Jornal Correio de Notícias

Página Inicial | Fala Serio

Fala Serio

Os 3 nascimentos e nossos aprendizados ao longo da vida

Como seres humanos, temos uma busca essencial e intrínseca de completude e felicidade, que nos impulsiona e movimenta na vida para o reencontro do nosso tesouro interior.

Nesta busca, o grande desafio é nos tornarmos plenamente humanos, fazendo escolhas e capazes de nos tornar totalmente responsáveis por nossa vida.

Segundo Virginia Satir, uma grande pensadora e terapeuta, que influenciou muitas das correntes de autodesenvolvimento da atualidade, o ser humano tem a possibilidade de ter três nascimentos ao longo da mesma vida.

O primeiro é o momento da concepção, no qual a força da vida, na sua exuberância, manifesta-se e nos tornamos um potencial a se desenvolver. Estamos em processo do vir à luz e deixar brilhar aquilo que, em essência, somos. É o ciclo da semente, que tem o registro da árvore como um todo, mas ainda não saiu de dentro da terra.

O segundo nascimento é quando nascemos do ventre de nossa mãe e temos a primeira experiência do lado de fora do útero. Iniciamos uma trajetória na Terra para encontrar e reencontrar pessoas, aprender, crescer e evoluir.

Temos uma parte que, ao longo dos nossos aprendizados, se mantém integra e imaculada, que nos lembra em diversos momentos que somos um milagre da força vital e que existem recursos para expressar esta natureza. É a nossa voz interior, o nosso Self.

Na jornada de aprendizado que realizamos a partir desta entrada no mundo relacional, muitas coisas acontecem que nos aproximam ou distanciam desta essência.

O grande desafio da evolução nesta dimensão é nos aproximarmos desta essência e nos tornarmos mais plenamente humanos, fazendo escolhas e respondendo às circunstâncias e aos eventos, ao invés de reagirmos a estes. Sendo responsáveis pela vida que recebemos.

O filósofo francês Jean-Paul Sartre escreveu: “Não importa o que fizeram a você, importa o que você faz do que fizeram a você”.

Não podemos alterar o passado, mas conseguimos mudar os efeitos do mesmo sobre nós. Fazer o presente de acordo com as nossas escolhas e desenhar o futuro desejado.

Ao escolhermos ser responsáveis pelas próprias escolhas, temos o marco do terceiro nascimento.

Aprendemos com nossos pais, os primeiros seres humanos que servem de modelo para nossa caminhada na Terra. Muitas coisas que descobrimos com eles são frutos de suas experiências e padrões familiares, que podem ser inclusive disfuncionais.

Portanto, podem ser ressignificados, gerando novos aprendizados que facilitem a expressão real das nossas potencialidades e do brilho interior. Isto é tornar-se plenamente humano, é ser uma pessoa na íntegra. Quando fazemos isso, contribuímos também na espiral de crescimento sistêmico familiar.

É poder viver a experiência de harmonia com corpo, mente, sentimentos, alma e espírito, refletida nas ações de interação consigo e com o outro. A essa experiência damos o nome de congruência, individuação, evolução, etc. Não importa o nome dado, o significado maior é que temos escolhas de buscar a expressão plena de nosso espírito, do nosso Self, ou seja, daquela dimensão dentro de nós que é a manifestação da Força vital.

Neste modelo, afirmamos que os pais são os instrumentos ativadores da vida neste plano, porque a vida em essência já existe. Ela pertence à dimensão da Força Universal e, como tal, se manifesta em múltiplas e variadas formas.

Com os pais, vivemos a experiência de aprendizado nas dimensões do pensar, sentir e fazer, mas temos a capacidade de aprendermos coisas novas e nos transformamos em quem queremos ser, e não apenas em quem devemos ser. Aceitá-los como pessoas que também estão em evolução é um passo na direção da inteireza do ser.

