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Fala Serio

Perdas Financeiras e Suicídio.

Durante vinte anos, um empresário acumulou riquezas, mas não desfrutou tanto quanto seus filhos. Estes sim eram ricos: viajaram, hospedaram-se em bons hotéis e pagaram camarote para os amigos nas baladas. Bem como sua esposa também soube usufruir da riqueza e diferenciou dos anos de privações no início do casamento. Por muitos anos o empresário viveu diferente da sua família, por mais que acumulava, vivia com poucos recursos. Só usufruiu o que construiu porque sua esposa organizava as férias, as festas e os finais de semana quando estava em casa. Seu foco sempre foi o trabalho. E por que viveu assim? Para fugir da pobreza e não para se tornar rico. Assim o fez, seguindo o que escutou na infância: “caso não estudasse ficaria com subemprego”.

Diante dos outros se apresentava mais como o que possui bens do que pela sua pessoa. Ficava inseguro diante de pessoas com mais posses, sentia-se diminuído diante da maior parte dos amigos. Mesmo escutando que ele era uma excelente pessoa e percebendo que as pessoas gostavam dele, não conseguia acreditar e utilizava a riqueza como escudo social. Até que veio uma crise financeira, não conseguiu segurar os negócios e faliu. Foi um golpe tão duro que sua personalidade ruiu e consequentemente perdeu o equilíbrio emocional. A esposa entendeu a situação e procurou consolar o marido, mas ele como empresário sentiu-se fracassado e pessoalmente não se via encarando os amigos sem seu escudo social.

Não aceitou sua nova realidade, a única forma que se via era alicerçado no dinheiro e para salvar sua personalidade quis interromper o seu processo de pobreza e viu no suicídio uma forma de salvar-se. Uma forma equivocada, pois além de não resolver seus problemas, só virá mais à tona o motivo que o levou a cometer esse ato. Mas no desespero essa atitude aparece como alternativa. E infelizmente essa escolha ainda é bastante comum.

Nesse tipo de problema o processo de psicoterapia vai trabalhar a ressignificação do passado, compreendendo como foi sua educação e valores morais que trouxe para tomar as decisões em sua vida e mostrar a importância de construir o seu “Ser” mais do que o “Ter”. A riqueza precisa ser uma consequência da construção saudável do seu Ser e não uma fuga e um escuto contra a pobreza. Dessa forma a psicoterapia possibilitará o paciente tomar um outro ponto de vista sobre sua vida e voltar a construí-la.

Psicólogo Flávio Melo Ribeiro - CRP12/00449

 

O maior reconhecimento vem de você

Todos nós adoramos ser reconhecidos, ser celebrados, vistos, respeitados, por algo que a gente fez ou está fazendo. E muitas vezes quando nós não somos vistos, quando não somos reconhecidos, pode prestar atenção, que parte sua anda criticando seus progressos? Sim, porque o reconhecimento não está vindo no mundo, é a manifestação do reconhecimento que não está vindo de você.

Por exemplo, estamos aí passando da metade do ano. Talvez você tenha feito planos. Eu fiz vários projetos pessoais e profissionais. Quando eu fiz um balanço do que já tinha feito, eu percebi me criticando. Sabe, atualmente estou lançando um livro, e me cobro demais por ainda não ter feito isso, aquilo, quantos projetos estão pela metade. Eu me ouvi simplesmente invalidando, não reconhecendo os passos que eu dei. E, de repente, eu parei e prestei atenção. Porque é isso que é a consciência, que é a meditação. Quando eu me ouço e presto atenção no que estou fazendo comigo mesma. E comecei a falar: “Nossa, eu tenho um plano para esse ano, olha o tanto que eu já fiz, olha onde eu estava a um ano atrás, olha onde estou agora. Hoje eu consegui estar com meu livro impresso, já resolvi um monte de coisas da minha mudança desde que cheguei em São Paulo. No ano passado, eu não tinha nada disso, olha o quanto já andei. Parabéns, Nathalie!”

Ao contrário de nos punir e cobrar, podemos dizer para nós mesmos, que bom, olha o quanto você já fez. Comemora! Celebra! Aí sim, desse estado interior, mais reconhecido, mais honrado, mais visto por você mesmo, o mundo lá fora começa a te apoiar, começa a te parabenizar, a te reconhecer. Lembre-se, sempre o começo está dentro. Aquilo que eu falo para mim, aquilo que eu vivencio, eu produzo e reproduzo, tenho a resposta fora, na minha vida, nos meus relacionamentos, nas minhas conquistas. Então meu convite hoje é para você olhar para dentro e se perguntar. Eu estou reconhecendo os meus progressos? Eu estou de verdade dizendo parabéns, você fez muito?! Ainda faltam algumas coisas. Depois, a partir desse lugar reconhecido, traçar mais planos. Eu já disse e repito, você é tão bom quanto o seu estado interior. Se você estiver feliz com suas conquistas será muito mais fácil traçar novos planos!!!

