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Fala Serio

Beleza e relacionamento amoroso

Anos atrás fui convidado à realizar um workshop de relacionamento amoroso numa universidade do interior de Santa Catarina, num evento denominado semana da psicologia, nesse evento apresentei como fio condutor da palestra a importância de um relacionamento amoroso proporcionar condições para que o outro seja feliz e com isso criar um ambiente propício a sua própria felicidade. Em determinado momento veio a discussão sobre a beleza e o quanto isso era levado em consideração numa relação amorosa.

Hoje em dia são gastos bilhões de reais na busca da melhor aparência, de um corpo saudável, bonito e acima de tudo atraente. Isto tudo dentro de um padrão de beleza difundido pela mídia e apoiado pelas indústrias que se beneficiam. Diante disso, a beleza ajuda na atração inicial entre as pessoas? Sem dúvida que sim. Mas garante o sucesso do relacionamento? Não! Por mais bonita e legal que seja uma pessoa, um dia a idade leva a beleza embora. Também há pessoas belas que ninguém quer por perto em função do seu comportamento, outras bastam abrir a boca e imediatamente se tornam desinteressantes. Além disso a beleza é particular, as pessoas variam no gosto e no que acham importante. Mas se não é a beleza que contribui de forma primordial para a longevidade do relacionamento amoroso, o que é mais importante?

Uma vez li um artigo que recomendava a pessoa casar-se com alguém que gostasse de conversar, pois na velhice é isso que vai sobrar. Outro texto citava que escolhesse alguém que fizesse seu mundo mais bonito. Mas realmente tem algum ponto que contribui de forma primordial para longevidade do relacionamento? Na realidade é um conjunto de fatores que ajudam, nesse artigo vou citar um. A psicologia identificou que toda pessoa, desde pequena, forma um Projeto de Ser determinada pessoa no mundo e busca durante sua vida realiza-lo. Quando identifica que a pessoa que está se relacionando amorosamente é importante para realização do seu projeto, tende a sentir-se mais próximo e a manter laços.

Caro leitor, talvez você esteja se questionando: mas como identifico meu Projeto de Ser, porque isso é importante e porque o outro, através das afinidades de projetos, é fundamental na minha vida? Este será o tópico do artigo da semana que vem.

Psicólogo Flávio Melo Ribeiro - CRP12/00449

 

A estratégia perversa da indústria do tabaco

No ano 2000, lei federal proibiu a propaganda dos cigarros nos grandes meios de comunicação, como TVs, jornais e rádios. Em 2011, outra legislação apertou ainda mais o cerco: anúncios nos pontos de venda foram vetados. A indústria do tabaco, porém, reagiu. E da forma mais perversa possível: atraindo jovens e crianças para o tabagismo com a estratégia de expor seus produtos em meio a doces e chocolates nos pontos de venda, além de utilizar embalagens coloridas e atraentes.

No Brasil, a imensa maioria dos fumantes (80%) dá sua primeira tragada antes dos 18 anos de idade. Em média, no mundo, é aos 15 que acontece o primeiro contato com o cigarro – produto que mata dois a cada três de seus usuários. Para entender como a indústria tabagista busca driblar a proibição da propaganda, a Fundação do Câncer e o Instituto Nacional de Câncer (Inca) realizaram aPesquisa Pontos de Venda de Produtos Derivados do Tabaco: Estratégias de Marketing.

A técnica de investigação adotada foi a de cliente oculto. Durante dois meses, junho e julho de 2015, visitamos 54 pontos de venda de cigarros. Eram bancas, padarias, lojas de conveniência de postos de gasolina e bares nas cidades de Rio de Janeiro e Teresópolis, no Estado do Rio de Janeiro; São Paulo e Embú das Artes, em São Paulo; e Porto Alegre e Santa Cruz do Sul, no Rio Grande do Sul. As conclusões foram estarrecedoras.

Como se não bastasse estarem posicionados perto de balas, chicletes e outros produtos com apelo infantil, os maços de cigarros também são encontrados frequentemente juntos aos caixas, por onde todo o público é obrigado a passar. Além disso, em muitas ocasiões são organizados em mosaicos coloridos nos displays, simulando grandes painéis. Isso sem falar em paredes inteiras revestidas com material especial, repetindo as cores da embalagem do produto exposto, e a iluminação forte nas ‘vitrines’.