A formatação do que devemos pensar, sentir e fazer é útil para que possamos ter a sensação de pertencimento ao clã, mas também gera a manutenção de padrões familiares, muitas vezes disfuncionais, fidelidades que muitas vezes nos impede de manifestar aquilo que realmente somos.

O processo de discriminação entre o que aprendemos e o que somos possibilita compreendermos e aceitarmos a história, os eventos e os atores envolvidos, de uma forma onde assumimos o protagonismo da nossa vida. É uma jornada de descoberta em direção à estrela que somos em essência.

Eunice Brito é Psicóloga, Consultora, Coach, fundadora da Semilla Treinamento Empresarial e uma das organizadoras da Formação no Modelo de Validação Humana Virginia Satir (www.virginiasatir.com.br) no Brasil

 

A morte de muitos direitos trabalhistas

Ao conceder liminar em ADPF movida pela Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino e suspender a aplicação da Súmula 277 do TST, o Ministro Gilmar Mendes, acima de tudo, abalou profundamente a paz social. Em suma, decidiu-se que, quando não renovada uma convenção coletiva, todas as suas cláusulas sociais, e são inúmeras, perdem eficácia. Os trabalhadores, por exemplo, ficam sem vale-refeição, vale-transporte, eventuais aumentos salariais, adicionais de horas extras, creches e muito mais. As convenções, em geral, contemplam cinquenta cláusulas. Segundo a decisão, nesse período, que pode ser indeterminado, aplicam-se às relações trabalhistas somente as leis contidas na Consolidação das Leis do Trabalho. Isso deverá provocar um grande terremoto nas relações entre trabalhadores, seus sindicatos e os empregadores. Há muitos anos que as cláusulas convencionais integram os contratos de trabalho. Como disse Ulysses Guimarães, se não querem que o povo sinta o sabor da carne, não lhe dê o primeiro bife. Se não nos equivocamos, o Supremo, por seu Plenário, pelo menos em intervenções obiter dictum, já disse que temos uma cláusula de proibição de retrocesso dos direitos trabalhistas, adotadas por muitos países, implícitas em nossa Carta Magna. Veremos como ficará a liminar depois da irrupção de vulcões de greves por todo o país.

Amadeu Roberto Garrido de Paula, advogado e membro da Academia Latino-Americana de Ciências Humanas

 

O que é preciso para ser feliz e ter sucesso

É muito comum lermos artigos na internet de grande repercussão com o tema: "Larguei tudo e hoje sou feliz". Por que atualmente tantas pessoas largam carreiras estruturadas, com excelentes salários, e estilo de vida invejados para se aventurar no incerto? Essas histórias de pessoas que tomaram atitudes radicais, às vezes, são muito inspiradoras. Nos levam a refletir sobre nossas próprias atitudes diante da vida. Eles tiveram coragem. Tiveram disposição e energia para sair em busca de um ideal. O administrador que largou tudo para cultivar uva num cantinho escondido do mapa, a advogada que deixou o agitado escritório para produzir essências aromáticas, o empresário que resolveu correr o mundo como mochileiro, etc. São muitas histórias interessantes que despertam o ideal de liberdade.

Mas porque largaram tudo de um momento para o outro quando o ideal seria fazer uma transição planejada de carreira? Do ponto de vista profissional, entendemos que não é do sucesso que o indivíduo abre mão e, sim, de um conceito equivocado do que seja o mesmo. Para entender melhor esse contexto é preciso refazer a pergunta. O que é sucesso? A sociedade ainda entende e valoriza como bem sucedido, pessoas que tem excelentes salários, ocupam cargos de poder e destaque ou são empresários com contas robustas no banco.

A questão é que a essência humana é mais complexa e o sucesso verdadeiro vai muito além do profissional e financeiro. A vida é composta de muitas áreas, compostas por saúde, profissional, financeiro, físico, lazer, relacionamento familiar, relacionamento social, relacionamento amoroso, intelectual e espiritual - não necessariamente nessa ordem. Quando conseguimos dedicar atenção e tempo para contemplar cada um delas, a roda da vida gira em equilíbrio perfeito. Essa harmonia entre as várias áreas é o que consideramos como sucesso verdadeiro.

