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Fala Serio

Ouro

Não és metal, transcendes o real

 

És um símbolo, o ignoto que nasceu

Antes do homem e da linguagem

Tens o poder do coração, sua nobreza

É muito mais que matéria, é o sentido

Do divino e do humano que  somam

Os mistérios do desconhecido e do mágico.

Não à-toa Deus o fez raro, ouro,

Sabia que o humano precisa de símbolos

Para celebrar seus feitos dignos de seus desígnios.

Ouro que não se compra com prata

Ouro que abominas os que o aviltam

Como se, simplesmente, fosses uma coisa triste

Que inescrupulosos confundem com seu ser indefectível.

Brasileiros fortes, todos, são como seus heróis

Que choraram com as medalhas sobre o peito

Fiquem certos de que, para além dos metais,

Encontraremos o caminho do segredo da gruta

Onde o ouro de nosso destino nos aguarda

Em que pesem os pedregulhos da dura história.

Amadeu Roberto Garrido de Paula - advogado e poeta. Autor do livro Universo Invisível e membro da Academia Latino-Americana de Ciências Humanas.

 

Olimpíadas X empreendedorismo: é em time que está ganhando que se mexe

Em tempos de Olimpíadas, as analogias do esporte com o mundo corporativo tornam-se abundantes. Por exemplo, estamos assistindo Michael Phelps batendo todos os recordes da natação e sendo caracterizado como um fenômeno. É claro que Phelps é um esportista dotado de uma precondição física excepcional, mas apenas isso não foi suficiente para que ele voltasse ao auge depois de todas as suas conquistas do passado. Após colecionar medalhas em Olimpíadas anteriores, ele enfrentou uma crise pessoal aguda e foi obrigado a se reinventar por completo para retornar ao topo. Para ficarmos no mesmo esporte, Ryan Lochte conquistou suas medalhes olímpicas ao criar uma inovadora técnica de virada de costas que o fazia ganhar preciosos segundos. Entretanto, até mesmo essa incrível inovação acabou superada e, no Rio de Janeiro, na falta de um novo salto evolutivo, ele teve que se contentar em deixar os jogos sem medalhas.

Em nada a história dos nossos nadadores é diferente de muitas corporações. A história está cheia de exemplos de empresas líderes que retrocederam a ponto de desaparecer ou, no mínimo, serem forçadas a uma completa reinvenção. Quem se lembra de PanAm, Compaq, Polaroid, Novell e Digital Equipment Company, entre outras? Chamamos a essas empresas de dinamicamente conservadoras.

O que faz com que empresas referência tomem rumo tão desastroso? É simples! A letargia e conservadorismo trazidos pelo sucesso! A empresa nasce, desenvolve produtos ou serviços inovadores e, a partir daí, é tomada pelo medo de correr riscos. A prioridade passa a ser continuar fazendo o que está dando certo, a fim de perpetuar os bons resultados. Ryan Lochte talvez tenha acreditado que a inovação que ele criou anos atrás seria suficiente para mantê-lo entre os primeiros. Da mesma forma, empresas caem nessa armadilha porque se esquecem de que foi exatamente sua capacidade de inovar e correr riscos que as fez evoluir. Ao adotar essa postura conservadora, se esquecem de que os caminhos que asseguram sucesso futuro quase nunca são os que trouxeram a prosperidade presente e, assim, caminham inexoravelmente para o abismo.

Lembre-se dessa importante lição quando estiver planejando o futuro do seu empreendimento. A busca pela inovação deve ser constante. Em um mercado cuja única lógica é a irracionalidade e onde a única certeza é a mudança, dormir sobre as vitórias conquistadas pode ser a receita para o fracasso.

Allan Costa - palestrante, empreendedor, investidor-anjo e mentor de startups.

 

Perdas Financeiras e Suicídio.

Durante vinte anos, um empresário acumulou riquezas, mas não desfrutou tanto quanto seus filhos. Estes sim eram ricos: viajaram, hospedaram-se em bons hotéis e pagaram camarote para os amigos nas baladas. Bem como sua esposa também soube usufruir da riqueza e diferenciou dos anos de privações no início do casamento. Por muitos anos o empresário viveu diferente da sua família, por mais que acumulava, vivia com poucos recursos. Só usufruiu o que construiu porque sua esposa organizava as férias, as festas e os finais de semana quando estava em casa. Seu foco sempre foi o trabalho. E por que viveu assim? Para fugir da pobreza e não para se tornar rico. Assim o fez, seguindo o que escutou na infância: “caso não estudasse ficaria com subemprego”.

Diante dos outros se apresentava mais como o que possui bens do que pela sua pessoa. Ficava inseguro diante de pessoas com mais posses, sentia-se diminuído diante da maior parte dos amigos. Mesmo escutando que ele era uma excelente pessoa e percebendo que as pessoas gostavam dele, não conseguia acreditar e utilizava a riqueza como escudo social. Até que veio uma crise financeira, não conseguiu segurar os negócios e faliu. Foi um golpe tão duro que sua personalidade ruiu e consequentemente perdeu o equilíbrio emocional. A esposa entendeu a situação e procurou consolar o marido, mas ele como empresário sentiu-se fracassado e pessoalmente não se via encarando os amigos sem seu escudo social.