Portanto, com a proibição da propaganda de produtos de tabaco nos pontos de venda, a indústria passou a investir pesadamente nestas artimanhas para continuar atraindo novos consumidores. As advertências de malefícios à saúde ocupam uma face dos maços, mas a outra continua sendo cada vez mais trabalhada para chamar a atenção e, principalmente, passar a impressão de que aquele produto não é nocivo.

Tramitam no Congresso Nacional três projetos de lei que determinam a padronização das embalagens de produtos de tabaco. Todas deverão se apresentar numa cor padrão, sem desenhos ou quaisquer outros artifícios gráficos e possuir o mesmo tipo de letra. Legislações neste sentido já foram adotadas na Austrália. França, Reino Unido e Canadá deverão seguir o mesmo caminho.

Acreditamos que a medida se faz necessária com urgência no Brasil, para dizer o mínimo. Não é possível que um produto que causa dependência, doença e morte, e que ainda por cima tem autorização para ser comercializado de forma legal, possa continuar direcionando seus esforços livremente a crianças e adolescentes. Afinal, trata-se de um público cujas escolhas sofrem grande interferência de estratégias de propaganda como as da indústria do tabaco, que travestem de inofensivos comportamentos de risco, como fumar.

Cristina Perez, - psicóloga, consultora técnica da Fundação do Câncer


 

As vantagens do crédito cooperativo em momento de incerteza econômica

Quando o momento econômico está turbulento e incerto, toda precaução com as finanças é pouca. Uma opção vantajosa, ante os bancos tradicionais, é ser cooperado de uma instituição financeira cooperativa, que é uma associação de pessoas, sem fins lucrativos, com o objetivo de propiciar produtos e serviços financeiros exclusivamente aos seus associados. Uma das principais vantagens é ser dono do negócio, podendo participar das assembleias, opinar e votar nas decisões.

A crise econômica já afeta o bolso das famílias brasileiras. Ao contrário dos bancos, que estão restringindo o crédito, as cooperativas ampliam a sua concessão, contribuindo, dessa forma, para que as pessoas físicas e jurídicas tenham acesso aos produtos e serviços financeiros para conseguir passar pela turbulência econômica que assola o país.

A lógica das instituições financeiras cooperativas é distinta da de um banco comercial. O principal objetivo é o benefício ao cooperado por meio da expansão do crédito a custos acessíveis. Isso só é possível porque o próprio participante aporta recursos no sistema. Em um quadro de contração econômica e escassez de recursos, a alternativa do crédito cooperativo é ainda mais atrativa.

Enquanto nas demais instituições financeiras se busca o capital, no cooperativismo de crédito o foco é o associado. É evidente que a cooperativa precisa obter bons resultados para arcar com seus custos e ainda dividir com os cooperados as sobras. E esta divisão será proporcional a utilização que o mesmo faz dos mesmos. Quanto mais se utiliza, maior é a participação nos resultados; e, por não terem lucro, são isentas de tributação, que implica em mais vantagem, pois, não havendo tributos, as instituições financeiras cooperativas podem praticar taxas de juros e tarifas menores que as dos bancos.

A base de captação dos recursos está nos próprios membros da cooperativa. Os cooperados aportam recursos no sistema a fim de usufruírem dos seus benefícios. É um custo de capital muito competitivo, remunerado a taxas de mercado (Selic) mais as sobras apuradas a cada exercício financeiro. Além disso, devido a esta característica, a taxa de inadimplência, apesar do aumento no atual cenário, é significativamente menor que a média do mercado uma vez que o próprio cooperado é dono do negócio. No caso da Unicred, em particular, a inadimplência das operações de crédito é ainda menor que a de seus pares, pois o associado tem um perfil de renda média elevada e estabilidade financeira.

Não podemos deixar de citar outros dois estímulos que contribuem para que as instituições financeiras cooperativas tenham este diferencial. Um deles faz parte do ato cooperativo, mencionado na constituição de 1988, que prevê a não tributação das operações realizadas entre cooperados e Cooperativas e o outro, que é o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) que incide nas operações de crédito com alíquota menor em cooperativas de crédito. Por isso, o sistema cooperativo, comparado ao sistema financeiro tradicional, vem, desde 2008, crescendo mais.

Leo Trombka - médico cardiologista, presidente do Conselho de Administração da UNICRED Brasil, vice-presidente do Conselho de Administração do FGCoop e coordenador nacional do CECO.