Porém, se ao contrário do movimento equilibrado passamos a priorizar apenas uma área ou duas da vida (profissional e financeiro) em detrimento das outras, o elo da corrente em algum momento pode ruir e a conta poderá chegar desmistificando o falso sucesso. O stress, a competitividade, o excesso de cobranças, tem começado cada vez mais cedo. As crianças tem compromissos de adultos e quando chega o momento de assumir uma profissão, muitas vezes esses jovens já se encontram saturados e abandonam as horas forçadas de estudo por algo que acreditam que lhes trarão maior qualidade de vida.

No caso dos adultos não é diferente. Muitos profissionais vivenciam tantas cobranças, stress e desgaste emocional que chegam a comprometer seriamente a saúde. Em outros casos, pais e mães que não acompanharam os filhos crescerem, abriram mão do lazer e de um relacionamento íntimo mais completo, entre tantas outras coisas. Se uma pessoa chegar no lugar tido como auge de sua carreira, mas em detrimento dela teve que abrir mão de muitos valores primordiais, nessa hora, vem o questionamento. Por consequência, se as concessões foram em demasia esse indivíduo pode concluir que não valeu a pena. É nesse momento que um profissional considerado bem sucedido pode abrir mão de tudo para resgatar o elo perdido. Reencontrar a vida que deixou para trás. Penso que o ideal seja crescer profissionalmente na mesma medida do progresso pessoal. Sem abrir mão de outros valores tão fundamentais para nossa existência. Para isso é fundamental que haja reflexão constante para que seja possível fluir ao invés de congelarmos na repetição do mesmo.

O ser humano por aprendizado milenar busca o constante movimento. Isso era a garantia de vida de nossos ancestrais. Como herança queremos a novidade, o frescor, a alegria de viver e poder dizer com orgulho: “Sei por que acordo todos os dias”. Para mantermos esse frescor é preciso confiar, inovar constantemente, abrir mão do que não serve mais e ao mesmo tempo preservar o que é precioso. Talvez sejam esses os motivos que fazem com que admiremos os corajosos que desapegam do conhecido e conseguem dizer “larguei tudo e hoje sou feliz”.

Hilda Medeiros – Transformando Realidades. Coach e Terapeuta, realiza atendimento presencial e online. Ministra Palestras, Workshops e Treinamentos em todo Brasil - www.hildamedeiros.com.br

 

Para ter sucesso, é preciso se aventurar no desconhecido

Ao longo da vida nos acomodamos e criamos nosso próprio refúgio. Ficamos acostumados com a rotina e conformados com o estilo de vida e sempre os mesmos resultados, seja no ambiente familiar, social ou profissional. Isto é o que chamamos de “zona de conforto”.

A maioria das pessoas deseja cuidar melhor da alimentação, fazer exercício físico, deixar para trás o que não faz bem ou melhorar o que traz benefícios. Iniciar algo novo e trabalhar nas mudanças necessárias para transformar suas vidas.

Entretanto, atitudes tão simples se mostram difíceis de fazer e falhamos na hora de executá-las. Por que isso acontece? A resposta é simples: qualquer mudança nos tira da zona de conforto.

A vida moderna é extremamente dinâmica e precisamos nos adaptar às frequentes mudanças. Isso é desconfortável e nos causa insegurança e ansiedade, mas é necessário. Precisamos estar dispostos e nos preparar para os desafios que aparecem todos os dias.

É claro que estas rápidas mudanças nos causam insegurança. As relações sociais, profissionais e comerciais vivem em constante instabilidade e novidades surgem o tempo todo. E para aprender a lidar com esta situação, precisamos nos aventurar no desconhecido.

Encarar o desconhecido nos comporta o risco de perder o controle da situação e, ao sair da nossa zona de conforto, entraremos em um terreno que não dominamos. Por isso, a tendência natural é a de continuarmos na mesmice do dia a dia, mergulhados em uma situação que controlamos.