Não aceitou sua nova realidade, a única forma que se via era alicerçado no dinheiro e para salvar sua personalidade quis interromper o seu processo de pobreza e viu no suicídio uma forma de salvar-se. Uma forma equivocada, pois além de não resolver seus problemas, só virá mais à tona o motivo que o levou a cometer esse ato. Mas no desespero essa atitude aparece como alternativa. E infelizmente essa escolha ainda é bastante comum.

Nesse tipo de problema o processo de psicoterapia vai trabalhar a ressignificação do passado, compreendendo como foi sua educação e valores morais que trouxe para tomar as decisões em sua vida e mostrar a importância de construir o seu “Ser” mais do que o “Ter”. A riqueza precisa ser uma consequência da construção saudável do seu Ser e não uma fuga e um escuto contra a pobreza. Dessa forma a psicoterapia possibilitará o paciente tomar um outro ponto de vista sobre sua vida e voltar a construí-la.

Psicólogo Flávio Melo Ribeiro - CRP12/00449

 

O maior reconhecimento vem de você

Todos nós adoramos ser reconhecidos, ser celebrados, vistos, respeitados, por algo que a gente fez ou está fazendo. E muitas vezes quando nós não somos vistos, quando não somos reconhecidos, pode prestar atenção, que parte sua anda criticando seus progressos? Sim, porque o reconhecimento não está vindo no mundo, é a manifestação do reconhecimento que não está vindo de você.

Por exemplo, estamos aí passando da metade do ano. Talvez você tenha feito planos. Eu fiz vários projetos pessoais e profissionais. Quando eu fiz um balanço do que já tinha feito, eu percebi me criticando. Sabe, atualmente estou lançando um livro, e me cobro demais por ainda não ter feito isso, aquilo, quantos projetos estão pela metade. Eu me ouvi simplesmente invalidando, não reconhecendo os passos que eu dei. E, de repente, eu parei e prestei atenção. Porque é isso que é a consciência, que é a meditação. Quando eu me ouço e presto atenção no que estou fazendo comigo mesma. E comecei a falar: “Nossa, eu tenho um plano para esse ano, olha o tanto que eu já fiz, olha onde eu estava a um ano atrás, olha onde estou agora. Hoje eu consegui estar com meu livro impresso, já resolvi um monte de coisas da minha mudança desde que cheguei em São Paulo. No ano passado, eu não tinha nada disso, olha o quanto já andei. Parabéns, Nathalie!”

Ao contrário de nos punir e cobrar, podemos dizer para nós mesmos, que bom, olha o quanto você já fez. Comemora! Celebra! Aí sim, desse estado interior, mais reconhecido, mais honrado, mais visto por você mesmo, o mundo lá fora começa a te apoiar, começa a te parabenizar, a te reconhecer. Lembre-se, sempre o começo está dentro. Aquilo que eu falo para mim, aquilo que eu vivencio, eu produzo e reproduzo, tenho a resposta fora, na minha vida, nos meus relacionamentos, nas minhas conquistas. Então meu convite hoje é para você olhar para dentro e se perguntar. Eu estou reconhecendo os meus progressos? Eu estou de verdade dizendo parabéns, você fez muito?! Ainda faltam algumas coisas. Depois, a partir desse lugar reconhecido, traçar mais planos. Eu já disse e repito, você é tão bom quanto o seu estado interior. Se você estiver feliz com suas conquistas será muito mais fácil traçar novos planos!!!

Nathalie Favaron – terapeuta, coach e autora do recém-lançado O Reencontro

 

"A desigualdade no Brasil"

Tempos difíceis no mundo e no Brasil. Crise econômica profunda, desemprego, arrocho salarial, precarização dos direitos, violência crescente, migrantes em fuga, xenofobia, descontentamento com as instituições e insatisfação com a política compõem uma lista e tanto, mas são apenas parte dos problemas. Em busca de solução, há o desafio de entender o que está acontecendo, identificar causas e consequências. E há um desafio maior ainda que é transformar, pelo conhecimento, os problemas em questões que mobilizem a sociedade para atuar e intervir.

A desigualdade é uma das questões mais complicadas e a causa estrutural da maioria dos problemas que vivemos. Nasce na sociedade com e devido ao modo pelo qualse produz e distribui riqueza e renda. É isso que diz Thomaz Piketty no livro O capital no século XXI. Como afirma o autor, não há determinismo econômico na distribuição da renda e da riqueza, pois esta é uma construção histórica, feita em sociedade e, por isso, política. O debate sobre o que é justo e sobre as escolhas coletivas fazem parte do jogo social.

Recentemente (maio),a Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda divulgou, pela primeira vez,breve estudo com base nos dados do Imposto de Renda da Pessoa Física 2014-2015 (Relatório da Distribuição Pessoal da Renda e da Riqueza da População Brasileira). Disponível do site do Ministério, o trabalho permite uma comparação com os dados produzidos por Piketty.