Nathalie Favaron – terapeuta, coach e autora do recém-lançado O Reencontro

 

"A desigualdade no Brasil"

Tempos difíceis no mundo e no Brasil. Crise econômica profunda, desemprego, arrocho salarial, precarização dos direitos, violência crescente, migrantes em fuga, xenofobia, descontentamento com as instituições e insatisfação com a política compõem uma lista e tanto, mas são apenas parte dos problemas. Em busca de solução, há o desafio de entender o que está acontecendo, identificar causas e consequências. E há um desafio maior ainda que é transformar, pelo conhecimento, os problemas em questões que mobilizem a sociedade para atuar e intervir.

A desigualdade é uma das questões mais complicadas e a causa estrutural da maioria dos problemas que vivemos. Nasce na sociedade com e devido ao modo pelo qualse produz e distribui riqueza e renda. É isso que diz Thomaz Piketty no livro O capital no século XXI. Como afirma o autor, não há determinismo econômico na distribuição da renda e da riqueza, pois esta é uma construção histórica, feita em sociedade e, por isso, política. O debate sobre o que é justo e sobre as escolhas coletivas fazem parte do jogo social.

Recentemente (maio),a Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda divulgou, pela primeira vez,breve estudo com base nos dados do Imposto de Renda da Pessoa Física 2014-2015 (Relatório da Distribuição Pessoal da Renda e da Riqueza da População Brasileira). Disponível do site do Ministério, o trabalho permite uma comparação com os dados produzidos por Piketty.

O estudo analisa os dados do imposto de renda de 26,5 milhões de pessoas, de um universo de 101 milhões que trabalharam nesse período, ou seja, um quarto desse contingente. Examina o rendimento e a riqueza (bens e direitos) por faixa de salários mínimos e por decil e centil de renda(como se dividíssemos o grupo de 26,7 milhões em 10, 100 ou 1.000 grupos de igual tamanho).

As 26,7 mil pessoas que estão no topo da pirâmide detêm 6% de toda a renda e riqueza daqueles que declararam o imposto de renda. Este grupo ganha 6.100% a mais do que a renda média dos que declararam imposto de renda e têm um volume de riqueza (bens e direitos) 6.450% superior à média dos declarantes. Os dados para os 1% ou 5% mais ricos também são revoltantes.

Considere que esses dados comparam a renda e a riqueza entre aqueles que declaram imposto de renda. Há, porém,75 milhões de pessoas que estão no mundo do trabalho e não fazem declaração de IR,a grande maioria,justamente porque possui renda muito baixa. Incluindo-os na comparação, a desigualdade aumentará muito.

Considere ainda que esse dado trata de cada CPF, ou seja, de cada pessoa e que os ricos distribuem riqueza e renda entre os CPFs da família. Agregando CPFs de uma família,são obtidos números ainda mais assustadores de concentração de renda e riqueza num mesmo núcleo. E se for considerado ainda que se trata da renda e da riqueza de pessoas físicas e que os ricos detêm muito mais patrimônio e renda (lucro) como pessoas jurídicas, os números aumentam mais e mais. Levando em consideração ainda que muitos ricos, como revelam as operações denunciadas em paraísos fiscais, deixam parte relevante da riqueza escondida do fisco naqueles países, a riqueza dessas pessoas chega à estratosfera. Para expressar qualquer opinião sintética sobre essa situação toda, é necessárioum longo e sonoro palavrão.

A desigualdade revelada nesse importante relatório é de obrigatório conhecimento, pois é essencial para fundamentar uma atuação incisiva para a tributação sobre a renda, a riqueza e os dividendos. Há outros importantíssimos estudos sobre o tema, que valem comentários em outras oportunidades.

Com o trabalho é produzida muita renda e riqueza, que poderiam gerar bem-estar e qualidade de vida para todos. Mas o que acontece, o que se cria, éessa absurda desigualdade, que produz muitos dos problemas que abrem esse artigo. É fundamental atuar, intervir e transformar esse quadro perverso.