Nossa mente e desenvolvimento pessoal estão diretamente relacionados com o poder de abandonarmos o conhecido, habitual a automático. Precisamos ter confiança, arrojo e determinação para crescer e aproveitar ao máximo as oportunidades que a vida nos oferece.

Enquanto estiver dentro de sua zona de conforto, não estará crescendo nem aprendendo coisas novas. Fará as mesmas coisas de sempre, e, desse modo, irá conseguir somente o que sempre teve.

Portanto, para obter o crescimento pessoal você precisa ter atitudes que não está habituado, mas que são fundamentais para a mudança que deseja. Reflita sobre suas conquistas e perceba que resultados diferentes e significativos só aconteceram quando você fez algo novo. O novo assusta, mas é o que te levará ao sucesso.

Lembre-se sempre desta frase, de Steve Blank, escritor e empreendedor de grande sucesso: “Grandes empreendedores estão confortáveis em estarem desconfortáveis”. Por isso você precisa abandonar a sua “zona de conforto” se quiser crescer de verdade.

Silvia Bez é palestrante motivacional, especialista em vendas e marketing pessoal, além de Master Coach. Em seu trabalho, sempre foca o lado humanista. Formada pela Sociedade Latino Americana de Coaching e pela IAC (International Association of Coaching)

 

O que seria de Marx sem Engels e da esquerda sem dinheiro?

"Sem a ajuda de Engels, Marx não teria conseguido finalizar o primeiro volume dessa obra fenomenal ("O Capital"), devido às dificuldades e das condições precárias de vida de sua família em Londres". ("Esquerda Marxista Internacional, Corrente Marxista", 30/8/2016).

Efetivamente, enquanto envolvido nas abstrações da teoria econômica, por vezes quase que inextricáveis, Marx era constantemente forçado a deixar suas meditações para ouvir os xingamentos dos vendeiros e carniceiros à porta de sua casa em Londres, empunhando as listas das contas atrasadas. Friedrich Engels, um dos filhos de um grande capitalista e comerciante de Manchester, de uma rica família, sensibilizado pelas condições miseráveis em que viviam as famílias no período da revolução industrial, além de produzir suas próprias e importantes obras no campo da sociologia, foi o arrimo financeiro de Marx, sem o qual essa obra, que a esquerda marxista  remanescente em nossos dias qualifica como fenomenal, não teria vindo à luz.

Com a adesão de Lênin às ideias marxistas, lograram tomar o poder central num país economicamente atrasado, a Rússia, num contraponto a um de seus basilares princípios, o de que o socialismo somente vingaria num país em que o capitalismo houvesse se desenvolvido suficientemente. Em verdade, Lênin, com sua capacidade carismática,  capaz de galvanizar grandes massas, principalmente um povo subjugado por um czarismo cruel,  e pouco crítico, não lançou, na Rússia, as bases de uma economia socialista, de uma sociedade sem classes, tal como pregadas por Marx e Engels, mas simplesmente liderou um movimento que se apoderou do poder político, para desenvolver um projeto de novo governo, certamente vislumbrando no horizonte aqueles princípios.

Desde logo, os sovietes que se organizaram na Rússia perceberam que, sem recursos financeiros sólidos, não teriam como implantar governo algum, sobretudo fundado num Estado forte. Não há Estado e Estado forte sem muito dinheiro. Não à toa, neste momento histórico, sorriem do mundo os governos abastecidos por monopólios petrolíferos, geralmente totalitários e opressores, porque uma autêntica democracia pressupõe efetiva distribuição de renda e justiça social. E adotaram várias providências para criar a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas; os recursos financeiros permitiram a primeira viagem espacial tripulada e a manutenção, por longos anos, da "guerra fria", que muitos prejuízos trouxe à humanidade. Em suma, para derrotar a "burguesia" é necessário usar o dinheiro acumulado pela "burguesia".

