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Fala Serio

Miopia na educação

Governo, educadores e políticos não sabem vender uma ideia de educação a professores e estudantes.

Ideias excelentes como a do governo estadual paulista, em fins de 2015, puseram por água abaixo a concentração em uma só escola as séries do nível fundamental e em outras as de nível médio. E aí faltou vender a ideia a todos.

A imposição gerou ocupação das escolas e revolta de todos os afetados até o recuo do governo e abandono da lei. Haveria uma redução nos gastos para todos, mas a falta de negociação só demonstrou que os pais teriam que levar os filhos em duas escolas e muitos professores ficariam sem aulas para ministrar durante a semana, ou que teriam o desconforto do deslocamento.

Incrível, mas toda esta falta de visão holística voltou a repetir-se este ano pelo governo federal, ao impor a retirada de algumas disciplinas por caráter econômico e sem razões de conteúdo no processo educacional.

Enquanto no mundo inteiro os estudantes dedicam de oito a 12 horas diárias para estudo, incluindo disciplinas teóricas e práticas com conteúdo via internet, aqui em nossa terra há restrições, além de um abandono questão educacional dos jovens.

De um lado, é notória a falência do MEC (Ministério da Educação e Cultura) que não prepara ou incentiva os professores a atualizarem seus métodos de ensino. E os que querem mudar são impedidos pelo arcaico e burocrático sistema básico. Pais desejam delegar à escola seu papel de educação.

Do outro lado, governo e políticos continuam afirmando que não cortarão despesas com educação, ou seja, misturam políticas públicas com as econômicas.

Vale aqui citar o slogan de três anos atrás de um conhecido candidato a deputado que dizia que “pior do que estava não ficará”. Mas ficou. Vejam, desde setembro as escolas estão em greve, o que afetou o ENEM, onde vários estudantes não puderam fazer e os vestibulares mais cobiçados no fim de novembro.

Afinal foi prejudicado o 2º semestre inteiro deste ano, que “por decreto” estão todos aprovados, uma vez que ninguém quer voltas as escolas em plenas férias de verão.

Outro fator desmotivador foi a questão do FIES – onde as escolas e estudantes entraram em conflito o ano todo.

Todas estas discussões deveriam ser debatidas agora para efetivação no próximo ano com a sociedade, mas não foram, e o processo de reformas deteriorou-se a ponto de a escola pública estar desqualificada.

Feliz dos alunos e pais que estão em algumas escolas privadas, e que abandonaram estas discussões e venderam a ideia que a competição no mundo não é para os que possuem diplomas, mas sim pelo grau de conhecimento. E vamos embora – sigam em frente! Pratiquem o autodesenvolvimento.

Enquanto isso o governo já ensaia uma troca de medida provisória por um novo projeto de lei para o próximo ano letivo. Isto quer dizer: esvaziar o discurso dos estudantes secundários que ocupam as escolas e estão ás vésperas das férias. E assim vamos empurrando com a barriga, ano a ano e décadas.

A profissão de professor, que deveria ser continuamente valorizada não só no aspecto monetário, mas também e principalmente motivacional, entra num ciclo caótico de causa-efeito-causa.

A baixa remuneração e a falta de perspectiva da carreira no magistério, desmotiva aqueles mestres que são essenciais para o aprendizado. E daí? Surgem os novos professores, aqueles que não conseguiram ingressar nas promissoras carreiras, e acabam tornando-se os futuros mestres, com títulos filosóficos e pedagógicos fora da realidade.

Se em poucos anos a maioria das profissões serão substituídas por outras que estão nascendo, o momento é de aprender a ensinar em vez de debater as políticas de educação. Resumindo - até o MEC aprovar um novo currículo ou faculdade, a onda, moda ou tendência já foi. Imaginem quatro anos depois, com a graduação concluída.

Só para ilustrar: por que as questões de geografia não podem ser mescladas com as de aritmética? Ou de redação com as de história ou atualidades? Práticas de laboratório em outras línguas?

Reinado A. Moura - engenheiro e mestre em Ciências e Engenharia de Produção pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo e fundador do Grupo IMAM entidade dedicada ao treinamento de curta duração

 

Des (criminalização) do aborto e as questões polêmicas

O Supremo Tribunal Federal (STF), guardião da Constituição Federal e dos direitos e garantias fundamentais do cidadão, causou surpresa esta semana ao decidir que aborto até o terceiro mês de gravidez não é crime.

