Negociação, Liderança e Desenvolvimento do Potencial Humano. Coach, membro da ICC.

Gianini Ferreira - Consultor da Atitude Positiva, Coach e Especialista em Liderança, Gestão Estratégica de Pessoas, Negociação e Habilidades Gerenciais. Atua desde 2001 em projetos de Desenvolvimento Organizacional e Educação Corporativa


Última atualização ( Ter, 27 de Setembro de 2016 16:33 )
 
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