Não é preciso dizer no que deu a desastrada experiência soviética. A "ditadura do proletariado", preconizada por Marx e Engels, resumiu-se ao fuzilamento de milhares de camponeses que não queriam perder a propriedade privada de suas terras, hoje reivindicada, no Brasil, pelo "Movimento Sem Terra" e outros. Genocídio comparável ao genocídio perpetrado pelo nazismo na segunda guerra mundial, mas os iluminados somente se lembram deste último; e caiu a "ditadura do proletariado" como um castelinho de cartas ao vento da praia.

Em nosso país, os movimentos de esquerda que se opuseram ao governo militar de armas na mão, exceção feita ao Partido Comunista Brasileiro, que permaneceu no campo institucional ou, como diziam, adotavam a "via pacífica" e, por isso mesmo, foi fortemente anatematizado pelos mencionados grupos guerrilheiros,  estes tinham em conta que, sem dinheiro para enfrentar um grande exército regular, necessitavam, preliminarmente, de dinheiro. Por consequência, não se configuraram como "grupos terroristas", como dizia a ditadura e hoje muitos repetem, mas como grupos de assaltantes de bancos, que, escondidos em "aparelhos" nos grandes centros urbanos,  não tinham como conquistar o povo para suas finalidades políticas. Desse modo, logo esses fins se transformaram em meros fins de sobrevivência, considerada a forte repressão que se organizou para combatê-los com ferocidade. Não obstante alguns assaltos bancários bem sucedidos, sucumbiram, de modo muito mais rápido que o crime organizado de hoje, que o Estado de Direito não consegue enfrentar e neutralizar. Não poderia ser de outra forma.

Mais uma vez ficou evidenciado que, sem o dinheiro acumulado pela "burguesia", não há como empreender um movimento revolucionário para derrubar o capitalismo. Ganhou corpo, nessa quadra, o pensamento do Partido Comunista Italiano, que, sob a condução de Enrico Berlinguer, deu azo ao "eurocomunismo". Seu princípio fundamental consistiu em que sua atividade política não se destinava a obter uma democracia formal, nos moldes do iluminismo, com todas suas liberdades individuais e coletivas, seus sistemas abertos de acesso ao poder pelas maiorias, simplesmente como um meio para atingir o socialismo, mas como um fim universal. Era a renúncia aos postulados marxistas e a adesão à sociedade de classes, à livre iniciativa de mercado, ao movimento social-democrata que sempre fustigaram, numa erronia histórica de graves consequências. Com efeito, se os comunistas se unissem aos social-democratas e os social-democratas aos comunistas, em defesa de um regime livre e democrático na Alemanha pré-guerra, com certeza o nacional socialismo não seria vitorioso e a segunda guerra mundial não eclodiria. A divisão da esquerda, considerada "lato sensu", permitiu que a segunda hecatombe do século passado levasse a vida e impusesse sofrimentos inolvidáveis a grande parte da humanidade.

Na última quadra política do Brasil, vimos a esquerda galgar o poder e sucumbir num presidencialismo de coalizão. O PT precisava incondicionalmente do velho e vil metal. Para obtê-lo, chafurdou-se no pantanal. Começou o "déblâque" com o episódio de Celso Daniel, depois as vilanias reveladas no  mensalão e nas operações da Polícia Federal, sobretudo a lava-jato. A proibição do financiamento de campanhas por pessoas jurídicas foi a pá de cal. O PT morreu. Se ressuscitará em novos moldes, só o futuro dirá.

Voltamos ao fenômeno insuperável da interligação dinheiro e esquerda. Esta, assim como a direita, definhou. Foram-se as ideologias em favor de visões de mundo pragmáticas; do estado do bem-estar social, considerado o regime democrático sensível à justiça social e a democracia dos direitos individuais e coletivos e das liberdades. E de um Estado menos pesado e abocanhador a fundo perdido. Para isso o Brasil precisa de todas as reformas consabidas, reiteradas nos discursos e jamais realizadas a contento. 