As polêmicas que envolvem o tema não são novas, mas é preciso destacar que com essa decisão, além de um precedente, os julgadores provocam reflexão e discussão sobre o assunto, que há muito tem sido debatido, porém, não com a profundidade que merece a questão.

Verifica-se que, de um lado o Código Penal prevê o aborto como crime e na sequência descreve os casos em que este é permitido - são os casos em que o aborto é praticado por médico para salvar a vida da gestante, o chamado aborto necessário, e aqueles em que a gestante autoriza o aborto por ser uma gravidez resultante de estupro. Mas, de outro lado, o Código Civil Brasileiro descreve no artigo 2º que, “a personalidade civil da pessoa começa do nascimento com vida; mas a lei põe a salvo, desde a concepção, os direitos do nascituro”, sem mencionar em que condições são salvaguardados tais direitos. Aqui já começa a polêmica.

E não existe um posicionamento cem por cento favorável de toda a população em nenhum caso. Em 2012, por exemplo, o STF se pronunciou sobre o julgamento do caso que envolveu os fetos anencéfalos, pois em se tratando de feto sem cérebro, ainda que biologicamente vivo, é morto juridicamente. Naquela oportunidade, o relator, ministro Marco Aurélio, se manifestou dizendo que naquele contexto, a interrupção da gravidez não era um crime contra a vida. Muitos concordaram com o posicionamento, enquanto outros fizeram críticas severas. E isso é esperado quando falamos em aborto, porque diante de cada situação apresentada sempre teremos opiniões diversas.

Isso, porém, não significa que algumas questões podem ser deixadas de lado. É necessário pensar em qual é o motivo real para justificar uma decisão como esta. Interromper ou não uma vida. Em que condições? Para que? Vários são os aspectos a serem avaliados, dentre eles o papel do Estado, o interesse da coletividade, a saúde pública, a igualdade do gênero, a liberdade de escolha, as questões religiosas e muitos outros. Porém, há que se pensar no bem maior e primordial, que é a oportunidade à vida e de vivê-la dignamente.  É preciso sim, rever a leis e atualizá-las de acordo com a evolução da sociedade, pois o tempo não para. Mas, não podemos esquecer que fetos saudáveis podem ser os próximos responsáveis pela continuidade da construção da história.

Débora Veneral - diretora da Escola de Gestão Pública, Política, Jurídica e de Segurança, do Centro Universitário Internacional UNINTER.

 

Brasil: o País do "nem tanto"

No Brasil ninguém se assume de direita, mas somos quase todos de centro esquerda. Aqueles educados que se assumem de esquerda, acrescentam o "mas nem tanto." Queremos construir um país de estrutura moral sólida, curtindo as leis à risca, "mas nem tanto”.

Desejamos e protestamos pela prisão dos que tungam o erário porém assistimos, ansiosos pela novela, o massacre diário nas favelas do Rio. Vamos as passeatas, gritamos e dançamos juntos por um país melhor; desejamos uma revolução, "mas nem tanto." Queremos justiça na maioria das vezes, mas furamos a fila do supermercado, estacionamos em local reservado para idoso ou deficiente físico sem pudor e vivemos no país do Gerson, aquele que leva vantagem em tudo.

Não observamos que a corrupção se dá em níveis menores, todos os dias e não só nos grandes escalões, na operação lava-jato ou no mensalão da vida. Quando deixamos de emitir ou pedir uma nota fiscal estamos agindo a favor da corrupção. Quando falsificamos a carteirinha de estudante ou quando compramos produtos falsificados também. Furando fila, não denunciando o gato do vizinho para roubar energia elétrica ou TV a cabo, quando tentamos subornar o guarda para evitar uma multa de trânsito ou circulamos nossos pontos na carta de motorista da prima que sequer dirige, estamos voluntariamente contribuindo para um País pior, com menos qualidade de vida e respeito em todos os níveis.

Veja, estamos chocados com a tragédia da barragem em Minas, mas nem tanto.  É incrível a posição de refugiados da população da grande Mariana. Embora vítimas do maior desastre ambiental da história do Brasil, os habitantes da região advogam pela volta da Samarco a plena operação, pois estão desempregados e necessitados. Os prefeitos e vereadores regurgitam os royalties reduzidos dramaticamente. Como resultado, queremos a punição exemplar a Samarco e da Vale, mas nem tanto.