O estudo analisa os dados do imposto de renda de 26,5 milhões de pessoas, de um universo de 101 milhões que trabalharam nesse período, ou seja, um quarto desse contingente. Examina o rendimento e a riqueza (bens e direitos) por faixa de salários mínimos e por decil e centil de renda(como se dividíssemos o grupo de 26,7 milhões em 10, 100 ou 1.000 grupos de igual tamanho).

As 26,7 mil pessoas que estão no topo da pirâmide detêm 6% de toda a renda e riqueza daqueles que declararam o imposto de renda. Este grupo ganha 6.100% a mais do que a renda média dos que declararam imposto de renda e têm um volume de riqueza (bens e direitos) 6.450% superior à média dos declarantes. Os dados para os 1% ou 5% mais ricos também são revoltantes.

Considere que esses dados comparam a renda e a riqueza entre aqueles que declaram imposto de renda. Há, porém,75 milhões de pessoas que estão no mundo do trabalho e não fazem declaração de IR,a grande maioria,justamente porque possui renda muito baixa. Incluindo-os na comparação, a desigualdade aumentará muito.

Considere ainda que esse dado trata de cada CPF, ou seja, de cada pessoa e que os ricos distribuem riqueza e renda entre os CPFs da família. Agregando CPFs de uma família,são obtidos números ainda mais assustadores de concentração de renda e riqueza num mesmo núcleo. E se for considerado ainda que se trata da renda e da riqueza de pessoas físicas e que os ricos detêm muito mais patrimônio e renda (lucro) como pessoas jurídicas, os números aumentam mais e mais. Levando em consideração ainda que muitos ricos, como revelam as operações denunciadas em paraísos fiscais, deixam parte relevante da riqueza escondida do fisco naqueles países, a riqueza dessas pessoas chega à estratosfera. Para expressar qualquer opinião sintética sobre essa situação toda, é necessárioum longo e sonoro palavrão.

A desigualdade revelada nesse importante relatório é de obrigatório conhecimento, pois é essencial para fundamentar uma atuação incisiva para a tributação sobre a renda, a riqueza e os dividendos. Há outros importantíssimos estudos sobre o tema, que valem comentários em outras oportunidades.

Com o trabalho é produzida muita renda e riqueza, que poderiam gerar bem-estar e qualidade de vida para todos. Mas o que acontece, o que se cria, éessa absurda desigualdade, que produz muitos dos problemas que abrem esse artigo. É fundamental atuar, intervir e transformar esse quadro perverso.

Clemente Ganz Lúcio é Sociólogo -  diretor técnico do DIEESE, membro do CDES – Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social e do Grupo Reindustrialização

 

Discutir reeleição é ignorar o grave momento nacional

A política brasileira anda aos trancos. Quando registra algum avanço em seguida sofre retrocesso. Atualmente estamos presenciando a incubação de mais um episódio que atesta esse ir e vir característico de nossa instabilidade, episódio esse fermentado pelos próprios políticos que demonstram não querer a solidez do sistema, mas levá-lo ao sabor de seus interesses. Trata-se da reeleição, que pela última minirreforma foi proscrita, ressalvada apenas para eleitos ainda sob os efeitos da norma anterior – caso dos prefeitos que neste ano poderão disputar um segundo mandato.

Reeleição no Brasil mostrou-se prejudicial ao sistema e à própria administração pública. Os mandatários tomam cuidados extremos na preservação da imagem objetivando conquistar novo mandato, prejudicando a gestão. Por exemplo, deixam de adotar projetos e medidas impopulares e chegam a esconder situações adversas mentindo ao povo. Foi o que se viu na campanha presidencial em 2014. Ao omitir a verdade e ocultar dificuldades prestam desserviço porque depois da eleição os problemas explodem com violência e a recuperação se torna lenta a dolorosa para todos. Prova disso são os problemas que o país enfrenta desde o ano passado.

A manutenção ou extinção da reeleição parece ser uma questão apenas de conveniência dos políticos, seus grupos e partido. Há menos de uma semana o presidente interino teve de fazer declaração pública contra o restabelecimento de reeleição, porque crescem confabulações e tratativas isoladas para a manutenção da reeleição presidencial. Aliados tratam abertamente do assunto, como fez o presidente da Câmara Rodrigo Maia, daí a manifestação oficial de Michel  Temer, talvez para evitar que houvesse inferência de que estivesse ele mesmo alimentando a ideia.

É inacreditável que as lideranças políticas esqueçam o Grave momento nacional que requer todos os esforços no sentido de superar os problemas e dificuldades. Deveriam usar a influência para contribuir com soluções, não para promover mais turbulência. Em verdade, estão preocupados com reeleição e outras maquinações interesseiras e buscam somente levar vantagem.

Luiz Carlos Borges da Silveira - empresário, médico e professor. Foi Ministro da Saúde e Deputado Federal

 
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