Amadeu Roberto Garrido de Paula - advogado e membro da Academia Latino-Americana de Ciências Humanas

 

Perda auditiva deve ser tratada para não inibir convívio

Perda auditiva deve ser tratada para não inibir convívio
É comum associarmos ao envelhecimento a inatividade, problemas de saúde e perda da independência. De fato, à medida que envelhecemos, estamos mais susceptíveis a doenças crônicas comuns da idade - como pressão alta e diabetes -, à perda de mobilidade e de memória. Mas muitas das limitações inerentes ao processo de envelhecimento podem ser amenizadas, como é o caso da perda de audição.
Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), o problema acomete um terço da população acima dos 65 anos e metade dos idosos com mais de 75 anos. No Brasil, de acordo com o IBGE, a população com mais de 60 anos ronda os 25 milhões, o que sugere um potencial enorme para incidência do problema.
Alguns sintomas como zumbidos e sensação de ouvido entupido podem indicar o início de uma perda auditiva. No convívio social, também é possível notar a limitação quando o idoso começa a falar muito alto ou muito baixo, porque não escuta a própria voz, a repetir perguntas por não entender as respostas e a ter dificuldade de se comunicar por telefone.
Quando há perda de audição, também é comum o idoso passar por situações constrangedoras, o que pode inibi-lo, a ponto de ele preferir evitar o convívio social. Ele diminui a frequência da ida à padaria, ao açougue ou ao supermercado, porque para ele o atendente fala muito baixo; fica mais introspectivo quando reunido em eventos sociais, porque as pessoas perdem a paciência com ele.
Ainda em 2014, nos Estados Unidos, um estudo do Instittuto Nacional de Surdez e Outras Desordens da Comunicação (U.S. National Institute on Deafness and Other Communication Disorders, no original) constatou que conforme a audição ia diminuindo aumentava o percentual de adultos com depressão, de 5 % para 11 % se considerados aqueles que tinham perda auditiva. Outra correlação preocupante foi identificada pela Universidade Johns Hopkins, que avaliou 2.017 pessoas de 40 a 69 anos e concluiu que a perda auditiva aumenta o risco de acidentes, como tropeços e quedas. Segundo a universidade americana, pessoas com perda de 25 dB (considerada leve) tinham triplicadas as chances de quedas.
Os idosos podem ter a audição prejudicada por fatores diversos, como a degeneração das células do ouvido ou por confusão mental, caso em que o idoso escuta, mas não entende. Um simples exame de audiometria pode indicar a perda de audição e, a partir dele, ser definido o tratamento. A partir dos 60 anos, esse é um exame de deve ser incluído no check-up anual.
A reabilitação, na maioria das vezes, comtempla o uso do aparelho auditivo. Atualmente, esses aparelhos são bastante confortáveis, mais acessíveis do que no passado, em termos de preço, e muito discretos. Há modelos de aparelhos auditivos altamente tecnológicos, com múltiplas funções e tamanhos bastante reduzidos. Alguns deles são capazes de amenizar 90 % das perdas auditivas, inclusive as mais severas. O mercado também já disponibiliza opções com tecnologia wireless, que captam inclusive o som de celulares.
Há casos de perda de audição, no entanto, em que há necessidade de implante coclear - também chamado de ouvido biônico - ou implantes de ouvido médio, que captam o som convertendo-o em vibrações mecânicas. Apenas o especialista pode indicar o tratamento mais apropriado, mas qualquer que seja a reabilitação o apoio da família irá colaborar enormemente para que o idoso se sinta mais confortável e motivado a encarar a perda auditiva e procurar ajuda médica.
Protelar o problema só agrava a exposição do idoso a doenças secundárias, privando-o de manter uma convivência plena e positiva com os amigos e familiares.
Andréa Abrahão - fonoaudióloga, diretora da rede de reabilitação auditiva Direito de Ouvir.