Quebrar a empresa ou impedir seu funcionamento, joga a população local na lama, se me desculpe o trocadilho enlameado. Vibramos com os novos indiciados das incontáveis operações da PF e do MPF, mas não temos a menor ideia do que vem a seguir. Nossa novela judiciária terá novos capítulos em breve, e com raras exceções, continuamos apaixonados pelos mesmos personagens tal qual um “Show de Truman” às avessas, com uns poucos controlando o destino de todos nós, sem que ao menos percebamos. Se não viu o filme, eu recomendo.  Quem é o suplente do Dudu Cunha? Porque o Paulo Roberto devolveu sua lustrosa tornozeleira? Quem vai administrar o espaço comprimido entre o Oiapoque e o Arrio do Chuí?

Queremos mudar o Brasil, mas nem tanto. Não queremos sujar as mãos da tinta eleitoral, como se abstenção lhe garantisse um alvará de soltura prévio pelo crime de omissão à pátria que você acaba de cometer. Queremos mudar o Brasil, mas nem tanto. Por favor ponha o despertador para amanhã cedo e acorde, brasileirinho.

Vivemos em uma democracia monetarista: se você tem bastante do vil metal, tem escola boa, tem plano de saúde, tem segurança privada e carro blindado, escolhe não votar por que nenhum candidato lhe representa, certo? Entendi. Mas se por outro lado, se você não tem suficiente din-din para estudar, cuidar da saúde família, sofre com o genocídio diário das periferias e seu Mercedes é aquele de 78 lugares, você vota porque é sua obrigação. E vota naquele que comunica com você, amém irmão? Entendeu ou quer que eu desenhe?

Precisamos atentar mais e mais para a agenda política de cada um de nós como indivíduos, alternando nossos post diários nas redes sociais com e-mails para nossos representantes. Sim, representantes. Aquele em quem você votou da última vez, lembra? Você tem esta obrigação com seu voto. Aquele que vota ou se manifesta sem agenda política, está a serviço da agenda política de alguém.

Julio Gavinho - executivo da área de hotelaria, fundador da doispontozero Hotéis,  criador da marca ZiiHotel, sócio e CEO da Orion Hoteis e Resorts .

 

Ministro Virtual

Pode um governo, como o do Brasil, ter um ministro virtual?

Pode e tem. Talvez até mais de um, já se escreveu que o cidadão guindado a Ministro de Estado deve ter qualidades, biografia, estofo, passado, presente e futuro.

Nas regras do cerimonial público, o Ministro de Estado tem estatura.

Infelizmente, toda regra tem exceção e no nosso caso a exceção tornou-se regra.

Alguns são ministros de confissão religiosa. Outros são ministros de baixo clero e abaixo da crítica, tal o despreparo. Não há curso nem concurso para ministro, e ultimamente não passam pelo crivo da ABIN para avaliar o currículo ou a folha corrida!

Só este escapamento justifica o imenso leque de ministros incompetentes.

Há um, porém, que é respeitável, tem trajetória política e experiência profissional, mas é virtual, desde o momento em que foi empossado.

Não é ministro, está ministro.

Ministro do Desenvolvimento Social e Agrário. Além de desconhecer o âmbito de seu Ministério, mistura os programas de combate à fome, à miséria, à assistência social aos idosos, às pessoas com necessidades especiais e às vítimas de doenças severas. O Ministério se volta ainda para invasores das terras dos outros que são produtivas, combate às pesquisas científicas e contrárias às inovações na agricultura.

O Ministério serve ainda para conceder o Beneficio de Prestação Continuada, o BPC, que assegura renda mínima aos brasileiros pobres.

O ministro não foi consultado, mas seu Ministério absorveu virtual e indevidamente o INSS, que o governo gostaria de ter extinto, como extinguiu o Ministério da Previdência Social para que a Fazenda ficasse com toda a Previdência Social para utilização de seus R$ 2,5 trilhões em política fiscal - sem questionamentos da massa ignara e da elite dotada de inteligência artificial.

O Ministério da Previdência e o INSS viraram virtuais, pendurados nas nuvens.

O INSS é simplesmente a segunda maior receita da República, só perde para o Imposto de Renda, mas continua sendo uma autarquia atípica, a única do planeta que não tem acesso à sua receita, só a sua despesa. Conta ainda com 60 milhões de segurados contribuintes, 34 milhões de beneficiários, aposentados, pensionistas e recebedores do BPC, se relaciona com 4 milhões de empresas e 6 milhões de micro empreendedores individuais, tem 35 mil servidores e 1.600 unidades de atendimento.