Clemente Ganz Lúcio é Sociólogo -  diretor técnico do DIEESE, membro do CDES – Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social e do Grupo Reindustrialização

 

Discutir reeleição é ignorar o grave momento nacional

A política brasileira anda aos trancos. Quando registra algum avanço em seguida sofre retrocesso. Atualmente estamos presenciando a incubação de mais um episódio que atesta esse ir e vir característico de nossa instabilidade, episódio esse fermentado pelos próprios políticos que demonstram não querer a solidez do sistema, mas levá-lo ao sabor de seus interesses. Trata-se da reeleição, que pela última minirreforma foi proscrita, ressalvada apenas para eleitos ainda sob os efeitos da norma anterior – caso dos prefeitos que neste ano poderão disputar um segundo mandato.

Reeleição no Brasil mostrou-se prejudicial ao sistema e à própria administração pública. Os mandatários tomam cuidados extremos na preservação da imagem objetivando conquistar novo mandato, prejudicando a gestão. Por exemplo, deixam de adotar projetos e medidas impopulares e chegam a esconder situações adversas mentindo ao povo. Foi o que se viu na campanha presidencial em 2014. Ao omitir a verdade e ocultar dificuldades prestam desserviço porque depois da eleição os problemas explodem com violência e a recuperação se torna lenta a dolorosa para todos. Prova disso são os problemas que o país enfrenta desde o ano passado.

A manutenção ou extinção da reeleição parece ser uma questão apenas de conveniência dos políticos, seus grupos e partido. Há menos de uma semana o presidente interino teve de fazer declaração pública contra o restabelecimento de reeleição, porque crescem confabulações e tratativas isoladas para a manutenção da reeleição presidencial. Aliados tratam abertamente do assunto, como fez o presidente da Câmara Rodrigo Maia, daí a manifestação oficial de Michel  Temer, talvez para evitar que houvesse inferência de que estivesse ele mesmo alimentando a ideia.

É inacreditável que as lideranças políticas esqueçam o Grave momento nacional que requer todos os esforços no sentido de superar os problemas e dificuldades. Deveriam usar a influência para contribuir com soluções, não para promover mais turbulência. Em verdade, estão preocupados com reeleição e outras maquinações interesseiras e buscam somente levar vantagem.

Luiz Carlos Borges da Silveira - empresário, médico e professor. Foi Ministro da Saúde e Deputado Federal

 

Mercado velho não aprende truque novo

O Frederich Nietzche disse uma vez que "a certeza é maior inimiga da verdade do que a mentira.". Bastante oportuno quando discutimos negócios internacionais, especialmente aqueles que envolvem posturas tão distintas.

Empresas de porte internacional quando chegam nas terras de Capitu (aquela, dos olhos negros como a graúna) tem dois caminhos a seguir: ou "abrasileiram-se" ou tentam impor seu modus operandi a nós. No segmento de hotéis e resorts não é diferente. Por certo que meus argumentos podem ser escrutinados em seu fundamento com uma simples olhada matemática no mercado, mas como eu tenho que encher uns toques vou dialogar com você.

Não existem marcas hoteleiras desenvolvidas pelos players internacionais para o mercado brasileiro, olhando para o hóspede brasileiro e suas necessidades. A marca melhor identificada conosco, é uma marca francesa que colou no gosto brazuca a ponto de se transformar em uma metonímia hoteleira: "veja se nesta cidade tem um hotel assim, tipo Ibis!". Entendeu?

Fora nossos amigos, herdeiros bem sucedidos de Villegagnon, ninguém conseguiu esta façanha. Por que? Porque a certeza ofende a realidade, substituindo a verdade do início. Marcas bem sucedidas na Croácia, podem não ser tão bem sucedidas no  Brasil, assim como no Peru ou México.

O negócio da consistência, da certeza per se, só se aplica a novos mercados depois de muita, mas muita pesquisa. Converse com a Carolina Narloch da empresa Mapie Especialistas Estratégicos e ela te explica.

Outro olhar sobre estrangeiros operando seus produtos por aqui com boas margens de lucro, seria sobre as montadoras de automóveis que, inteligentemente, desenvolveram carros no Brasil para os brasileiros. Das auto!

O desconhecimento e o desdém pelas regras do "Dr. Mercado" brasileiro funcionam como uma âncora no crescimento de empresas hoteleiras americanas, pesando tanto que apenas permitem a sobrevivência em duas capitais e, mesmo assim, com seus próprios investimentos.