 

Oh tempora

Oh tempora frios dissolutórios de meus ossos

Embaçadores de meus olhos que não se abrem

De minha alma rígida, enrugada por reveses

Atacas covardemente nas noites ingratas

Dos sonhos que me tornam vítima e não senhor

Oh tempora que, entretanto, me transportam

Ao primeiro crepúsculo remédio feito do sal

Que os cicatrizam vindos dos raios da manhã

Oh tempora, agora novos, aquecidos pelo sol

Trará as novas esperanças e recriarás o homem

Outrora, na implacável noite, claudicante

Às portas da última morada do corpo insólito

Libertadores das ondas que bailarão no cosmos

Oh tempora, aterrorizam-me, no mal do século

E voltam a dizer que agigantei-me como Witman

Fizeram-me resistente como a cegueira de Borges

Que seria da melancolia das poesias da rendição

Não fossem, oh tempora, suas mudanças no espírito

A revivescer a alma, agitar os músculos e os ossos

Que os sonhos isolados pareceram derruir em negras

nuvens que ameaçaram cair e se foram aos ventos.

Amadeu Garrido- advogado e poeta. autor do livro Universo Invisível, membro da Academia Latino-Americana de Ciências Humanas.

 

Os Contadores e o Conselho de Contabilidade

Há certas coisas na profissão contábil difíceis de ser entendidas. Uma delas é por que o Contador não tem o seu valor devidamente reconhecido pela sociedade, sendo ele o profissional que estuda o patrimônio monetário das pessoas jurídicas para detectar os problemas e sugerir as soluções; e quem elabora as demonstrações contábeis, dando segurança aos gestores, investidores, concedentes de créditos, governo, e, especialmente, à sociedade, protegendo a fonte de trabalho e renda. São as pessoas jurídicas que geram emprego e que pagam tributos.

Esta falta de valorização da profissão contábil está diretamente relacionada ao crescente desinteresse dos jovens pelo estudo da Ciência Contábil.

A profissão contábil foi a quarta profissão regulamentada no Brasil. Entre os conselhos profissionais, o primeiro a ser regulamentado foi a Ordem dos Advogados, em 1930; o segundo foi o Conselho de Engenharia, em 1933; o terceiro, o Conselho de Medicina, em 1945; e, o quarto, o Conselho de Contabilidade, em 1946. Porém, as responsabilidades e as regalias profissionais dadas aos “Guarda-Livros” e aos “Peritos-Contadores” tiveram início em 1931, com a implantação do ensino comercial no Brasil.

Até 1946, a profissão contábil gozava de grande reputação junto à sociedade. Os contadores atuavam na “prestação de contas” e tinham o direito de preferência no provimento do cargo de fiscal de tributos.

A partir de 1946, com a criação do Conselho de Contabilidade, a profissão começa a perder o status social que detinha e a enfrentar uma série de problemas, a ponto de hoje a sociedade não saber mais para que serve o Contador. Desde então, a entidade vem sendo comandada pelo mesmo grupo, com as mesmas ideias e a mesma agenda política, o que contribuiu sensivelmente para o declínio de prestígio da profissão.

Em 2005, na tentativa de mudar a forma de gerir o Conselho Federal de Contabilidade, foi sancionada a Lei 11.160, que determinou que o CFC deve ser constituído por um representante efetivo de cada Conselho Regional. Esta Lei até hoje não foi cumprida pelo Conselho.

Em 2008, o Conselho Federal criou um sistema eleitoral centralizado para monitorar as eleições nos conselhos regionais, a fim de que as oposições não vencessem os pleitos. Além disso, engendrou mecanismos para subordinar todos os membros do universo contábil no intuito de minar qualquer oposição contra a sua gestão.

Para piorar ainda mais a situação, o Conselho quer agora que os contadores sejam avaliados para poder trabalhar, obrigando-os a participarem de cursos de educação continuada, de forma permanente. E o diploma deixa de ser um direito adquirido dos profissionais...

Para dar um basta nesta situação, os contadores precisam estar unidos. Do contrário, em breve, a categoria deixará de existir como uma profissão de interesse social e passará a ser movida apenas de acordo com os interesses de um grupo cuja intenção é ter controle total sobre a forma de elaborar e de ajustar as demonstrações contábeis para poder manipular a riqueza nacional.