Mais ainda: O INSS sustenta mais de 90% dos municípios brasileiros, injetando na economia mais recursos do que o Fundo de Participação dos Municípios. Certamente não há um só município que não tenha um contribuinte ou um beneficiário da Previdência, para desgosto do presidente da República e do ministro da Fazenda, que acabaram com o Ministério da Previdência Social.

No auge do desenvolvimento do país, a Previdência ajudou a formar a nova classe média emergente, que hoje sucumbiu.

Mas o nosso ministro vírgula do Desenvolvimento Social e Agrário não ousou nem se dignou, nos últimos seis meses a receber os dirigentes do INSS, os dirigentes das entidades previdenciárias ligadas ao INSS, os servidores do INSS e de seus sindicatos e entidades de representação, o corpo gerencial do INSS, inclusive presidente e diretores e membros do Conselho de Recursos.

Não emitiu um só ato de gestão administrativa. Só autorizou viagens e diárias. Não se interessou nem perguntou sobre a perfídia praticada pelo governo, a que serve, contra o INSS. Não quis saber porquê não anda o Programa de Expansão das 720 novas agências do INSS - das quais só a metade foi instalada nos municípios com mais de 20 mil habitantes -, nem sobre a nomeação de mil servidores concursados. Nada, rigorosamente nada, lhe diz respeito. Embarcou de gaiato no combate às fraudes na perícia médica, mas como deputado não moveu um pauzinho para salvar a Medida Provisória que perdeu a validade.

Desbotou, perdeu a cor.

Com isso, tornou-se ainda mais virtual, pois não sabe onde está pisando, parece navegar em drives nas nuvens (clouds), buscando o infinito.

Lá atrás, escrevi que ele não é ministro, está ministro; podemos acrescentar que finge ser ministro.

Ao longo dos 24 anos de Anasps, hoje a única entidade dos servidores da Previdência Social, já convivi com vários ministros que se interessavam muito, pouco ou quase nada pela Previdência e pelo INSS, mas virtual é o primeiro...

Vou falar com o Tadeu, do Fantástico, para que o “Detetive Virtual possa encontrá-lo”.

Paulo César Regis de Souza - vice-presidente Executivo da Associação Nacional dos Servidores da Previdência e da Seguridade Social - Anasps.

 

Black Friday: oceano propício para cibercriminosos

Datas comemorativas como o Dia dos Namorados, o Dia das Mães e o Dia das Crianças são períodos de grandes vendas para o Varejo, sobretudo na Internet. São também momentos em que os ataques cibernéticos, principalmente utilizando técnicas de envio de e-mail, são mais frequentes. Os alvos, claro, são os consumidores ávidos por ofertas. O alto volume de propaganda em forma de SPAM acaba facilitando a aplicação de golpes e, consequentemente, o faturamento ilícito dos cibercriminosos.
A Black Friday, campanha de vendas que se iniciou nos EUA e hoje se espalhou pelo mundo todo, é a nova “bola da vez” dos fraudadores. Neste ano, a data deve movimentar R$ 2 bilhões, de acordo com o Busca Descontos, idealizador do evento no Brasil. Diversos e-commerces adotam o envio de propagandas por e-mail em suas estratégias de marketing, ação aproveitada pelos cibercriminosos que utilizam diferentes tipos de ataque para roubar informações e dados de cartões de crédito de vítimas e, assim, ganhar dinheiro ilicitamente. É comum que o fraudador clone cartões, crie boletos falsos ou adquira produtos com o uso de credenciais (login e senha) alheias.
O método mais comum de golpe é o Phishing. A palavra deriva de "fishing", uma analogia criada pelos fraudadores em que "iscas" (e-mails) são usadas para "pescar" senhas e dados financeiros na Internet. A tática também se refere aos casos em que a vítima recebe mensagens que procuram induzi-la à instalação de códigos maliciosos e avisos em que, no próprio conteúdo, são apresentados formulários a serem preenchidos. O ataque é caracterizado por conter no corpo de e-mail um texto ou imagem semelhante à comunicação das lojas de e-commerce com um link que direciona para um falso site. Quando a vítima clica, é reencaminhada para um ambiente fictício ou pede-se a instalação de algum programa que acaba infectando a máquina e permitindo a invasão de contas de e-mail e dados pessoais.
Os fraudadores têm aplicado esse golpe tão perfeitamente que, a cada ano, suas técnicas se tornam mais eficazes e praticamente imperceptíveis, visto que a maioria acaba personalizando páginas dos grandes varejistas, deixando-as quase tão reais quanto as verdadeiras. Junto às customizações, os cibercriminosos podem camuflar malware, trojans, keyloogers, botnets e vírus até em arquivos anexos. Há casos em que eles comercializam telas falsas, assessoria para Phishing, spam de vários segmentos de empresas e até a construção de sites inteiros para terceiros aplicarem o golpe. Essas ofertas geralmente custam em torno de R$ 150 a R$ 800, dependendo da solicitação e complexidade da ação.
Em se tratando de ambiente corporativo, quando uma empresa sofre um ataque, o impacto não é somente financeiro. A fraude pode denegrir sua imagem e trazer sérios danos à reputação de toda a organização, gerando grande impacto negativo aos negócios. Por isso, é extremamente importante que tanto o consumidor final como a companhia fiquem alertas principalmente em períodos comemorativos para que não sejam alvos desse ataque.
A sugestão principal para o consumidor é desconfiar de todos os e-mails com ofertas que receber. Ficar atento a eventuais erros de ortografia no conteúdo, bem como na data e horário do envio. Outra dica importante é: passe o mouse em cima do link e analise o endereço dele. Se o caminho for estranho e se não tiver nenhuma referência ao e-commerce, exclua ou encaminhe para um especialista.
Para as empresas, a recomendação é investir em Segurança da Informação, com monitoramento constante. O cenário ideal é aliar medidas de segurança cibernética em toda a cadeia, dos processos de compra às campanhas de conscientização para educar a população. É, sim, possível se proteger dessas ameaças antes que elas se materializem, mitigando possíveis prejuízos.