Outra marca americana, entretanto, já conta seus hotéis do Oiapoque ao Chuí as dezenas, pois entendeu o querem os investidores e clientes brasileiros. Aprendeu rápido as tais "rules of the engagement" e está indo bem, considerando nosso cenário nos atuais dias de Temer.

Operar em um país com as dimensões e características culturais do Brasil exige profundo estudo e presença local intensiva, principalmente com poder de decisão, e adaptação aos diferentes modelos de negócio praticados por aqui.

Não agir assim, certamente levará estas marcas a transformar seu desejo de implantar hotéis no modelo "plug and play" (ligue e opere) para a realidade de desenvolvimento "plug and pray" (ligue e reze).

Enquanto isso, o Patrick Mendes e sua trupe furiosa continua a cozinhar um hotel por dia, conquistando o Brasil tal e qual queria seu compatriota, o tal Nicolas de Villegagnon.

"Well done", devem estar dizendo os inimigos.

Julio Gavinho - executivo da área de hotelaria com 30 anos de experiência, fundador da doispontozero Hotéis e criador da marca ZiiHotel.

 

Intimações em processos tributários necessitam de atenção especial de contribuintes

São tantos os impostos a serem pagos por empresas e cidadãos que é necessário ficar atento e questionar quando a exigência é indevida. Se inteirar sobre o assunto e tentar entender os tramites legais pode evitar um prejuízo desnecessário. Em regra, a cobrança dos tributos devidos pelos contribuintes inicia-se em âmbito administrativo, com a lavratura de um Auto de Infração e Imposição de Multas (AIIM). Com o AIIM, o contribuinte deve ser intimado para apresentar defesa administrativa, com base nos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa, iniciando-se o processo administrativo, até que seja proferida decisão final dessa etapa, onde após, se for o caso, pode se buscar, ainda, a via Judicial.

Ocorre que no Estado de São Paulo, muitos contribuintes não estão sendo regularmente intimados dos atos processuais praticados em âmbito administrativo, o que está ocasionando-lhes enormes prejuízos, mormente com a cobrança judicial antecipada desses débitos por meio de execução fiscal, que culmina, não raras às vezes, em uma rápida constrição de bens ou de ativos financeiros (mais conhecida como penhora on line). A intimação de atos de processos administrativos, pela imprensa oficial, está prevista no artigo 9º da Lei Estadual nº 13.457/09.

Contudo, sobreveio a edição da Lei Estadual nº 13.918/09, que instituiu o Domicílio Eletrônico do Contribuinte (DEC) e dispensou a publicação na imprensa oficial. Isso porque, a comunicação realizada pela Secretaria da Fazenda, e dirigida ao DEC, é considerada intimação pessoal, para todos os efeitos legais.

Ocorre que ainda assim, a Administração Pública tem expedido diversas intimações pelo Diário Oficial Eletrônico, o que faz com que os contribuintes não recebam referida intimação e, por conta disso, sejam prejudicados com a finalização antecipada do processo administrativo.

A publicação no Diário Oficial Eletrônico, embora legalmente prevista, é excepcional e não poderia ter sido realizada, pois, repita-se, o DEC foi adotado, pela própria Administração Pública, como o meio de comunicação ao contribuinte, sob pena de ofensa aos princípios do Contraditório e ampla defesa. Diante deste fato, é de suma importância que todos os contribuintes que tenham sofrido a lavratura de um AIIM verifiquem se foram devidamente intimados de todos os atos, em especial das decisões de primeira e segunda instância administrativa.

Em não tendo sido, é possível o ajuizamento de medidas judiciais para que sejam declarados nulos todos os atos praticados posteriormente à intimação irregular, haja vista a flagrante violação dos princípios da boa fé, da ampla defesa e do contraditório, pela mudança abrupta na forma de comunicação processual estabelecida, prejudicando o direito de recorrer na esfera administrativa. Nosso escritório já patrocinou diversas causas versando exatamente sobre esse caso e obtivemos êxito em 100% das demandas, o que fez com que fossem reabertos os prazos para que houvesse o regular desenvolvimento do processo administrativo tributário, suspendendo, inclusive, execuções fiscais que já haviam sido distribuídas de forma antecipada.

Conclui-se assim que, uma vez sofrido Autuação Fiscal (AIIM), importante que um profissional especializado em Direito Tributário, com bom conhecimento técnico em processo administrativo tributário seja consultado para orientar os melhores caminhos e, se for o caso, defender a autuação de todas as maneiras legalmente viáveis, para que prejuízos ainda maiores não sejam sofridos.

Beatriz Dainese - sócia da Giugliani Advogados

 
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