Salézio Dagostim - contador; pesquisador contábil; professor da Escola Brasileira de Contabilidade (EBRACON)

 

Rodrigo Maia e a Presidência da Câmera dos Deputados

Rodrigo Maia e a Presidência da Câmera dos Deputados
Rodrigo Augusto Prando
A Câmara dos Deputados conhece, desde quarta-feira (13/07) seu novo Presidente: Rodrigo Maia. A disputa se deu numa eleição que ultrapassou uma dezena de candidatos, contudo, os três favoritos eram: Rodrigo Maia (DEM), Rogério Rosso (PSD) e Marcelo Castro (PMDB). Maia representava os seguintes partidos: DEM, PSDB, PPS e SD; Rosso, por sua vez, congregava apoio do Centrão (partidos de centro-direita que formaram a base do Governo Dilma – PSD, PP, PR,  PTB, PROS, PSC, PRB, PEN, PTN, PHS e PSL) e, além disso, é tido como aliado de Eduardo Cunha; e, finalmente, Castro que é do PMDB, mas foi Ministro de Dilma e votou contra o processo de impeachment na Câmara, tendo, principalmente, apoio de PT, PDT e PC do B.
Com votação em dois turnos, Maia disputou o segundo escrutínio com Rosso, tendo vencido por 258 a 170 votos. Com Rodrigo Maia o DEM volta a protagonizar papel de destaque na política nacional. Tendo características de um perfil conciliador e conectado à agenda econômica do governo interino de Michel Temer, sua vitória foi considerada como assaz importante pelo Planalto. O grande ataque palaciano foi contra a possível eleição de Marcelo Castro e sua votação apresenta, simbolicamente, a diminuição do capital político de Lula, de Dilma e do PT – esses todos saíram diminuídos da disputa. Pior cenário, contudo, se apresenta a Lula, pois sua sequência como articulador político mostrou-se desastrosa: não conseguiu se tornar ministro de Dilma, fez negociações para barrar o impeachment na Câmara e não se deu bem e, agora, nova saraivada em sua imagem política. Arrisco-me, inclusive, a afirmar que a vitória de Rodrigo Maia, na Câmara, dá mais força ao impeachment tramitando no Senado Federal.
Embora o mandato de Maia não seja de dois anos, sua posição de Presidente da Câmara lhe traz enorme visibilidade e prestígio. Em termos institucionais, podemos destacar os seguintes pontos: 1) é o porta voz oficial da Câmara; 2) é o segundo na linha sucessória da presidência da república, mas, no caso em tela, passa a ser o primeiro, já que o vice-presidente poderá assumir a presidência da república no caso do afastamento definitivo de Dilma Rousseff; 3) tem poder de decidir sobre a abertura de processo de impeachment e de Comissões Parlamentares de Inquérito (CPI); 4) define a “ordem do dia”, ou seja, quais e em que sequência os projetos serão discutidos e votados em sessão legislativa – com isso, pode tanto acelerar quanto procrastinar projetos e ações de interesse do Poder Executivo; 5) escolhe a ordem dos oradores inscritos e pode adverti-los, até mesmo cassar a palavra;  e, finalmente, 6) encerrar a sessão legislativa, definindo o que consta ou não em ata. Ademais, o presidente da Câmara é membro Conselho de Defesa Nacional e do Conselho da República. Sua posição permite ocupar a residência oficial, com tudo pago pela Câmara, constando, em sua equipe, arrumadeiras, cozinheiros, um chef de cozinha, vigilantes, seguranças e carro oficial.
Com imagem combalida, a Câmara dos Deputados assistiu, quase que passivamente, o poder de Eduardo Cunha, seu afastamento pela Justiça, seu processo de cassação em voga e a ascensão do irrelevante Waldir Maranhão. Conhecedor da dinâmica parlamentar, antes do final do pleito, Maia foi procurado por Rosso a fim de se estabelecer um pacto para retirar a casa da letargia em que se encontra. A vitória de Rodrigo Maia, em síntese, indica, como afirmei, a derrota do PT, Dilma e Lula. Oxalá tenhamos, doravante, capítulos mais virtuosos e menos medíocres em nossa política e que os deputados possam, efetivamente, representar os interesses do povo.
Rodrigo Augusto Prando é Professor e Pesquisador do Centro de Ciências Sociais e Aplicadas da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Graduado em Ciências Sociais, Mestre e Doutor em Sociologia, pela Unesp/Araraquara