Datas comemorativas como o Dia dos Namorados, o Dia das Mães e o Dia das Crianças são períodos de grandes vendas para o Varejo, sobretudo na Internet. São também momentos em que os ataques cibernéticos, principalmente utilizando técnicas de envio de e-mail, são mais frequentes. Os alvos, claro, são os consumidores ávidos por ofertas. O alto volume de propaganda em forma de SPAM acaba facilitando a aplicação de golpes e, consequentemente, o faturamento ilícito dos cibercriminosos.

A Black Friday, campanha de vendas que se iniciou nos EUA e hoje se espalhou pelo mundo todo, é a nova “bola da vez” dos fraudadores. Neste ano, a data deve movimentar R$ 2 bilhões, de acordo com o Busca Descontos, idealizador do evento no Brasil. Diversos e-commerces adotam o envio de propagandas por e-mail em suas estratégias de marketing, ação aproveitada pelos cibercriminosos que utilizam diferentes tipos de ataque para roubar informações e dados de cartões de crédito de vítimas e, assim, ganhar dinheiro ilicitamente. É comum que o fraudador clone cartões, crie boletos falsos ou adquira produtos com o uso de credenciais (login e senha) alheias.

O método mais comum de golpe é o Phishing. A palavra deriva de "fishing", uma analogia criada pelos fraudadores em que "iscas" (e-mails) são usadas para "pescar" senhas e dados financeiros na Internet. A tática também se refere aos casos em que a vítima recebe mensagens que procuram induzi-la à instalação de códigos maliciosos e avisos em que, no próprio conteúdo, são apresentados formulários a serem preenchidos. O ataque é caracterizado por conter no corpo de e-mail um texto ou imagem semelhante à comunicação das lojas de e-commerce com um link que direciona para um falso site. Quando a vítima clica, é reencaminhada para um ambiente fictício ou pede-se a instalação de algum programa que acaba infectando a máquina e permitindo a invasão de contas de e-mail e dados pessoais.

Os fraudadores têm aplicado esse golpe tão perfeitamente que, a cada ano, suas técnicas se tornam mais eficazes e praticamente imperceptíveis, visto que a maioria acaba personalizando páginas dos grandes varejistas, deixando-as quase tão reais quanto as verdadeiras. Junto às customizações, os cibercriminosos podem camuflar malware, trojans, keyloogers, botnets e vírus até em arquivos anexos. Há casos em que eles comercializam telas falsas, assessoria para Phishing, spam de vários segmentos de empresas e até a construção de sites inteiros para terceiros aplicarem o golpe. Essas ofertas geralmente custam em torno de R$ 150 a R$ 800, dependendo da solicitação e complexidade da ação.

Em se tratando de ambiente corporativo, quando uma empresa sofre um ataque, o impacto não é somente financeiro. A fraude pode denegrir sua imagem e trazer sérios danos à reputação de toda a organização, gerando grande impacto negativo aos negócios. Por isso, é extremamente importante que tanto o consumidor final como a companhia fiquem alertas principalmente em períodos comemorativos para que não sejam alvos desse ataque.