É comum associarmos ao envelhecimento a inatividade, problemas de saúde e perda da independência. De fato, à medida que envelhecemos, estamos mais susceptíveis a doenças crônicas comuns da idade - como pressão alta e diabetes -, à perda de mobilidade e de memória. Mas muitas das limitações inerentes ao processo de envelhecimento podem ser amenizadas, como é o caso da perda de audição.

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), o problema acomete um terço da população acima dos 65 anos e metade dos idosos com mais de 75 anos. No Brasil, de acordo com o IBGE, a população com mais de 60 anos ronda os 25 milhões, o que sugere um potencial enorme para incidência do problema.

Alguns sintomas como zumbidos e sensação de ouvido entupido podem indicar o início de uma perda auditiva. No convívio social, também é possível notar a limitação quando o idoso começa a falar muito alto ou muito baixo, porque não escuta a própria voz, a repetir perguntas por não entender as respostas e a ter dificuldade de se comunicar por telefone.

Quando há perda de audição, também é comum o idoso passar por situações constrangedoras, o que pode inibi-lo, a ponto de ele preferir evitar o convívio social. Ele diminui a frequência da ida à padaria, ao açougue ou ao supermercado, porque para ele o atendente fala muito baixo; fica mais introspectivo quando reunido em eventos sociais, porque as pessoas perdem a paciência com ele.

Ainda em 2014, nos Estados Unidos, um estudo do Instittuto Nacional de Surdez e Outras Desordens da Comunicação (U.S. National Institute on Deafness and Other Communication Disorders, no original) constatou que conforme a audição ia diminuindo aumentava o percentual de adultos com depressão, de 5 % para 11 % se considerados aqueles que tinham perda auditiva. Outra correlação preocupante foi identificada pela Universidade Johns Hopkins, que avaliou 2.017 pessoas de 40 a 69 anos e concluiu que a perda auditiva aumenta o risco de acidentes, como tropeços e quedas. Segundo a universidade americana, pessoas com perda de 25 dB (considerada leve) tinham triplicadas as chances de quedas.

Os idosos podem ter a audição prejudicada por fatores diversos, como a degeneração das células do ouvido ou por confusão mental, caso em que o idoso escuta, mas não entende. Um simples exame de audiometria pode indicar a perda de audição e, a partir dele, ser definido o tratamento. A partir dos 60 anos, esse é um exame de deve ser incluído no check-up anual.

A reabilitação, na maioria das vezes, comtempla o uso do aparelho auditivo. Atualmente, esses aparelhos são bastante confortáveis, mais acessíveis do que no passado, em termos de preço, e muito discretos. Há modelos de aparelhos auditivos altamente tecnológicos, com múltiplas funções e tamanhos bastante reduzidos. Alguns deles são capazes de amenizar 90 % das perdas auditivas, inclusive as mais severas. O mercado também já disponibiliza opções com tecnologia wireless, que captam inclusive o som de celulares.

Há casos de perda de audição, no entanto, em que há necessidade de implante coclear - também chamado de ouvido biônico - ou implantes de ouvido médio, que captam o som convertendo-o em vibrações mecânicas. Apenas o especialista pode indicar o tratamento mais apropriado, mas qualquer que seja a reabilitação o apoio da família irá colaborar enormemente para que o idoso se sinta mais confortável e motivado a encarar a perda auditiva e procurar ajuda médica.

Protelar o problema só agrava a exposição do idoso a doenças secundárias, privando-o de manter uma convivência plena e positiva com os amigos e familiares.

Andréa Abrahão - fonoaudióloga, diretora da rede de reabilitação auditiva Direito de Ouvir.


 
Página 4 de 15

Publicidade

Publicidade

Blogs

Enquete

Você é favor da convocação de Eleições Gerais no Brasil
 

Twitter CN

    Newsletter

    Expediente

    EXPEDIENTE
    Rua Santos Ferreira, 50
    Canoas - RS
    CEP 92020-000
    Fone: (51) 3032-3190
    e-mail: redacao@jornal
    correiodenoticias.com.br

    Banner
    Banner

    TurcoDesign - Agencia de Publicidade Digital