A Câmara dos Deputados conhece, desde quarta-feira, 13 de julho, seu novo Presidente: Rodrigo Maia. A disputa se deu numa eleição que ultrapassou uma dezena de candidatos, contudo, os três favoritos eram: Rodrigo Maia (DEM), Rogério Rosso (PSD) e Marcelo Castro (PMDB). Maia representava os seguintes partidos: DEM, PSDB, PPS e SD; Rosso, por sua vez, congregava apoio do Centrão (partidos de centro-direita que formaram a base do Governo Dilma – PSD, PP, PR,  PTB, PROS, PSC, PRB, PEN, PTN, PHS e PSL) e, além disso, é tido como aliado de Eduardo Cunha; e, finalmente, Castro que é do PMDB, mas foi Ministro de Dilma e votou contra o processo de impeachment na Câmara, tendo, principalmente, apoio de PT, PDT e PC do B.

Com votação em dois turnos, Maia disputou o segundo escrutínio com Rosso, tendo vencido por 258 a 170 votos. Com Rodrigo Maia o DEM volta a protagonizar papel de destaque na política nacional. Tendo características de um perfil conciliador e conectado à agenda econômica do governo interino de Michel Temer, sua vitória foi considerada como assaz importante pelo Planalto. O grande ataque palaciano foi contra a possível eleição de Marcelo Castro e sua votação apresenta, simbolicamente, a diminuição do capital político de Lula, de Dilma e do PT – esses todos saíram diminuídos da disputa. Pior cenário, contudo, se apresenta a Lula, pois sua sequência como articulador político mostrou-se desastrosa: não conseguiu se tornar ministro de Dilma, fez negociações para barrar o impeachment na Câmara e não se deu bem e, agora, nova saraivada em sua imagem política. Arrisco-me, inclusive, a afirmar que a vitória de Rodrigo Maia, na Câmara, dá mais força ao impeachment tramitando no Senado Federal.

Embora o mandato de Maia não seja de dois anos, sua posição de Presidente da Câmara lhe traz enorme visibilidade e prestígio. Em termos institucionais, podemos destacar os seguintes pontos: 1) é o porta voz oficial da Câmara; 2) é o segundo na linha sucessória da presidência da república, mas, no caso em tela, passa a ser o primeiro, já que o vice-presidente poderá assumir a presidência da república no caso do afastamento definitivo de Dilma Rousseff; 3) tem poder de decidir sobre a abertura de processo de impeachment e de Comissões Parlamentares de Inquérito (CPI); 4) define a “ordem do dia”, ou seja, quais e em que sequência os projetos serão discutidos e votados em sessão legislativa – com isso, pode tanto acelerar quanto procrastinar projetos e ações de interesse do Poder Executivo; 5) escolhe a ordem dos oradores inscritos e pode adverti-los, até mesmo cassar a palavra;  e, finalmente, 6) encerrar a sessão legislativa, definindo o que consta ou não em ata. Ademais, o presidente da Câmara é membro Conselho de Defesa Nacional e do Conselho da República. Sua posição permite ocupar a residência oficial, com tudo pago pela Câmara, constando, em sua equipe, arrumadeiras, cozinheiros, um chef de cozinha, vigilantes, seguranças e carro oficial.

Com imagem combalida, a Câmara dos Deputados assistiu, quase que passivamente, o poder de Eduardo Cunha, seu afastamento pela Justiça, seu processo de cassação em voga e a ascensão do irrelevante Waldir Maranhão. Conhecedor da dinâmica parlamentar, antes do final do pleito, Maia foi procurado por Rosso a fim de se estabelecer um pacto para retirar a casa da letargia em que se encontra. A vitória de Rodrigo Maia, em síntese, indica, como afirmei, a derrota do PT, Dilma e Lula. Oxalá tenhamos, doravante, capítulos mais virtuosos e menos medíocres em nossa política e que os deputados possam, efetivamente, representar os interesses do povo.

Rodrigo Augusto Prando - Professor e Pesquisador do Centro de Ciências Sociais e Aplicadas da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Graduado em Ciências Sociais, Mestre e Doutor em Sociologia, pela Unesp/Araraquara

 

Última atualização ( Seg, 18 de Julho de 2016 18:02 )
 
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