A sugestão principal para o consumidor é desconfiar de todos os e-mails com ofertas que receber. Ficar atento a eventuais erros de ortografia no conteúdo, bem como na data e horário do envio. Outra dica importante é: passe o mouse em cima do link e analise o endereço dele. Se o caminho for estranho e se não tiver nenhuma referência ao e-commerce, exclua ou encaminhe para um especialista.

Para as empresas, a recomendação é investir em Segurança da Informação, com monitoramento constante. O cenário ideal é aliar medidas de segurança cibernética em toda a cadeia, dos processos de compra às campanhas de conscientização para educar a população. É, sim, possível se proteger dessas ameaças antes que elas se materializem, mitigando possíveis prejuízos.

Thiago Bordini - Diretor de Inteligência Cibernética do Grupo New Space


 

A indústria no Brasil em 2016

A indústria tem enfrentado enormes adversidades desde 2014. Na verdade, há mais de duas décadas, a valorização cambial retira capacidade competitiva da indústria nacional, o que dificulta a concorrência de nossas empresas com similares estrangeiras no mercado interno e externo. Os resultados são visíveis, com fechamento de empresas ou venda para capital internacional, extinção de milhares de postos de trabalho, perda da capacidade de inovação, de difusão tecnológica e de espraiamento da produtividade para toda a economia.

Talvez o país esteja chegando ao fundo do poço, para o qual despenca a indústria brasileira desde 2014, junto com toda a economia, em uma das mais graves recessões da nossa história. Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho, no acumulado dos últimos 12 meses, o país terminou junho com 1.765.024 postos de trabalho formais a menos. A atividade industrial despencou -3,0%, em 2014, e -8,2%, em 2015, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Contudo, se o fundo do poço tiver sido atingido, talvez os dados sobre o nível da atividade industrial no primeiro semestre deste ano, divulgados recentemente pelo IBGE, estejam a mostrar sinais bem singelos de recuperação, com a indicação de mudanças no comportamento da atividade da indústria. Os subsetores de bens intermediários e de bens de consumo semi e não-duráveis, que reúnem boa parte da produção brasileira, pararam de cair nos últimos meses. Há acenos de melhora, como no caso de bens de capital, para a qual se observam taxas mensais positivas. Os indicadores de variações mensais positivas em cinco meses do semestre apontam mudança da perversa trajetória do setor, com crescimento de 1,3%, na comparação com dezembro de 2015.

Se chegamos ao fundo do poço e conseguimos respirar, é hora de analisar a complexidade da situação, entender o que é e como é o fundo do poço (conjuntura), de que maneira se pode dele sair para a superfície (estratégia de desenvolvimento industrial de médio prazo) visando reocupar o papel decisivo da indústria no desenvolvimento econômico em todo o território (estratégia de desenvolvimento sistêmico de longo prazo).

A aposta deve ser a de que o Brasil tem plenas condições para superar mais essa crise e pode fazê-lo a partir da estruturação de um grande projeto de desenvolvimento. Para isso, é preciso ter claro o que orientará a estratégia de mobilização das forças produtivas. Vale lembrar que, no Compromisso pelo Desenvolvimento, acordo firmado a partir do diálogo social entre trabalhadores e empresários, o sentido é: retomar o crescimento, sustentando-o no longo prazo, com base no desenvolvimento produtivo, com agregação de valor e incremento da produtividade, fortalecimento do mercado interno e participação no mercado externo, geração de empregos e crescimento dos salários. A produção econômica deve se transformar em desenvolvimento social, pela capacidade política de distribuir os resultados em termos de bem-estar social, qualidade de vida e equilíbrio ambiental.

A indústria tem papel decisivo no desenvolvimento produtivo pela capacidade de difusão tecnológica e agregação de valor para todas as cadeias produtivas - produção agropecuária, setor de serviços e comércio.

No momento, a atenção deve ser para a taxa de câmbio, fator decisivo para a recuperação e sustentação da atividade industrial e de desenvolvimento. Sustentar uma posição cambial que permita às empresas competitivas participarem do mercado interno e externo é decisivo. Muitíssima atenção, mais uma vez, para a valorização cambial em curso, que poderá continuar a cavar um novo fundo do poço ao qual nossa indústria pode ser lançada. É preciso, energicamente, impedir que isso ocorra. Motivo suficiente para recuperar Compromissos.

Clemente Ganz Lúcio -  Sociólogo, diretor técnico do DIEESE, membro do CDES – Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social e do Grupo Reindustrialização

 
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